domingo, 17 de outubro de 2010

É segredo ou não é segredo?


Uma boa história é uma boa história. "Quem quer ser milionário?" tem uma boa história e é contado de uma forma muito legal, sem frescuras, sem glauberismos ou goddardismos. Um filme inglês passado na Índia com atores de lá. Tropa de Elite 2, assim como o primeiro, tem uma boa história contada de uma forma simples, linear, com um flashback longo, sem frescuras.
Os dois filmes falam de situações, experiências que não são como a gente está acostumado a ver no cinemão habitual. Não é um policial ambientado no submundo do brooklin ou uma trama de espionagem rolando em cenários exóticos na Europa e na Ásia Menor. O filme vai fazer sucesso no mundo todo porque é uma boa história narrada de uma forma simples. Mais gente vai gostar porque mais gente vai entender.
O filme, para fazer sucesso no Brasil, não precisa exatamente tratar de um tema brasileiro, precisa, sim, ser bem feito. Precisa ter uma narrativa eficiente. Nisso a dobradinha José Padilha e Bráulio Mantovani acertaram em cheio, melhor que no primeiro filme.
A projeção é de que o filme fature R$ 100 milhões em 3 meses. Depois teremos DVDs, depois direitos para TV e distribuição no Exterior. Vai render muito. Um filme só, rendendo pacas. E ainda tem o livro.
Espero que Tropa de Elite comece a render filhotes no cinema, como já rendeu na TV. Precisamos fortalecer nossa indústria cinematográfica, para que surjam mais empregos para escritores, atores, cenógrafos, etc Isso vai aumentar o interesse de nosso mercado editorial por novos títulos que poderão se transformar em filmes.
E tudo isso acontece por quê? Na minha opinião, porque Tropa de Elite 2 mostra um Padilha e um Mantovani muito mais à vontade para oferecer um heroi ao público. Um heroi e catarse.
Se podemos curtir a catarse com Jason Bourne, John Rambo e outros, vendo o bem vencer o mal, por que não podemos ter catarse no nosso cinema, com nossa cultura, com nossos temas? Alguns críticos de cinema estão apontando a presença da catarse em Tropa como se fosse algo ruim. Eu gostaria de entender o motivo.
O filme é uma obra de ficção, uma peça de entretenimento. Não é um documentário, uma obra sociológica. Tem gente que tem que deixar de ser chata...