terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Informação e apuração - verdade e mentira na imprensa/internet

O jornalista Bob Woodward tornou-se mundialmente conhecido por ter participado da investigação que revelou o Escândalo de Watergate. O caso, no qual trabalhou em parceria com o colega Carl Bernstein, provocou a renúncia do presidente Richard Nixon, no distante ano de 1974.
Woodward escreveu um livro chamado Veil, as Guerras Secretas da CIA, que aborda uma época conturbada da agência de inteligência norte-americana, no período de 1981 a 87, sob o comando de William Casey.

Em um determinado trecho, o livro narra um momento em que o então presidente Ronald Reagan pede um relatório a Casey, com informações sobre ações terroristas espalhadas pelo globo. Casey aciona uma equipe da agência para produzir o material.
Quando pronto, o relatório é avaliado por Casey e outras pessoas, antes de ser levado para Reagan.
Infelizmente, o trabalho tem que ser refeito.
Várias pessoas na sala de Casey ficam surpresas. "Qual seria o motivo?"
Parte da pesquisa havia sido baseada em clipagem de jornais europeus com matérias sobre ações de grupos extremistas.
Acontece que muitas daquelas reportagens eram invenções da própria CIA plantadas na imprensa europeia. Logo, não poderiam ser levadas em conta em uma análise séria para ser jogada na mesa de Reagan.
E o trabalho teve que ser refeito.
Detalhe interessante da história: Não havia internet na época.
Culpar a internet pela desinformação. Os desinformantes são culpados pela desinformação.
E, no final das contas, levando em consideração o exemplo acima, cobrar de simples mortais apuração sobre informações que encontram na imprensa, na internet, ou onde quer que seja, às vezes pode ser pedir demais.
(Já pensou que esse exemplo pode não ser verdade?)