quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comentários sobre matéria no Terra II



Continuando os comentários sobre a reportagem “Analistas: permanência em favelas põe em risco Forças Armadas”, publicada no Terra, no link ao lado: http://migre.me/2E8if

O trecho ao lado suscita uma série de observações: “Segundo Cabral, a presença das tropas do Exército permitirá que a polícia se concentre no ‘trabalho de inteligência’, até que sejam formados policiais para atuar em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) a serem instaladas no Complexo do Alemão e na favela de Vila Cruzeiro”

As polícias do Rio de Janeiro são as mais indicadas para o trabalho de inteligência? Sim. São. Não. Não são.

Esse trabalho deve ser integrado com a Polícia Federal e a ABIN, porque não estamos falando apenas de prender bandidos locais. O narcotráfico tem ligações intrincadas em todos os Estados e fora do Brasil. Tem ligações com o mercado negro de armamentos que vêm da China, da Rússia, da África, etc. Tem ligações com o contrabando de diamantes da Reserva Roosevelt, em Rondônia, que é misturado com diamantes de MG ou da África, e está ligado ao envio de drogas para outros continentes.

As polícias do Rio não têm capacidade de dar conta desse recado.

O Ministério da Justiça está fazendo acordo para um intercâmbio de ações contra o narcotráfico com países vizinhos. Não estaria na hora de fazer isso com apoio mais peso pesado, como dos Estados Unidos?

Não. Não queremos tropas americanas aqui, como aconteceu com a Colômbia. Precisamos de informações, imagens de satélite, gravações de telefonemas em escala mundial.

Podemos ter atritos com os EUA no campo comercial, mas isso não pode afetar as nossas questões de segurança. Os dois países podem se ajudar nesse sentido, com colaboração entre o DEA (EUA), o FBI (EUA), a ABIN (BR) e a PF (BR). Alguém vai dizer que não precisamos disso?

Outro ponto com relação à inteligência. Nossas Forças Armadas têm um sistema de inteligência muito bom e podem contribuir. Os nosso Forças Especiais estão qualificados para combate em situações de extremo risco e para operações de inteligência. Esse pessoal, junto com os nossos comandos e as tropas de elites das outras armas, fez falta no final de semana passado.

Invadir o Complexo do Alemão em colunas visíveis de carros de combate poderia ter sido uma forma bem segura de entrar, mas não a mais eficiente. Vimos isso e eu já havia comentado isso no blog.

Se o Rio de Janeiro ainda não viu nenhum dos Blackhawk e dos Mi-35 que obtivemos recentemente, isso está errado. Não vamos usá-los no combate nas favelas, mas eles têm uma grande força de dissuasão. São aeronaves de combate gigantescas que afetam o psicológico das tropas envolvidas em combate. A presença de duas delas, junto com os outros helicópteros cedidos, teria criado uma ação de distração excelente para uma incursão aerotransportada de forças especiais naquele sábado, antes que o prazo de rendição tivesse sido esgotado.

Poderiam ter usado bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e outras armas não letais para atordoar e distrair os narcotraficantes, enquanto as forças especiais ocupariam posições estratégicas mais elevadas – o que as forças de segurança não tiveram na sexta nem no sábado.

Grupos de atiradores com Barrets e outros fuzis potentes, com apoio aéreo, teriam sustado a ação da maioria dos grupos de traficantes. Poderíamos ter lançado pelo menos três pelotões muito especializados e treinados naquela situação e a história seria outra.

Espero que a lição tenha sido aprendida.

Temos as forças necessárias para neutralizar as forças do narcotráfico e criar a maior crise do crime organizado em toda a sua história. Poderemos neutralizar as milícias e realmente começar um combate ao crime no Rio e em todo o Brasil.

O momento é propício para isso, mas está faltando a vontade política mesmo.