quarta-feira, 19 de junho de 2013

O custo da corrupção

Pois bem, de acordo com levantamento feito pela Fiesp em 2010, cerca de R$ 80 bilhões por ano são sugados pela corrupção no Brasil (veja comentários abaixo de dois articulistas). Fora isso, tem também a sonegação de impostos.
Somado a isso, eu fico pensando: por que a redução em um imposto não significa a queda do preço para o usuário final, seja da cesta básica, da gasolina ou do transporte público?
Ou seja, vamos somar CORRUPÇÃO com SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS e CONCENTRAÇÃO DE RENDA DELIBERADA = situação atual do Brasil.
Como é que nós ficamos nisso tudo?

Vejamos esse trecho abaixo, extraído da VEJA:

Passe livre - Conferindo as contas da Prefeitura, é possível afirmar que a revogação do aumento da passagem, como reivindicam os manifestantes que tomaram as ruas, exigiria um gasto anual de mais R$ 360 milhões, fazendo com que o subsídio passasse do R$ 1,5 bilhão por ano. É possível, mas seria preciso tirar dinheiro de alguma outra área. O prefeito Haddad já fez as contas de quanto custaria o passe livre (com o subsídio pagando todo os custos): seria de R$ 6 bilhões por ano. Ou 14% de todo o Orçamento da cidade - cinco vezes mais do que é gasto com habitação, por exemplo. 

QUE TAL TIRAR ESSE R$ 1,5 BILHÃO DO "CAIXINHA" DA CORRUPÇÃO????



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Matéria de Capa – O custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano!!!

A VEJA desta semana traz uma reportagem de Otávio Cabral e Laura Diniz sobre o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano — ou 2,3% do PIB. É uma soma estratosférica, e isso nos coloca, certamente, entre os países mais corruptos do mundo. Ou melhor: isso coloca o poder público do Brasil entre os mais corruptos do mundo. Leiam um trecho:

(…)
Nos últimos dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram desviados dos cofres brasileiros R$ 720 bilhões. No mesmo período, a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15.000 contratos da União com estados, municípios e ONGs, tendo encontrado irregularidades em 80% deles. Nesses contratos, a CGU flagrou desvios de R$ 7 bilhões – ou seja, a cada R$ 100 roubados, apenas R$ l é descoberto. Desses R$ 7 bilhões, o governo conseguiu recuperar pouco mais de R$ 500 milhões, o que equivale a 7 centavos revistos para cada R$ 100 reais roubados. Uma pedra de gelo na ponta de um iceberg. Com o dinheiro que escoa a cada ano para a corrupção, que corresponde a 2,3% de todas as riquezas produzidas no país, seria possível erradicar a miséria, elevar a renda per capita em R$ 443 reais e reduzir a taxa de juros.

(…)
As principais causas da corrupção são velhas conhecidas: instituições frágeis, hipertrofia do estado, burocracia e impunidade. O governo federal emprega 90.000 pessoas em cargos de confiança. Nos Estados Unidos, há 9.051. Na Grã-Bretanha, cerca de 300. “Isso faz com que os servidores trabalhem para partidos, e não para o povo, prejudicando severamente a eficiência do estado”, diz Cláudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil.


Há no Brasil 120 milhões de pessoas vivendo exclusivamente de vencimentos recebidos da União, estados ou municípios. A legislação tributária mais injusta e confusa do mundo é o fertilizante que faz brotar uma rede de corruptos em órgãos como a Receita Federal e o INSS. A impunidade reina nos crimes contra a administração pública. Uma análise de processos por corrupção feita pela CGU mostrou que a probabilidade de um funcionário corrupto ser condenado é de menos de 5%. A possibilidade de cumprir pena de prisão é quase zero. A máquina burocrática cresce mais do que o PIB, asfixiando a livre-iniciativa. A corrupção se disfarça de desperdício e se reproduz nos labirintos da burocracia e nas insondáveis trilhas da selva tributária brasileira.

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Analistas discutem o custo da corrupção no Brasil

Corruptos e corruptores não emitem recibos, notas fiscais e gostam de usar dinheiro em espécie. É difícil calcular o custo da corrupção, mas um estudo da Fiesp, de 2010, estimou que ele fica entre R$ 50 bi a R$ 85 bi por ano. Mesmo quando não sai diretamente dos cofres públicos, lesa o Tesouro, por não pagar impostos.

