sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Eu não matei nenhum filhote de foca hoje. E você?

Eu não matei nenhuma baleia ou filhote de foca. Não derrubei nenhuma floresta. Assim como milhões de brasileiros com grande consciência ecológica, acho que estou fazendo a minha parte.
Mas para falar a verdade, como cidadão urbano, pra mim é fácil não matar baleias ou filhotes de focas ou qualquer outro animal, mas eu como picanha no final de semana.
Vejo muita gente falar de economizar água na hora de lavar louça, mas na hora do banho o conceito é outro.
Vejo muita gente indo para o trabalho de carro, sozinho, sem dar carona ou sem pedir carona a um colega. Usar transporte público? Nem pensar.
Vejo muita gente pisando fundo em seus carros para ter que frear 100 metros adiante, no sinal fechado. Isso polui o ambiente? Que nada! Gera calor desnecessariamente? Queísso!
Vejo gente que anda a 150km/h onde a velocidade máxima é de 60km/h. Quando a pessoa anda assim, desnecessariamente, não queima mais combustível e gera poluição? Imagina! Uma coisa não tem nada a ver com outra!
Sei de gente que tinha dois ou três carros para furar rodízio em São Paulo, etc etc e etc.
Consciência ecológica, para muita gente, significa dizer que não faz aquilo que nunca precisaria fazer. Mas quando se reflete em atos do dia a dia, que não são tão pequenos assim, como apertar melhor uma torneira, nem pensar!

Consciência ecológica não é apertar melhor uma torneira para não fica pingando.
Assim como o cidadão urbano brasileiro acha que o homem do campo tem que perder suas áreas de plantio já consolidadas, o homem do campo também espera que o cidadão urbano faça um sacrifício idêntico ou proporcional em nome do meio ambiente.

Se não é muito fácil ficar dizendo que tem consciência ecológica.
Eu mesmo não matei nenhum filhote de foca, nenhuma baleia, não derrubei nenhuma floresta e também não joguei toneladas de produtos tóxicos em nenhum rio hoje. Só saí de casa para trabalhar e ponto final. E ainda apertei a torneira, bem apertadinha.