Novo site

Aviso importante!

Meu blog mudou para um novo endereço: textosecteto.com.br.

#>>> CLIQUE AQUI <<<# e conheça o novo site!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Se metade for verdade...

No link abaixo vemos um vídeo no qual aparece Gaddafi em um carro com teto solar circulando por uma cidade que parece ser Trípoli.
Os carros que vemos parecem ser novos, melhores que a frota aqui no Brasil. A população festeja a passagem do líder deles.
Tudo pode ter sido forjado. Podem ter montado a cena toda, criado um circuito com uma galera recebendo dinheiro para fazer papel de "população feliz". Quem sabe?
No vídeo, as legendas mostram uma realidade da Líbia que estatísticas reforçam, como alta qualidade de vida e riqueza de uma nação de pouco mais de 6 milhões de habitantes com uma renda per capita alta e com boa distribuição de renda.
Se metade do que aparece for mentira, mesmo assim a vida deles lá era bem melhor que no Brasil, em todo o resto da África e na América Latina. Se um terço for verdade, ainda é melhor que no Brasil.

http://www.mathaba.net/news/libya/

Será que era tudo mentira?

Comentamos aqui que jornais do Brasil e do mundo trataram da invasão de Trípoli com fotos de comemorações em Benghazi. Agora vale a pena uma olhada no vídeo cujo link está abaixo. Uma reportagem levantou que uma cidade cenográfica foi construída no Qatar para poder simular invasão e comemoração em Trípoli.
Ou seja, enquanto as forças da Otan bombardeava incessantemente civis e militares em Trípoli, a TV mostrava imagens falsas de uma capital invadida por rebeldes comemorando festivamente...


http://www.youtube.com/watch?v=Zaefo256wg4&feature=share

Agora é hora de reconstruir a Líbia

Melantonio representará o Brasil em reunião que vai discutir o futuro da Líbia
31/08/2011 - 20h11
Internacional
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O embaixador extraordinário do Brasil para o Oriente Médio, Cesário Melantonio Neto, que serve atualmente no Egito, será o representante do país na reunião de amanhã (1º), em Paris, em que será discutido o futuro da Líbia. A reunião é coordenada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e conta com representantes de de 50 países. A ideia é organizar ações conjuntas para a reconstrução da Líbia.

Anteontem (29) a Agência Brasil antecipou que Melantonio Neto representaria o governo brasileiro na reunião. Desde o começo desta semana, o nome dele estava cotado, mas apenas na tarde de hoje (31) o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, oficializou a indicação. O assunto foi tema de uma reunião anteontem entre Patriota e a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

Há cerca de dez dias, desde que a situação na Líbia se agravou, Sarkozy convocou a reunião com líderes dos países do chamado Grupo de Contato - que envolve as maiores economias do mundo – e convidou o Brasil para participar. O objetivo, segundo o governo francês, é buscar alternativas para colaborar com o regime de transição na Líbia.

Paralelamente, Patriota manteve contatos com os representantes do Brics – grupo formado pelo Brasil, pela Rússia, Índia, China e África do Sul – para definir uma posição comum na reunião de amanhã. Assim como o Brasil, os demais países que formam o Brics foram convidados para a discussão em Paris.

O embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, foi escolhido para representar o governo brasileiro por ter sido designado por Patriota para fazer as articulações com a oposição na Líbia. Com larga experiência no mundo muçulmano, Melantonio Neto serviu não só no Egito, mas também na Turquia, conhecendo a cultura e o modo de fazer política dos árabes.

No entanto, diferentemente da França, Itália, Alemanha e do Reino Unido, cujos representantes estarão na reunião amanhã, o Brasil ainda não formalizou apoio ao Conselho Nacional de Transição (CNT) – comandando pela oposição líbia. Para o Brasil, é necessário que os líderes do conselho sinalizem que têm o respaldo da população do país e respeitarão os princípios democráticos e direitos fundamentais.