No meu programa na Globonews, que pode ser visto abaixo, eu conversei sobre o impacto da corrupção na economia e na sociedade com o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, e com Gil Castello Branco, diretor-executivo do Contas Abertas.

Eles dizem que é muito difícil quantificar a corrupção por causa de sua própria natureza. Os números funcionam como referenciais, na opinião de Castello Branco, que lembra que o dado do Banco Mundial, para o mundo inteiro, fala em US$ 1 trilhão por ano, o que representa 1,6% do PIB mundial, enquanto que no caso brasileiro, se levarmos em conta o estudo da Fiesp, ficaria entre 1,3% e 1,4% do PIB.

Para se ter ideia do que isso significa, Gil explica que tudo o que foi feito no PAC 1 em termos de infraestrutura ficou em torno de R$ 50 bilhões.

Abramo acha que a pergunta mais importante que deve ser feita é o que fazer para combater a corrupção. Ele também diz que não adianta proibir o financiamento privado de campanha, porque ele acontecerá de outro jeito.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

O que buscamos?

O movimento começa com um protesto contra o aumento do preço das passagens e pede passe livre. Alguns criticam a ideia de passe livre, perguntando "quem vai pagar a conta?"
A conta já é paga por todos nós, e muito bem paga. Vemos o fruto de nosso trabalho ser sugado por impostos e taxas absurdas, mas não vemos os benefícios básicos voltando para nós.
O que vemos, em troca? Milhões e milhões sendo sugados pela corrupção. Pense nos milhões que vemos em cada manchete que fala sobre desvios de dinheiro de obras, emendas fajutas e aposentadorias milionárias. Esse dinheiro poderia pagar o transporte público.
Pense em impostos mais baixos e imagine quanto sobraria para em seu bolso.
Se a gente pudesse descontar o valor que SOME dos cofres públicos através da corrupção, quanto poderia baixar os impostos?
E se o governo parasse de gastar absurdamente com salários altos para gente que não faz nada?
E se os partidos parassem de brigar por ministérios e cabides de emprego, quanto que poderiam cair os impostos?
E se os impostos pudessem cair desse jeito, será que precisaríamos de Bolsa Família?
Com impostos mais baixos teríamos um custo de vida menor, salários mais altos, maior poder de compra e mais empregos.
A lógica é simples.
Estamos aguentando essa sem vergonhice há décadas.
Isso tem que acabar.
Precisamos virar o jogo e depois mudar o formato dessa democracia que não nos representa mais. O sistema está falido em todo o mundo.
Precisamos de leis que impeçam vagabundos de chegarem ao poder.
Precisamos de ferramentas simples para cancelar o mandato de um político. É fácil eleger, mas é praticamente impossível remover vagabundos do poder.
O Facebook guarda dados de bilhões de usuários, e é uma empresa privada. O Estado brasileiro deveria ser capaz de guardar nosso voto eletrônico e nós deveríamos ser capazes de retirar o voto de um político que elegemos. Faríamos isso quando descobríssemos algo de errado nele.
Simples. Temos condições tecnológicas para isso.
Ninguém tem direito de EXIGIR se manter em um mandato público. O mandato é do povo.
Acho que seria um bom começo para acabar com essa podridão que se instalou no Poder do Estado e não quer sair de lá.

A nossa força

Os protestos começaram com a crítica às passagens de ônibus, mas agora tem que mudar. Os protestos precisam ser voltados para a corrupção e para mudar a política brasileira. Estamos todos envolvidos nesse protesto.  Quem não paga ônibus gasta dinheiro com gasolina cara, imposto de renda cruel, imposto por tudo que é lado.
Se as prefeituras não subirem a passagem, o governo vai roubar por outro lado. Precisamos dar um basta, pois não recebemos nada em troca pelos impostos que pagamos. Vemos diariamente escândalos com políticos roubando o dinheiro dos impostos.
Somos um país riquíssimo,  mas vivemos como miseráveis por causa desses ladrões.
O povo já conhece sua força. Agora é só usar essa força!