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sábado, 27 de novembro de 2010

Rendição?

A coisa está ficando meio estranha. Os traficantes estão esperando o que para se render? Será que estão esperando o anoitecer para fugir, executar uma nova ofensiva? A verdade é que os tiroteios continuam e o combate não tem indício real de que vai chegar ao final.
As forças do Estado devem manter o cerco, equipar o pessoal com óculos de visão noturna, contar com sinalizadores, helicópteros com holofotes e ficar na torcida. À noite qualquer combate se torna imprevisível, ainda mais pelo fato de que os traficantes conhecem o terreno.
Será que o pessoal das forças do Estado estão contando com imagens aéreas em tempo real? Isso seria fundamental para evitar que essa situação entre na noite e se torne incontrolável.

Próximos passos

Sim, como disse o deputado estadual Marcelo Freixo é preciso evitar um banho de sangue. As polícias e as forças armadas devem ficar com a cabeça no lugar. Os líderes do tráfico devem estar maquinando meios de usar isso de forma positiva, e isso somente acontecerá se alguém atrapalhar a negociação e rolar mesmo o tal banho de sangue. Assim o Estado se complica de vez.
Esperamos que isso não aconteça.
Mas o que vem depois?
Prisão, transferência de presos, assim como transferência de POLICIAIS.
O pessoal da banda podre tem que ir para outras cidades, outros estados. Os esquemas da polícia deve ser desarticulado, e isso deve ser cíclico.
As forças armadas e a polícia federal devem intensificar o controle da entrada de drogas, armas e munição. O crime organizado deve ser sufocado, enfraquecido, para que os verdadeiros líderes comecem a sofrer onde mais dói: em suas contas bancárias.
A Abin deve ser convocada para atuar no trabalho de inteligência, que deve integrar quatro esferas: PM, FAs, PF e Abin, para que um controle o outro - evitar esquemas e corrupção é fundamental.

O resultado disso deve ser as prisões dos capi di capi, os capos dos capos, os chefes dos chefes. Vai ter queima de arquivo, vai morrer muito mais gente que nos últimos dias, mas o Brasil precisa de uma operação no estilo "Mãos Limpas". E a hora é essa.

Cabeça no lugar

Agora é hora de ficar com a cabeça no lugar. Não existe esse papo de "não fazer prisioneiros". Até em guerra existe o respeito pelo prisioneiro.
A polícia precisa ficar tranquila e, com o apoio das forças armadas, realizar a prisão e o desmantelamento da estrutura do crime organizado. Isso é a ponta do iceberg. É hora também de manter todos os grampos possíveis e imagináveis em andamento.
Esse momento pode ser histórico para a sociedade carioca e brasileira, mas pode ser um fiasco caso alguém faça uma bobagem. Afinal de contas, imaginem a quantidade de dedos no gatilho que existem no Complexo do Alemão nesse exato momento...

Veja neste blog mais comentários sobre a situação, que caminhos o Estado deve tomar e a influência de Tropa de Elite 2 na situação atual

Podemos acreditar que temos heróis?

Tropa de Elite mudou a forma do Rio e do Brasil ver isso tudo http://migre.me/2wBZj

Realmente. Como citei no post cujo link está aqui em cima, Tropa de Elite 2, principalmente, mudou a forma do Rio e do Brasil verem essa situação que está acontecendo em terras cariocas.
Estamos mais abertos a perceber que existem homens honestos combatendo o crime. Existem inúmeros comandantes Nascimento ocultados pela má fama da banda podre.
Podemos aceitar, hoje, que cada homem, policial, fuzileiro, paraquedista, soldado, que está enfrentando os criminosos armados até os dentes, avançando em regiões onde os tiroteios estão rolando solto, cada um deles tem um incrível potencial para ser considerado herói - basta que terminem essa ação sem manchar suas reputações.

Precisamos dessa confiança para que eles próprios se sintam estimulados e valorizados e consigam com isso fazer algo que preste para tirar o Brasil das mãos de criminosos.
Temos que começar no Rio e depois ir para São Paulo retirar o Estado das mãos do PCC.


Legalização já? Como?

O músico Marcelo D2 comentou que já havia cantado a pedra sobre a guerra civil que estava prestes a explodir no Rio de Janeiro. Bem, ele e mais quantos?

A situação já era esperada e é, como o José Padilha, diretor de Tropa de Elite 1 e 2 disse, é resultado de uma ausência de uma política de segurança pública.

Agora, no meio do fogo cruzado, alguns dizem que a saída é a liberação das drogas. Mas será mesmo?

