terça-feira, 12 de abril de 2011

Bode expiatório

A sociedade parece não querer aceitar a sua culpa no caso da matança em Realengo. Resolveram colocar a culpa apenas no Wellington e nas armas. Os dois são os culpados.
Como se fosse possível culpar doentes mentais. Se eles pudessem escolher algo, escolheriam pela sanidade e teríamos hospícios vazios no Brasil.
Querem pôr a culpa nas armas que são vendidas nas lojas, porque essas são fáceis de controlar.

Com isso, com esse bode expiatório composto, a sociedade coloca a cabeça no travesseiro e fica na torcida para que não ocorra outra matança como a de Realengo. E isso não é tão difícil, porque é um ato raro.

Mas não podemos esquecer que o Brasil, em 10 anos, teve 500.000 homicídios registrados há poucos anos. Quase 200 homicídios por dia.

Se esse número caiu ou não, não sei. Só sei que mesmo que sejam hoje APENAS 100 homicídios por dia, é coisa demais.

E as pessoas que continuam se matando são as mesmas, na grande maioria: acertos de conta, brigas entre bandidos, vítimas de latrocínios e - em menor parte - crimes passionais e outros.

Diante disso, continuamos colocando a cabeça no travesseiro e dormindo em paz, pois a imprensa já nos tutela nesse sentido, negando-se a gastar espaço com chacinas que tenham menos mortes do que a última que foi publicada....

E assim a nave vai, com a sociedade desligando-se sempre e sempre da responsabilidade, encontrando placebos e medidas paliativas que funcionam tanto quanto pente em careca.

Por que o desarmamento é uma bobagem

Uma lei de desarmamento é uma bobagem porque é algo para inglês ver. É uma medida populista para ser tomada como satisfação em um momento de tensão nacional.
As armas nas mãos das ditas pessoas de bem seriam uma preocupação porque PODEM CORRER o risco de serem roubadas. Mas não são todas as armas legais que são roubadas. Talvez seja uma pequena parte.
Ou seja, vamos fazer uma lei de desarmamento por causa de uma exceção.

Mas digamos que a lei seja necessária e útil. Vamos recolher todas as armas registradas do país para que elas não possam ser roubadas por bandidos para serem usadas depois pelos próprios bandidos.
Isso vai significar que os criminosos sofrerão um duro golpe e precisarão comprar armas de outros "fornecedores".
Tais fornecedores vão se negar a vender armas ao crime organizado?
Ora bolas, eles já fazem isso. O que vai acontecer é que simplesmente esse mercado vai engrossar, os lucros vão aumentar para os mercadores de armas.
O mercado negro e o mundo do crime continuarão contando com armas.
Será assim mais fácil recolher armas dos criminosos? Não vejo motivo para surgir tal facilidade. Muito pelo contrário.
Os criminosos vão continuar comprando armas contrabandeadas e nem vão sentir falta da "grande fonte de armas", que é o cidadão comum... Que papagaiada.

Agora, se o governo quiser colocar em prática a lei que já existe, impedindo o comércio ilegal de armas e retirando as armas das mãos de bandidos, e também fechando as nossas fronteiras para esse comércio, fatalmente loucos como o matador de Realengo terão menos opções.
Mas mesmo assim poderão usar facas, botijões de gás e outras coisas que matam.

Esse tipo de raciocínio obtuso de nossas autoridades lembra uma conversa que ouvi, certo dia, em um aeroporto, quando duas senhoras faziam comentários sobre terrorismo:
- Terrorismo aqui no Brasil não tem como existir. Homem bomba aqui no Brasil não duraria muito...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Imaginação e justificativa

Falo aqui como romancista, não como psicólogo, que não sou.
O rapaz de Realengo deixou diversos escritos que recordam os tais escritos ACHADOS que fundamentaram muitos romances que tinham, como função, dar a impressão de que eram relatos reais.
Na verdade, tais relatos não tinham a função de nos fazer crer naquilo que eles contém, mas sim de fazer o próprio atirador transtornado crer em sua fantasia.
Isolado, acuado, injustiçado dentro de sua cabeça e sua existência, passou a viver nos limites entre o mundo real e seus mundos fantásticos.
Escrevia o que imaginava para poder fundamentar, em sua própria cabeça, a sua realidade. No caso, a sua justificativa.
É óbvio que o matador de Realengo passou anos pensando se buscaria ou não sua "vingança". Pode ter passado anos, desde a infância até o início da vida adulta. Pode ter pensado em tudo aquilo quando garoto, mas não tinha as ferramentas.
Tão pouco tinha uma justificativa que pudesse romper com as últimas barreiras de sanidade que sua mente poderia ter.
Daí construir um personagem e toda uma realidade. Uma realidade complexa como de um roteiro de espionagem.
Ele precisava disso para que ele próprio pudesse acreditar nisso quando não estivesse vivendo em um de seus surtos psicóticos. Com a escritura e a leitura, e a re-leitura, ele passava cada vez menos a depender de tais surtos para sentir que tinha motivação suficiente para agir.
Até o dia que o personagem suplantou o verdadeiro eu e tomou a atitude que para si estava mais que justificada por toda uma "instituição" terrorista da qual faria parte.
Uma instituição criada para que ele próprio pudesse atingir seus objetivos.
A vingança.
Quantas pessoas podem estar vivendo isso, assim, neste exato momento?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Impressionado

