quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Voo (parte 2)

Não era hora de ficar fazendo conjecturas. A motivação deveria ser essa, simples e direta: expôr a história. De resto, um passinho de cada vez.
Olhou para o veículo mais próximo, crivado de balas, e inspirou. E inspirou de novo. Procurou não pensar no ombro, pois iria doer de qualquer jeito...
Pôs-se de pé em um lance, correndo para a direita. No primeiro passo ergueu o braço direito, com a Taurus PT99 em sua extensão, premindo três vezes o gatilho na direção dos dois homens que avançavam em sua direção.
A dupla lançou-se para os lados, perdendo segundos preciosos, que Medeiros usou para chegar atrás do outro veículo. Um segundo depois, as MP5K matraquearam em sua direção.
Agachado, esgueirou-se rapidamente por trás de uma minivan que estava ao lado de sua primeira barreira. Rapidamente deu um golpe de vista através das janelas do veículo, onde o motorista jazia no banco, com o rosto deformado a tiros, e viu os dois vultos correndo, dividndo-se, um aproximando-se de cada lado, em um clássico movimento de pinça. Não vira mais ninguém, o que não era garantia de nada. Mas precisava aproveitar o fato de que os seus inimigos não o estavam vendo pelo fato de estar atrás dos dois carros - pelo menos não por alguns segundos.
Ainda procurando ignorar a dor do ferimento, sustou o passo, girou sobre o pé esquerdo e retornou à direção de onde viera, escancarando a porta da minivan. Ouviu as balas zunindo ao lado, enquanto empurrava com toda força o motorista morto para fora do veículo.
Como teria feito se estivesse pilotando um caça, usou um chamariz, atraindo o fogo inimigo para uma posição e, de dentro do carro, disparou a pistola para os lados em que estimava onde estariam seus oponentes. Os estampidos amplificados pela carroceria da minivan fizeram seu ouvido zumbir por uns segundos, enquanto ele, com apenas mais dois cartuchos na pistola, esperava que alguém surgisse diante da porta do veículo....