*Colaborou Luciana Lima
Edição: Nádia Franco

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Relatório dos deputados Brizola Neto e Protógenes Queiroz

Líbia: o relato da viagem frustrada



Cheguei ao Rio sem condições de relatar,com o devido detalhamento, a viagem que se destinava à Líbia mas que foi, pelas razões que são de conhecimento geral, interrompida na Tunísia, por falta de condições de segurança. Farei isso agora, com a minuta do relatório que apresentarei, com o deputado Protógenes Queiroz, sobre tudo aquilo que fizemos, vimos e ouvimos.

Quero, também, esclarecer às pessoas que indagaram – e também às que criticaram sem saber o que diziam – que a viagem não foi custeada com um centavo de dinheiro público. Apenas as passagens foram adquiridas pelo Movimento Democracia Direta e nossas estadias e demais despesas foram custeadas pessoalmente.

Quem acha que viajar para a Líbia, em plena guerra, é fazer turismo, deveria pensar um pouquinho e refletir que nem todo mundo tem este tipo de relação com a política.

Feito este esclarecimento, e pedindo desculpas por termos parado o blog enquanto eu fazia o relatório – não dava para falar de outras coisas antes de prestar contas da viagem – publico a minuta do relato, que pode sofrer ainda algum ajuste, para incluir algum detalhe que tenha ficado esquecido.

Esta é a minuta do relatório:

“Excelentíssimo Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Marco Maia

Nos termos do ofício nº 2492/11/GP, pelo o qual esta Casa conferiu caráter oficial à viagem que realizamos com destino a República Árabe Líbia, vimos apresentar o relatório para informação e apreciação da Comissão de Relações Exteriores e dos demais integrantes da Câmara dos Deputados.

Em primeiro lugar, como é de conhecimento público, os acontecimentos frustraram nosso propósito de observar in loco a situação de conflito que se desenvolve naquele país desde que, em março do corrente ano surgiram os primeiros movimentos rebeldes, notadamente na cidade de Benghazi, localizada na costa oriental líbia.

De igual forma, é sabido que, a partir daí a Organização das Nações Unidas (ONU), através das Resoluções 1970 ratificada pelo governo brasileiro e na 1973, autorizou, apenas, ações – militares, inclusive – que visassem a proteger os direitos das populações civis e impedir o uso desproporcional de força, sobretudo a aérea, contra protestos desarmados.

Frise-se que este posicionamento foi absolutamente consentâneo com a tradição diplomática de nosso país, que se funda no respeito do auto determinação dos povos, a não-violência, e o respeito a disputa democrática do poder nacional. Houve, durante esses meses, inúmeras manifestações internacionais, sobretudo por parte da República Russa e da União Africana, de que tal mandato, ao ser extrapolado com ações bélicas que visavam enfraquecer e vulnerar o governo da Republica Líbia, estaria se configurando um ato de abuso de força e, na prática, de intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) naquele país.

Foi para constatar se era, de fato, isso que ocorria, significando uma violação do mandato internacional o qual nosso país subscreveu, que se destinou nossa missão.

Fixados os objetivos da viagem, passamos a narrar os fatos que nela sucederam.

Chegamos a Tunis, capital da Tunísia, no final da noite do dia 15 do corrente mês. No dia seguinte, nossa primeira providência foi buscar contato com a representação diplomática brasileira na capital tunisina, o que, infelizmente foi impossível e só veio ocorrer na quarta-feira quando nos reunimos com os senhores Márcio Augusto dos Anjos, primeiro secretário da embaixada brasileira na Líbia e pelo senhor, André Rosa Bueno, que nos informaram da dificuldade de obter garantias de segurança para o procedimento da viagem (documento anexo), o que já nos havia sido dito na véspera pelo Dr. Wael Al Faresi, professor universitário e membro do Comitê Olímpico, e naquele momento membro do “Comitê Voluntário de Apoio” ao governo líbio.

Note-se que, pela precariedade do trânsito entre a Tunísia e a fronteira oeste líbia – até então livre de conflitos militares, a comunicação do Dr. Al Faresi com nossa delegação foi feita por intermédio de videoconferência.