Autoridades de segurança em vários pontos do planeta concordam com isso. Sai mais caro tentar reprimir o tráfico do que liberar e tentar fazer uma política de redução de danos. Isso porque, legalizada, a droga vai render impostos. Será?

Temos nesse ponto dois problemas. Assim como existe DVD pirata, cd pirata, remédio pirata e cigarro pirata, vai haver droga pirata no mercado. O estado vai gastar para conter mais esse negócio sujo.

O outro problema é que parte do crime organizado, ao ver caírem os lucros das drogas, partirá para outra atividade criminosa, que vai requerer, também, o combate por parte do estado.

Daí teremos 3 problemas:

- as drogas piratas, que não recolhem imposto;

- o combate a outras modalidades de crime, como seqüestros e assaltos a bancos;

- o aumento do consumo de drogas, gerando “crackolândias” em praticamente todas as cidades do país.

Daí eu pergunto: vale a pena liberar a droga?

Vale do ponto de vista do consumidor, que vai tirar um peso da consciência. De resto, só tende a piorar, com o aumento da oferta, a facilidade de compra e o aumento do consumo. Piora também porque reforça duas outras modalidades de crimes.

No entanto, a liberação das drogas contempla o aspecto da liberdade das pessoas, e isso é positivo.

Mas se a pergunta é liberar já, a resposta só pode ser não. É preciso enfraquecer o crime, debelar as quadrilhas de traficantes, prender os grandes barões da droga no Brasil, mudar conceitos, aumentar o IDH. Só isso...

veja neste blog mais artigos sobre a crise no Rio textosecreto.blogspot.com

Salário e treinamento

Bom ver na Folha que o governo do Rio de Janeiro quer aumentar em 70% o salário dos policiais. Isso é muito bom. Mas não podemos esquecer que apenas salário não basta. Ninguém deveria optar pela carreira de policial por causa do salário, e sabemos que tem gente querendo vestir uma farda para não morrer de fome.
O treinamento de um PM dura menos de um ano, na maioria dos Estados. De um policial civil, menos ainda. O treinamento de um oficial da PM é de 4 anos, se não me falha a memória. Mais ou menos como acontece nas forças armadas. (tenho que verificar se é assim em todos os Estados)
Mas tem uma diferença. Na polícia os cabos e soldados saem por aí sozinhos, em ações isoladas e lidam com uma realidade de combate e de situações inusitadas constantemente. Não é como nas forças armadas, quando em uma guerra os militares agem praticamente como ferramentas em conjunto.
Ou seja, o treinamento do PM deve ser maior do que é, mais complexo, e deve durar mais.
Como vimos em Tropa de Elite, no primeiro filme, o treinamento do Bope é duro. Um policial morreu este ano. Na Academia Militar das Agulhas Negras, onde são formados oficiais do Exército, era muito comum morrer gente lá. Ossos do ofício, quando vc está lidando com granadas, munição, carros de combate, etc.
Com um treinamento mais duro, mais condicionador, fica apenas quem tem vocação mesmo, quem quer ser policial na MARRA. Forma-se uma ideologia positiva.
Apesar das críticas que ouvi nos últimos dias devido a meus posts, não tenho receio de dizer que o ideal desse treinamento deveria ser formar policiais que se considerassem realmente acima da população civil. Que pensassem e agissem dessa forma:

- sou mais corajoso que os civis;
- sou mais responsável que os civis;
- sou mais honesto que os civis;
- tenho a obrigação de defender os civis indefesos.

Quando o policial não pensa assim, o que acontece? O que acontece com o policial que não se considera mais honesto que os civis, e que realmente age assim?

É óbvio que a situação é limítrofe e relativa. O policial pode ser corrupto, mas se considerar mais honesto que os civis, que ele julga serem todos corruptos, que pagam propina a guardas, pagam propinas a fiscais, que pedem para superfaturar nota de almoço para entregar na empresa, etc.

Desta forma, o treinamento, para ficar mais claro, deve gerar pensamentos como:

- tenho a obrigação de ser mais corajoso que os civis;
- tenho a obrigação de ser mais responsável que os civis;
- tenho a obrigação de ser mais honesto que os civis;
- tenho a obrigação de defender os civis indefesos.

Além disso, tem toda a qualificação técnica, que não acaba nunca, mas que parte dela deveria ser básica e não é. Por isso tantos policiais correm atrás de realizar cursos do CATI e outros, pagando geralmente do próprio bolso.

