terça-feira, 1 de março de 2011

Tecnopatia, um novo "mal" ou uma simples adaptação aos tempos modernos?



Descobri, da boca de uma menina de nove anos, o sentido da palavra tecnopata. E descobri da maneira mais dura: sendo chamado de tecnopata. O motivo foi simples, estava explicando o que era “atualizar o sistema operacional de um smartphone”.
Isso lá é coisa para explicar para uma criança de nove anos? Acho que é. Hoje em dia há sistema operacional (SO) em quase tudo que vemos por aí. Em relógios, batedeiras, processadores de alimentos, computadores de mesa, portáteis, PDAs, smartphones, telefones de PABX, celulares e sei lá mais o quê. Praticamente tudo que faz mais do que começar a girar ao ser ligado e parar depois de desligado tem um SO. Carros têm SO, aviões também.
Um dos SO mais populares dentro da indústria, mas não perante o público, é chamado TRON. Quase ninguém vê TRON por aí funcionando, ninguém compra ou baixa programas para ele, mas esse SO faz funcionar uma infinidade de aparelhos. Foi criado pelo engenheiro japonês Ken Sakamura e roda em muito mais aparelhos que o Windows e o Mac OS juntos. Sakamura não ficou rico, pois criou o código do SO e o deixou livre, aberto, como o Linux.
Saber que existe um sistema operacional, e o que ele faz, e mais ou menos o que ele é, praticamente significa a mesma coisa para um ser humano, hoje, como foi para o homem da antiguidade descobrir o motivo da chuva. Sim, seu smartphone não é uma peça com poderes mágicos.
Nos anos 80, no princípio da microinformática, as pessoas compravam computadores que chegavam às suas mãos com o SO cru, sem interfaces gráficas amigáveis como o Windows. Era uma tela escura ou branca com um tracinho piscando, esperando que alguém fizesse alguma coisa. O Windows não é diferente, mas dá uma grande impressão de que está fazendo alguma coisa, e deve estar mesmo, pois demora quase dois minutos para ligar.
Não ser ignorante em informática, hoje, é quase tão importante quanto saber trocar um pneu, saber que não existe a “rebimboca da parafuseta” e ter total noção de que um carro precisa de gasolina para andar. Os computadores fazem parte de nossa vida e são ferramentas. Conhecer pelo menos 50% do que seu tablet, smartphone ou desktop pode fazer é o mesmo que ganhar tempo ou ir mais longe em suas potencialidades. Quem não se lembra da alegria ao descobrir a “mágica” do CTRL C e CTRL V?
Saber como funciona essa coisa de plástico e areia (dos chips e do vidro do display) que está carregando no bolso não deveria ser motivo de chamar ninguém de tecnopata. A não ser que a pessoa passe horas e horas fuçando no Google sobre como hackear seus aparelhos, baixando novidades, perdendo um tempo incrível com isso... Conhece alguém assim?


Robinson Pereira é jornalista e tecnopata