Expressando-se em português, o Dr. Al Faresi disse nos que o exército líbio havia recuado de suas posições naquela região após fortes bombardeios realizados pela aviação da Otan. Segundo ele, as ações militares visavam não apenas desalojar as tropas leais do governo como, sobretudo, interromper o funcionamento da infraestrutura e dos canais de abastecimento daquele país.

Disse-nos, inclusive, que teria sido bombardeada uma usina de geração termoelétrica que abastecia de energia a cidade. No diálogo com os representantes diplomáticos brasileiros o Senhor Márcio dos Anjos, além de confirmar a instabilidade da situação militar nas vias de acesso à Trípoli, confirmou que até a data que deixou a capital líbia, 15 dias antes do nosso encontro que os bombardeios danificavam progressivamente os serviços de infraestrutura da cidade, levando a interrupções no fornecimento de energia e telecomunicações, provocando elevação nos preços dos alimentos e mercadorias em geral, pela escassez de suprimentos.

Numa explanação mais ampla, o secretário Márcio dos Anjos descreveu-nos a Líbia como uma sociedade onde a maioria da população gozava de bons níveis de bem-estar, inclusive com políticas públicas de educação, saúde, habitação gratuitas e como a maior renda per capita do continente Africano. Disse-nos, ainda, que o país estimulava o intercâmbio de estudantes e profissionais com outras nações, à custa do governo. Ressaltou que o governo possuía recursos derivados do fato de ter a exploração de petróleo regulada por contratos que garantiam que cerca de 90% do lucro obtido pelas petroleiras fosse recolhido aos cofres públicos.

Com isso, informou, o Estado Líbio desenvolvia um grande programa de habitação, levando 80% da população a possuir moradia própria e projetando a construção de mais 500 mil casas e apartamentos, um número que se torna impressionante quando se considera que a população daquele país é composta por pouco mais de seis milhões de habitantes.

No aspecto político, o secretário Márcio dos Anjos disse não ter observado, em Trípoli, manifestações de adesão ao movimento rebelde e muito menos a presença de qualquer grupo insurreto. Havia, ao contrário, segundo seu relato, restrições ao chamado movimento rebelde mesmo entre aquelas pessoas que não apoiavam o comportamento de Muammar Gaddafi.

O relato do secretário, Márcio dos Anjos, foi corroborado pelo Ministro conselheiro Luis Eduardo Maya Ferreira, que chefia interinamente a embaixada brasileira em Tunis, ao definir o Sr. Márcio como um dos diplomatas de nosso país mais habilitado a descrever a situação líbia.

Impedidos, portanto, de seguir em nossa missão, aguardamos três dias por uma eventual melhoria nas condições de segurança, o que não ocorreu. Nestes dias, com ajuda de interpretes, pudemos observar nos meios de comunicação locais e regionais um amplo noticiário sobre o conflito, dividido, basicamente, em duas linhas de abordagem. Uma, da emissora Al Jazeera, sediada no Qatar, bastante semelhante ao noticiário que temos recebido, aqui no Brasil, pelas agências internacionais. Outra, com tom diferente, nas emissoras tunisinas e de outros países da região, onde, ao lado das imagens dos movimentos insurrecionais se exibiam também imagens das manifestações pró-Muammar Gaddafi. Pudemos, também, assistir às transmissões da TV estatal líbia, na qual se veiculavam inúmeras convocações à população para defesa da capital e de seu entorno, chamando à população civil, inclusive a feminina, para participar da resistência.

No esforço para tentar obter informações, deslocamos-nos até Bem Gardan, a última cidade tunisina antes da fronteira líbia, a cerca de 50 km dela, e, mesmo tentando ir adiante, isso foi recusado pelo motorista do veículo que locamos em Tunis para este deslocamento, alegando falta de segurança. Naquela localidade, pudemos observar duas situações dignas de nota. A primeira, o forte movimento de tropas e veículos blindados da Tunísia, para prevenir violações de seu território. A segunda, um grande acúmulo de alimentos e outros itens de primeira necessidade, inclusive combustível, que já não podiam ser levados à população líbia pelo acirramento do conflito.

