segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Comentários sobre os comentários

Publico aqui dois comentários que foram feitos no post abaixo.

De cara eu digo que concordo com ambos os comentários, mas acho que é preciso fazer alguns adendos.

Em primeiro lugar, é óbvio que as pessoas sofrem com a varredura das casas. Isso é inevitável. As residências dessas pessoas precisam ser vistoriadas, tem gente sendo mantida como refém. Seria impossível vasculhar o Complexo do Alemão sem entrar nas casas. Alguém tem uma solução diferente para o problema?

O povo nunca acariciou o governo e agora vê motivos para isso. Ainda não é o suficiente, mas é um começo. Tardio, mas precisava começar em algum ponto. Não temos ainda máquina do tempo para voltar 30 anos e corrigir erros.

Depende agora do povo fazer com que o Estado seja uma ferramenta sua, e não apenas das elites.

A guerra contra o narcotráfico vai muito mais fundo mesmo. Já comentei aqui algumas idéias de caminhos a serem tomados para chegar aos barões do tráfico, independentemente de onde quer que estejam, no Rio, em São Paulo, Florianópolis ou Brasília.

A falta de treinamento dos policiais é evidente. O tempo de formação é insuficiente, os salários idem.

O momento da ação, como já disse, foi esse. Não tem como voltar atrás no tempo e ninguém gostaria que fosse deixado para depois. O motivo é a Copa? Foram os ônibus e carros incendiados? A morte do arquiduque Ferdinando? Sinceramente, tanto faz, contanto que aconteça, que siga em frente. Não interessa mais, nesse momento, a cor do pato. O povo brasileiro precisa dos ovos. O motivo não desqualificará a ação se ela for bem engendrada e surtir os efeitos necessários.

Mas não caberá apenas ao Estado fazer com que isso tudo funcione.

Eu não moro em favela e sei que há muitos criminosos de terno e gravata. Criminosos que precisam da bucha de canhão que mora nas favelas. Acontece que ao derrubar uma cabeça, surge outra. Já cortando as “patas” dessa Hidra, ela vai perdendo a força. Quem faz o dinheiro dos barões, dos líderes, são os soldados, os aviões e os consumidores.

Ninguém quer sair matando os “peões” do crime organizado, mas é preciso fazer com que eles se sintam, neste momento, desestimulados pela força, porque agora não há como chamar esse pessoal para escolas. Vejam o que o próprio líder do AfroReggae disse hoje, em entrevista abaixo.

Projetos de ampliação do IDH são fundamentais, mas não serão completamente eficientes. Basta ver que, como vcs mesmos disseram, tem muito criminoso com berço de ouro e que tiveram todas as oportunidades.

A guerra é difícil, amarga e é puro dissabor, mas precisa ser lutada. Tem etapas que a maioria gostaria de pular. Mas precisam ser vivenciadas.

2 comentários:

hansponto disse...

Quanto a posição do Estado com civís, existem denuncias por toda a web afirmando que populares sofrem com a varredura nas casas. O governo deu a 'tapa' e agora está querendo 'alisar'. O povo está acariciando o Estado como se fosse um animal de estimação. E ai onde eu bato na tecla, o estado representa mesmo o povo fazendo o que está fazendo? Seria o estado uma ferramenta do povo ou uma ferramenta que trabalha com o óleo de nossos impostos e gira ao favor dos mais fortes? Sabemos todos que a guerra contra o tráfico vai mais fundo, muito mais. Policiais destreinados, insatisfeitos, grossos, despreparados e um estado que só faz alguma coisa quando o sangue de quem não tem nada a ver com história está no chão.

Bom ou ruim, a atitude do estado foi tardia, isso implica em uma reação barata, com estimulos politicos. Quem tem olhos pra ver, sabe que o que está acontecendo no Rio vai ser colocado na conta da Copa e não do Papa como foi dito em Bope 1. A Mídia modelou tudo o que está acontecendo e ninguem abre os olhos pra ver que a mesma igreja romana comandava os romanos que crucificaram cristo...

29 de novembro de 2010 10:59

Dan Fernandes disse...

O estado falhou, a imprensa falhou, a moral falhou, a justiça falhou, o cidadão falhou...

Só quem mora em uma favela sabe que os 'cidadãos de bem' não são tão inocentes assim, afinal muitos são preconceituosos e arrogantes. Nem tudo se resume economicamente, um pouco de respeito faz alguma diferença. Acho desrespeitoso, por exemplo, uma pessoa que morra na Barra (uma das partes mais luxuosas da cidade) dizer "-Graças a Deus que eu moro na Barra e lá não tem estas coisas!", quando uma pessoa diz isso é equivalente dizer "-Desgraçadas de Deus que essas pessoas moram em tal lugar!".