quinta-feira, 31 de março de 2011

Enquanto isso, no Norte da África

As revoluções no Norte da África teriam sido articuladas através das redes sociais da internet. Tudo movido por populares.
É o que diz a mídia.
A ONU autorizou ataques às forças líbias que estão atacando civis.
Tais civis derrubaram um avião e enfrentam tanques e munições de guerra com o quê? Armas anti tanque e anti aéreas.
O Reino Unido confirmou que forças especiais (SAS) estavam na Líbia há quase dois meses, infiltradas, prontas para marcar os alvos das bombas lançadas por caças-bombardeiros da ONU. Isso se faz com homens em terra utilizando canhões laser para "iluminar" os alvos.
Eles fizeram apenas isso?
Não estão treinando os "civis"? Não estariam, junto com tropas da Delta Force à frente dos "civis"?
Kadafi está lá porque foi deixado lá há anos pelos EUA, assim como o governo deposto do Egito, do Iemen e assim vai. Antes não incomodava, não fazia parte da programação.

Todo mundo sabe que isso vai chegar no Irã.
E isso tudo arquitetado por um "Prêmio Nobel da Paz". Se não arquitetado, com a "assinatura" dele.
Mídia, mídia, mídia... por que não vemos questionamentos, nos Jornais Nacionais da vida, sobre fatos tão obscuros assim?

Eu sou gordo, mas não sou o cara mais gordo do mundo

Se eu não sou o cara mais gordo do mundo, por que eu me senti tão desconfortável em uma poltrona de avião hoje, de uma certa companhia aérea?

Quando uma companhia aérea projeta poltronas tão estreitas está externalizando um raciocínio no qual diz, claramente, que os gordos que se danem. Eles não deveriam ser gordos, de qualquer forma.
Quando as revistas, jornais, emissoras de TV e o cinema veiculam imagens de pessoas magérrimas, saradas, etc, e estão deixando claro que essas pessoas são referência, que todo mundo deveria se preocupar em ficar como elas, elas estão dizendo que GORDO é RUIM.

Temos no Brasil um contingente crescente de gordos. Não sei ao certo, mas já somos mais de 50% da população.

Se você, gordo, saiu de uma sala e entra alguém perguntando por você, fatalmente vai dizer: VIU AQUELE GORDINHO?

Por isso, certa vez, raspei o cabelo, para que dissessem: "VIU AQUELE CARECA?"
Não deu certo. passaram a dizer: VIRAM AQUELE CARECA GORDINHO?

Faço coro com negros e homossexuais que criticam o preconceito. Eu sinto isso todos os dias, todas as horas, e não apenas quando alguém manifesta um pensamento. Quem é gordo está entendendo exatamente do que estou falando.

Mas eu queria saber uma coisa sobre a lei anti-homofobia, que estão suscitando após o case do Bolsonaro. Como ela vai FUNCIONAR?

A pessoa é demitida, é multada, é criticada sobre sua inteligência, acusada de incompetência, e vai poder alegar que na verdade o preconceito era contra sua HOMOSSEXUALIDADE?
E se a pessoa não for homossexual, vai poder usar a lei ao seu favor? A pessoa vai ter que provar sua homossexualidade?
Vai ter carteirinha de homossexual?
E se a pessoa sofre com o preconceito e não quer abrir à sociedade que não é homossexual, talvez por ter um casamento heterossexual de fachada, etc? Como fica?

Eu pergunto tudo isso porque realmente acho que os gordos deveriam se defender com uma lei da mesma forma.

Ou devemos emagrecer?

Entrevistas e entrevistas

Como é que se diz sobre uma mulher que tem cabelos amarelados? Loira, certo? E sobre uma mulher que tem cabelos escuros? Morena, ok?
Não estamos falando sobre cor da pele, não é verdade? O que quer dizer que podemos chamar uma mulata de morena, em referência à cor do cabelo, correto? Errado.
Tente fazer isso e você vai ouvir críticas sobre racismo.
Diga assim: "Eu sou negro!" e isso é entendido como autoafirmação positiva de sua raça.
Diga: "Eu sou branco!" e já lascam um "fascista" em cima de você.
E se vc se diz "FEMINISTA", isso quer dizer que você milita em defesa dos seus direitos, dos direitos de toda uma categoria humana.
Diga que você é "MACHISTA", para ver o que acontece...

O "case" da entrevista do deputado Bolsonaro concedida à filha do Gilberto Gil, Preta Gil (atriz, modelo, cantora, jornalista, entrevistadora? O quê?) é uma comprovação de que você não precisa responder tudo à imprensa. Ninguém é obrigado.
Mas negar uma resposta de suas opções pessoais à imprensa (ou à Preta Gil) pode ser considerado uma espécie de "fascismo", de posicionamento autoritário, de Direita?
Não.
Dou um exemplo interessante.
O ator Keanu Reeves, no embalo do sucesso do filme "Velocidade Máxima", caiu dentro de uma espiral de fofocas. Diziam que ele havia se casado com um dos sócios da produtora DreamWorks, o David Geffen. Os repórteres não cansavam de perguntar se era verdade e ele não cansava de dizer que não iria responder.
Ele costumava dizer que se respondesse que não era gay poderia ser interpretado como alguém que nunca aceitaria a ideia de ser gay. E isso ele não queria passar adiante. Por isso, depois de ser pressionado pela sua própria produtora para se posicionar, ele disse:
"Não sou gay, mas quem sabe?"