Em resumo, a limitação de nossos movimentos, malgrado todos os esforços que fizemos para o pleno cumprimento de nossa missão, não nos permite expressar, com a força do testemunho pessoal, a situação interna da Líbia. Pudemos observar, entretanto, nos diálogos que realizamos, que é praticamente unânime a percepção na região de que o desfecho desses acontecimentos reflete muito mais os efeitos da intervenção militar ocidental do que propriamente o enfrentamento dos grupos pró e antigoverno daquele país. Mesmo com a impossibilidade de penetrarmos no território da Líbia, fizemos contatos com vários cidadãos daquele país, apoiadores ou opositores do regime e todos destacavam, não apenas o poder dos ataques da Otan como, até mesmo, o fato de muitas das operações de bombardeio atingirem alvos civis, a infraestrutura, e, ironicamente, até mesmo as tropas insurretas que visavam apoiar. Pelo que foi possível recolher de testemunhas não foi uma ação bélica condizente com a delegação internacional que a Otan recebeu da Onu.

Por fim, cabe assinalar que em todos os momentos nossa delegação insistiu numa posição de apoio ao fim, por ambas as partes, dos conflitos armados. E pela convocação do povo líbio a uma ampla e democrática consulta sobre os rumos da nação. Cumprimos, no limite de nossas possibilidades, a missão que nos foi delegada oficialmente por esta Casa, sem ônus para os cofres públicos, e colocamo-nos à inteira disposição dos senhores Deputados para qualquer esclarecimento adicional.

É o que temos a relatar.

Brasília, 22 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cobertura jornalística da guerra na Líbia

Estou vendo aqui a edição de hoje do jornal Folha de São Paulo sobre os combates na Líbia. Na capa a manchete é "Rebeldes acuam Gaddafi na Líbia". No texto da chamada não há referências aos ataques da Otan.
No texto, na página A10, a matéria abre sem citar a Otan, que aparece no NONO parágrafo, com a afirmação de que admitem que com os combates nos centros urbanos fica difícil garantir a segurança de civis.
Vejam posts abaixo aqui no meu blog. Entrevistei um consultor militar dos rebeldes que fala dos ataques da Otan, e um civil que fala a mesma coisa: os bombardeios não eram eficientes. Mas, como disse o consultor: estava melhorando este mês.
De onde veio a arrancada dos "rebeldes"? Ora, veio da intensificação dos bombardeios. Não veio do crescimento das adesões ao grupo ou então da hegemonia da força deles.
Os bombardeios da Otan ganharam intensidade e ficou fácil para que os rebeldes avançassem.
A reportagem foi feita baseada em agências de notícias internacionais.
Agências essas que estão sediadas em Tripoli, mas que estranhamente não enviaram fotos das manifestações populares em Tripoli festejando a chegada dos rebeldes. As fotos da edição de hoje vêm de Benghazi, que já está há um bom tempo sob controle dos rebeldes.
Provavelmente as imagens de Tripoli não são agradáveis.

O único ponto equilibrado da cobertura está no infográfico, que aponta que o IDH da Líbia é melhor que o do Brasil. Eles estavam na 53a posição, e nós, na 73a.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Olhos de quem escreve romances de espionagem

É bom, em um momento como esse, olhar as coisas com os olhos de quem escreve romances de espionagem. Isso porque as coisas nunca são preto no branco. Sempre há um motivo por trás de outros que são usados como fachada. A conquista da chamada rota da seda, o caminho repleto de recursos naturais que vão da Europa até a China, é um sonho antigo dos ocidentais e vem sendo levado a cabo pelos americanos.
Eles precisam isolar Israel de qualquer risco de ser atacado no caso de uma invasão do Irã. Por isso a Primavera Árabe.
Essa estratégia é uma forma de neutralizar governos hostis sem que seja necessário enviar tropas. Basta treinar e municiar forças locais - além de prometer cargos com altos salários na nova ordem política e social que surgirá no país.