VEJA NESTE BLOG OUTROS ARTIGOS SOBRE A SITUAÇÃO NO RIO

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Explicando melhor

O blog oficial da Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS) postou durante algumas horas hoje um de meus artigos aqui do blog texto_secreto. Deu uma baita confusão. Muita gente parece não ter entendido o meu estilo seco de escrever. O post em questão foi "A Grande Discussão" e um trecho em especial causou furor entre os frequentadores daquele blog:

"Os eventos recentes no Rio de Janeiro vão, provavelmente, levantar muita discussão. Um dos motivos é óbvio: a questão dos direitos humanos. Depois que o ímpeto dos soldados do tráfico diminuir, quando eles perceberem que perderam a "parada”, vão levantar as mãos, jogar as armas no chão e posarão de vítimas. Os policiais, ainda sob o forte efeito do estresse do combate, vão descer a lenha. Ativistas dos direitos humanos vão lascar a ripa em cima dos policiais e perderemos a chance de dar um forte baque no crime organizado."

Teve gente que achou que eu estava defendendo o extermínio de traficantes no Rio de Janeiro. Não é verdade. O texto é direto, narrando eventos que "deverão" acontecer, independentemente da vontade de qualquer um.

Mas acho que cabe uma explicação sobre o trecho "perderemos a chance de dar um forte baque no crime organizado"

Não estou dizendo que o baque será o extermínio, mais uma vez. O que disse é que a partir do momento em que ativistas, imprensa e sei lá mais quem cair de pau em cima das forças do Estado por causa dessas mortes a ação perderá força, será desvirtuada, como já aconteceu outras vezes. Por isso citei que "Ativistas dos direitos humanos vão lascar a ripa em cima dos policiais". Ou alguém imaginou que eu disse que os ativistas exterminariam os policiais?

Opinião todo mundo tem, mas acho que é uma questão de lógica julgar que essa ação, nesse momento, precisa ser executada com a força necessária para sustar o poderio dos traficantes, e seguir adiante com a intensidade suficiente para desestimular de uma vez por todas a adesão ao tráfico. E ainda mais, como disse em outro post: sufocar o crime organizado para que ele, na tentativa de conseguir "mais ar", acabe colocando a cabeça para fora.

Isso seria exatamente o ato dos "mandantes" verdadeiros acabarem se expondo, porque está claro, há muito tempo, que os chefões do crime organizado no Brasil não estão nos morros cariocas. Até mesmo porque o crime organizado no Brasil não se resume ao tráfico de drogas no Rio.

Mas a verdade é que seja no Brasil, na França ou nos Estados Unidos, os grandes chefões do crime organizado estão muito bem blindados. Não é fácil levantar provas e muito menos condenar. Mas uma coisa é verdade: quando são presos, geralmente não recebem a polícia à bala. Vide o caso da prisão do Daniel Dantas, não é verdade?

Espero que as coisas fiquem mais claras assim.

Hipocrisia

Vejo muita gente comentando hoje que é possível resolver a situação atual do Rio de Janeiro com UPP, projetos de cidadania e muita conversa tranquila com traficantes armados com lança-foguetes. Essas pessoas estão um pouco enganadas. O momento é outro. O momento é de reafirmar o controle do Estado. Ou melhor, do Estado finalmente tomar o controle da situação.
O momento de ações de cidadania já passou, mas vai voltar. É uma interrupção.
Mas tem uma coisa: quando voltar não é para ensinar macramê para garoto pobre. Não é para botar na cabeça de todo menino e menina pobre que é legal pacas saber jogar capoeira e tocar timbal. É, porque tem muito trabalho de cidadania que acha que pobre é retardado e tem que viver de brisa e ter consciência social.
Quem precisa aprender a tocar timbal, jogar capoeira e ter consciência social é filho de rico, é o cara que vai herdar a empresa com 5 mil funcionários, para não querer pagar salário de fome.
Sim, porque não é apenas o consumidor de drogas, o aviãozinho e a polícia que sustentam o crime organizado. O capital opressor contribui muito com seus salários de fome. Como ouvi dia desses:
"Salário mínimo no Brasil é pouco para quem ganha, mas muito para quem paga"
Uma bestialidade.

Então o que estou querendo dizer aqui é que tem o momento certo para tudo. E o momento agora é de impedir que a bandidagem faça o que quiser com a cidade. Se algum ativista de direitos humanos vai fazer isso com uma flor na mão, uma salva de palmas para ele.
O problema é que enquanto esse cara não aparece o tiro vai continuar rolando solto!

Matar ou prender?