Eu estou impressionado. No ano passado, quando vi as reportagens falando sobre os ataques na China em escolas, com crianças mortas a facadas, dezenas delas em dois meses, eu fiquei muito impressionado.
Hoje estou mais.
Com a tragédia de Realengo logo apareceram pessoas debochando do referendo das armas, dizendo que quem votou NÃO deveria estar satisfeito com a chacina em Realengo.
Os comentários eram irônicos, mas eram burros.
Como eu disse, no ano passado, 50 crianças foram mortas a facadas em ataques semelhantes a esse que ocorreu no Brasil.

Acontece que a China tem um controle absurdo sobre armas de fogo. Os desequilibrados, querendo matar, não encontrando pistolas, usaram facas.

Isso é o tipo de coisa que pode ocorrer aqui caso coloquemos o foco no ponto errado.

As armas não atiram sozinhas.

Temos que criar meios de localizar, detectar, entender essas pessoas, como esse de Realengo, como em Columbine e outros, para tratá-los antes que comecem a atirar.... Ou antes que comecem a esfaquear.

Um dos ataques na China, à faca, rendeu mais mortos que na tragédia de Realengo.
E tem gente aqui respondendo para mim que isso é bobagem...

Se UMA criança morrer numa situação como essa já é tragédia!!!!!
Quem vai dizer aos pais que UMA CRIANÇA APENAS é algo aceitável?

Por favor, né?

Mais uma presepada da mídia

A Folha de São Paulo publicou uma lista de ataques em escolas. Não citou 50 mortes na China, em 2010, em alguns ataques à faca.

O desarmamento não vai impedir que coisas assim aconteçam. Basta ver o exemplo de fatos que ocorreram na China no link ao lado: http://migre.me/4cxGk

Não sou contra o desarmamento. Deve ser total, inclusive impedir entrada de armas ilegais no país.

Mas fatos como esse na China mostram que não vai adiantar para eliminar esse problema.
A questão é que pessoas desequilibradas existem e o nosso sistema educacional e nosso modelo individualista de vida não permite ENXERGAR as pessoas ao nosso lado.

Então, mesmo sem armas de fogo, um cara vai pirar e pegar uma faca e sair matando, como aconteceu várias vezes na China e pode ser conferido na matéria.

Estamos falando de gente desquilibrada com vontade de matar. Não vai ser uma lei que vai impedir.

Não sei por que tem gente que sente medo apenas de um lunático com uma arma de fogo na mão. Um lunático com uma faca, com uma garrafa de gasolina e uma barra de sabão na mão, com uma bomba caseira feita com 10 "cabeças de nego", faz estrago talvez até maior.

Dia do Jornalista

O piso salarial não é o maior problema da profissão. O maior problema é querer ver isso como teto salarial.
Os sindicatos e a Fenaj deveriam batalhar hoje por um plano de cargos e salários nacional, com indexação de porcentagens do piso para cargos acima de repórter.
Isso porque é muito comum, há um bom tempo, as empresas promoverem o repórter, com 3 meses de redação, para o cargo de editor. Pagam R$ 100 a mais e deixam de pagar horas extras.
E para isso alegal que cargo de editor (NÃO ESTOU FALANDO EDITOR-CHEFE) é cargo de confiança.

Acho que essa seria a luta correta da categoria.
Repórter C ganha o piso
Repórter B ganha 1,5 piso
Repórter A ganha 2 pisos
E assim vai....

Batalhar hoje por um piso maior e ponto final só vai manter essa política absurda empreendida por algumas grandes empresas...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estatística sem sexo

500 mil pessoas foram assassinadas no Brasil ao longo de uma década.

50.000 em um ano.

52 mil americanos foram mortos em quase 10 anos de guerra no Vietnã

Em alguns anos na última guerra do Iraque (e que não acabou), 600 mil iraquianos foram mortos.

Morre muita gente no Brasil.

Muitos homicídios.

Quase 140 mortes por dia. Isso pode ter variado para cima ou para baixo.

Segundo relatório recente, a cada um dia e meio morre um homossexual no Brasil.

Um, para 209 de um total para um dia e meio.

Em um dia e meio morrem 210 pessoas, homens, mulheres, crianças, negros, pardos, orientais, brancos, idosos ou seja lá o que for.

210 pessoas morrem a cada dia e meio no Brasil.

Eu não me incomodo se uma pessoa desse total é homossexual.

EU ME INCOMODO COM O NÚMERO TOTAL.

Gente que morre por causa de uma violência urbana que é fomentada pela corrupção, pela falta de emprego, falta de educação e muitos outros crimes que são cometidos contra a população.

Só que a mídia nesse exato momento quer enxergar apenas 1 homicídio a cada um dia e meio.

Não consigo enxergar lógica nisso.

Não mesmo.