Bolsonaro perdeu a chance de responder a pergunta com outra pergunta:
"VOCÊ veria problema em ver seu filho namorando com uma BRANCA?"
Se a Preta Gil respondesse "NÃO", ele poderia dizer: "Então você está dizendo que você PREFERE que ele namore com uma BRANCA?"

Estamos vivendo numa época muito chata sob a ditadura do "POLITICAMENTE CORRETO", e existem umas categorias humanas que estão em desvantagem nesse jogo.
Vejamos o caso do diretor do Burger King, Bernardo Hees, quando em uma palestra nos EUA disse, em tom de brincadeira, que a comida britânica é terrível e as mulheres de lá não são muito atraentes. Ele foi pressionado para pedir desculpas.
Mas pedir desculpas por quê? As mulheres britânicas são atraentes? Todas?
Que chamassem o cara de "FEIO" para retribuir o gracejo, mas não. O buraco foi mais embaixo.
Agora eu pergunto, do que estão chamando os brasileiros quando, nas competições de TODAS as Copas do Mundo, começam a fazer comparações entre a beleza dos jogadores de vários países?
Quem nunca viu esses comentários, endeusando italianos, franceses, etc, e deixando os brasileiros na "lanterninha" de beleza?
O que nós, homens brasileiros, deveríamos fazer disso tudo?
Ora, fazemos sempre a mesma coisa, encarar com bom humor.


(Atenção aos comentários aqui embaixo e no twitter. texto raso, não comentou a escravidão, etc. Cada um interpreta realmente do jeito que quer, por isso enalteci a posição do Keanu Reeves. Tem gente que captou racismo e machismo aqui, por incrível que pareça....)

sábado, 26 de março de 2011

Estratagema Obama

Pode ser uma grande coincidência que o povo no mundo árabe tenha, de repente, decidido Se insurgir contra seus líderes. Interessante a postura dos EUA, cedendo no Egito, em toda uma região onde há décadas faz questão de fincar suas garras. É interessante como a Comunidade internacional se sente à vontade para legitimar as ações contra Kadafi e, aposto, vai se sentir bastante à vontade apoiando movimentos idênticos no Irã.

Não julgo que seja reprovável remover à força do poder um ditador como Kadafi. Ele já teve tempo suficiente para fazer sua resistência ao capitalismo imperialista, etc e tal. E teve tempo bastante para enriquecer às custas da pobreza do povo Líbio. Ah. Isso com certeza.

O velho Cauby Líbio poderia ter a decência de sair do governo já, poupando o mundo demais um banho de sangue. Porque independente de qualquer coisa, um governo fantoche vai tomar o poder. Toda a estratégia norte-americana está bastante clara. A idéia é fazer com que a tomada do poder naquele canto do mundo ganhe um certo ar de legitimidade, deixando para o passado a estratégia de guerras e invasões no melhor estilo Bush.

Mas a verdade é que apesar de Obama ter topado essa artimanha, capaz de concretizar o sonho americano de dominar a rota da seda com menos derramamento de sangue, isso não passa, no final das contas, do objetivo de sempre: roubar. Tomar à força.

Obama, no final das contas, faz o mesmo que Bush fez. No entanto, com uma desfaçatez maior. Cara de Pau mesmo. Posando de cordeiro, com alma de lobo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Tecnopatia, um novo "mal" ou uma simples adaptação aos tempos modernos?



Descobri, da boca de uma menina de nove anos, o sentido da palavra tecnopata. E descobri da maneira mais dura: sendo chamado de tecnopata. O motivo foi simples, estava explicando o que era “atualizar o sistema operacional de um smartphone”.
Isso lá é coisa para explicar para uma criança de nove anos? Acho que é. Hoje em dia há sistema operacional (SO) em quase tudo que vemos por aí. Em relógios, batedeiras, processadores de alimentos, computadores de mesa, portáteis, PDAs, smartphones, telefones de PABX, celulares e sei lá mais o quê. Praticamente tudo que faz mais do que começar a girar ao ser ligado e parar depois de desligado tem um SO. Carros têm SO, aviões também.
Um dos SO mais populares dentro da indústria, mas não perante o público, é chamado TRON. Quase ninguém vê TRON por aí funcionando, ninguém compra ou baixa programas para ele, mas esse SO faz funcionar uma infinidade de aparelhos. Foi criado pelo engenheiro japonês Ken Sakamura e roda em muito mais aparelhos que o Windows e o Mac OS juntos. Sakamura não ficou rico, pois criou o código do SO e o deixou livre, aberto, como o Linux.
Saber que existe um sistema operacional, e o que ele faz, e mais ou menos o que ele é, praticamente significa a mesma coisa para um ser humano, hoje, como foi para o homem da antiguidade descobrir o motivo da chuva. Sim, seu smartphone não é uma peça com poderes mágicos.
Nos anos 80, no princípio da microinformática, as pessoas compravam computadores que chegavam às suas mãos com o SO cru, sem interfaces gráficas amigáveis como o Windows. Era uma tela escura ou branca com um tracinho piscando, esperando que alguém fizesse alguma coisa. O Windows não é diferente, mas dá uma grande impressão de que está fazendo alguma coisa, e deve estar mesmo, pois demora quase dois minutos para ligar.
Não ser ignorante em informática, hoje, é quase tão importante quanto saber trocar um pneu, saber que não existe a “rebimboca da parafuseta” e ter total noção de que um carro precisa de gasolina para andar. Os computadores fazem parte de nossa vida e são ferramentas. Conhecer pelo menos 50% do que seu tablet, smartphone ou desktop pode fazer é o mesmo que ganhar tempo ou ir mais longe em suas potencialidades. Quem não se lembra da alegria ao descobrir a “mágica” do CTRL C e CTRL V?
Saber como funciona essa coisa de plástico e areia (dos chips e do vidro do display) que está carregando no bolso não deveria ser motivo de chamar ninguém de tecnopata. A não ser que a pessoa passe horas e horas fuçando no Google sobre como hackear seus aparelhos, baixando novidades, perdendo um tempo incrível com isso... Conhece alguém assim?