É óbvio que o objetivo é prender, mas é impossível que as forças do Estado fiquem de braços cruzados enquanto os criminosos descarregam toneladas de munição para todos os lados. Nesse momento é usada a força considerada necessária para neutralizar a violência. Pessoas morrem em ações assim? Com certeza. Afinal de contas, eles não querem ceder.
Ocorre também, como citei antes, os casos nos quais policiais, após um tremendo estresse, acabam descarregando a fúria em marginais que já largaram as armas. Há solução para isso? Infelizmente, não. Somos humanos e o calor do combate é um lugar bem diferente dos plenários onde CPIs vão criticar a ação de policiais que cederam à tensão.
Se sou a favor de sair matando? NÃO SOU. Mas é preciso deixar de lado a hipocrisia de quem diz que "sempre há um jeito de fazer a ação sem violência". Essas pessoas geralmente só chegam depois, nos plenários e entrevistas. Elas não andam no meio da rua como alvos fáceis em meio ao tiroteio. As fotos das ações das polícias Civil, Militar e Federal mostram homens de grande coragem. Um fuzil na mão não apara bala que vem em sua direção.

Em resumo: não se faz omelete sem quebrar ovos e a situação deve piorar muito antes de melhorar. E se melhorar rápido, se na semana que vem tudo estiver bem, aí sim que a coisa ficou preta, pois vai continuar o problema de sempre.

VEJA NESTE BLOG OUTROS POSTS SOBRE A SITUAÇÃO DO RIO, O TROPA DE ELITE 2 E MEUS LIVROS

A grande discussão

Os eventos recentes no Rio de Janeiro vão, provavelmente, levantar muita discussão. Um dos motivos é óbvio: a questão dos direitos humanos. Depois que o ímpeto dos soldados do tráfico diminuir, quando eles perceberem que perderam a "parada”, vão levantar as mãos, jogar as armas no chão e posarão de vítimas. Os policiais, ainda sob o forte efeito do estresse do combate, vão descer a lenha. Ativistas dos direitos humanos vão lascar a ripa em cima dos policiais e perderemos a chance de dar um forte baque no crime organizado.

É bom imaginar que o estresse de combate é algo inevitável. Não há treinamento que impeça um combatente de sentir medo de morrer, que não deixe uma pessoa furiosa com outra que está disparando um pente de 40 balas em sua direção. Depois de passar minutos, horas, dias sem saber o que vai acontecer no próximo minuto, qualquer combatente fica muito p... da vida com os caras que estão do outro lado.

Foi preciso que duas obras de ficção conseguissem emocionar o país para que hoje comece a se tornar senso comum que o consumidor de drogas é o responsável por colocar um AR 15 na mão de bandido. O bom senso e a lógica nunca funcionaram tão bem quanto a exibição de dois filmes policiais. A verdade é que o ser humano assimila melhor informações quando está emocionado. Os gregos sabiam disso desde a Antiguidade e os professores de cursinhos também.

Uma outra lição precisa ser dada agora: o crime organizado não é nada sem soldados. Os “capos” precisam da bucha de canhão nos favelas, e os soldados – que são as tais buchas de canhão –somente vão desistir de suas funções quando perceberem que o risco não vale a pena.

E como se faz isso?

De duas formas: enviando ativistas de Direitos Humanos hoje para o front no Rio de janeiro para convencer os caras na conversa;

Ou usando nossos forças policiais e militares para mostrar que as nossas cidades não são casa da mãe Joana.

Os soldados do crime organizado precisam ficar apavorados, precisam ter certeza de que não vão voltar para casa, precisam saber que vale realmente a pena desistir de seus planos de grandeza à custa do terror da sociedade. Por um bom motivo: continuarem, vivos.

Precisamos dessa etapa no combate ao crime. Não vamos chegar aos “generais” do crime organizado enquanto houver soldados no meio do caminho. Simplesmente não existirá essa mágica. E por que não?

Pela mesma lógica que diz que o usuário de drogas coloca o RPG7 na mão de bandido. Enquanto houver condições de ser soldado do tráfico, ganhando cinco mil por semana, o cara vai ser.

Isso é crueldade? É sim.

Mas não tem outro jeito. Enquanto houver um ativista achando que entende mais de estresse de combate do que um homem do Bope, vamos ter uma discordância acerca do que é certo e o que é errado, simplesmente porque vai ter gente falando bobagens acerca do que não entende. E isso se chama hipocrisia. O tipo de coisa que duas obras de ficção estão fazendo o País entender, mais do que qualquer discurso racional.


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