Robinson Pereira é jornalista e tecnopata

Tablet é computador ou não?




O governo federal quer qualificar os tablets como notebook, para poder reduzir seus preços. Isso é uma iniciativa muito louvável, pois estimula a economia, a comunicação, a educação e o próprio desenvolvimento da sociedade, enfim. A única dúvida é o motivo da dificuldade de encarar o tablet como um equipamento de informática como um desktop ou um notebook.
Os especialistas do governo que estão fazendo essa avaliação devem levar em conta que um tablet é um aparelho com os seguintes itens: memória, uma central de processamento, uma unidade de output (saída de dados) e uma unidade de input (entrada de dados). A questão é que diferentemente dos computadores tradicionais, a mesma peça física que faz o output é a que faz o input. Ou seja, a tela.
Mas isso não é novo. Um dos primeiros tablets da história foi o Apple Messagepad Newton, criado pela mesma Apple que deu à luz ao iPad, que o mundo consagrou como primeiro tablet (de novo). Parece um surto coletivo de amnésia, pois tablets já existiam há alguns anos, rodando o próprio Windows XP Tablet Edition que contemplavam a mesma facilidade de output e input pelo mesmo lugar (a tela).
Antes disso, vimos uma enxurrada de palmtops e PDAs e handhelds, todos sempre com telas sensíveis ao toque de uma canetinha, permitindo processamento, armazenagem de dados e outras funções. O avanço tecnológico permitiu a tal convergência de funções e vocações, criando a explosão de aparelhos que unem computador, celular, televisão, rádio e futuramente máquina de lavar roupas. Mas nenhum deles, no final das contas, deixou de ser um computador.
Nos anos 80 a Hewllet Packard lançou uma calculadora programável bastante avançada para a época, que até hoje é capaz de dar no couro em qualquer aula de engenharia. Ela se chamava HP41CV e foi até mesmo adotada como item fundamental nos vôos da Nasa depois do acidente da Apolo XI, quando os astronautas ficaram sem computador e tiveram que fazer cálculos complexos de cabeça. Um passeio pelo Google mostrará que não são poucos aqueles que se referem à boa e velha HP41CV como primeiro computador de mão.
Em resumo, a discussão se tablet é computador ou não é uma bobagem. O fato de rodar um sistema operacional que seja diferente de um Windows, OS2, Unix ou outra coisa que o valha não afasta esses aparelhos da vocação de lidar com processamento de dados, com entrada e saída dos mesmos, assim como seu armazenamento. São computadores, assim como o meu e o seu smartphone. São computadores também as calculadoras programáveis como TI89 e HP50G que custam quase R$ 1 mil, um preço impeditivo que coloca os nossos estudantes sempre em pé de desigualdade com relação aos estudantes americanos, europeus, japoneses, chineses ou australianos. Elas também deveriam custar bem mais barato.
Enquanto discutem o sexo dos anjos (sim, pensar se tablet é computador ou não é sexo dos anjos) o mercado cresce menos do que poderia crescer e ficamos atrás em termos de comunicação e mobilidade de dados, tratando tudo isso como se fosse supérfluo, coisa de gente esnobe que tem dinheiro sobrando para gastar com um brinquedo caro.
O que faz pensar: por que será que a maioria dos iphones que a gente vê por aí tocam Marimba quando recebem uma chamada?

Robinson Pereira é jornalista e tecnopata

Longo e tenebroso inverno

Depois de um longo e tenebroso inverno volto a postar umas coisas aqui. Estava num surto tecnológico que não acabou. Me chamaram de tecnopata, viciado em tecnologia, nerd e etc.
Depois de chorar compulsivamente juntei coragem e disse: não tô nem aí para a opinião dos outros e comecei a escrever artigos sobre tecnologia. Poderia chamar de Minhas Loucas Aventuras entre Bits e Bytes. Mas será que vou chamar assim?