Mas será que mesmo conseguindo neutralizar o norte da África e o Oriente Médio seria possível aos EUA invadir o Irã?
Será que os EUA teriam meses e meses para fazer um cerco ao país, assim como fizeram com o Iraque?

A tão falada mobilidade do maior exército do mundo é uma balela. Em 1991 os EUA levaram de agosto a janeiro para lançar o primeiro ataque contra o Iraque. Não foi diferente em uma série de conflitos seguintes. Quantos meses precisaria para cercar o Irã?

Ora, eles já tem forças no Iraque, no Afeganistão e em países muçulmanos da CEI, ao norte do Irã (forças mercenárias). Mas eles não têm controle sobre a situação.

Não mesmo.

Nos últimos dias, uma unidade dos superhomens do SEAL, o mesmo pelotão que fez a super mega operação que matou (???) Osama Bin Laden, foi destroçada por forças subnutridas afegãs. Mortos em combate os super soldados dos EUA.

Os EUA, por mais que queiram provar isso nos filmes, nunca foram bons em infantaria. Nem os britânicos. Na guerra das Malvinas, mandaram guerreiros Ghurka fazer a parte suja do negócio. Os tão falados SAS conseguem entrar em ação com meses e meses de treinamento e em caso de retaliação zero.

Será que os iranianos vão deixar uma coalizão se formar ao seu redor durante meses, sem falar nada?

Será que o mundo vai deixar isso acontecer?
O mundo, e nós, brasileiros.

Nós temos o pre-sal. E já tem gente querendo tirar eles de nós.
Nós temos a maior capacidade do mundo de plantio, de agronegócio, e querem ferrar com a gente.

Não é preciso ser escritor de romances de espionagem para enxergar essa "teoria da conspiração".... afinal de contas, nem teoria é... é prática

Para que lado iria o meu relatório

Se fosse para finalizar meu relatório agora, mesmo sem ter entrado na Líbia, meu texto apontaria para o lado da paz. Apontaria para o fim do bombardeio da Otan sobre o país. Os motivos são claros.
Mesmo antes de sair do Brasil, como é possível conferir neste blog, meu posicionamento era de que a tal Primavera Árabe não passava de uma estratégia de dominação. Não acredito, agora, que esteja errado.
Os entrevistados líbios, mesmo contra Gaddafi, ressaltaram a ineficiência dos ataques da Otan. Não dá para acreditar que isso seja normal. Mesmo a artilharia baseada em navios no Mediterrâneo, com um bom sistema de observação em solo feito pelos rebeldes, permitiria que as forças de Gaddafi fossem atingidas com eficiência. Isso não acontece.
Mas o que acontece? Por que os rebeldes e os líbios contra Gaddafi dizem que ele vem matando os líbios?
Isso é uma situação muito fácil de explicar em uma guerra.
Os rebeldes vêm travando uma tentativa de guerra de ocupação nas cidades líbias. Isso significa que eles tentam expulsar as forças regulares e depois ocupar posições.
Mas essas trincheiras ficam onde? Nos corações das cidades e vilarejos. E os combates travados dentro de cidades causam baixas nos três lados - principalmente entre civis.
E são exatamente essas baixas que trazem muita vantagem para a Otan, para os EUA.
De imediato, eles pensaram que com isso colocariam o povo líbio diretamente contra seu líder, mas os líbios parecem escolados. Como disse o articulista de texto postado abaixo, eles conhecem Gaddafi há mais de 40 anos e os norte-americanos tiveram 40 anos para colocá-lo para fora. E todos nós sabemos que há um bom tempo os ianques não se preocupavam com Gaddafi na liderança da Líbia.

O que aconteceria caso a Otan fosse obrigada a parar com seu bombardeio?
Ora, as mortes parariam apenas se a própria Otan criasse uma área de exclusão para a saída dos rebeldes, para que depusessem suas armas e se começasse um processo democrático como já foi proposto por Gaddafi.
Mas como garantir a segurança dos rebeldes após a trégua?
A área de exclusão deveria garantir condições de segurança para a reintegração dessas pessoas ou para a retirada para outros países. O que não dá para acreditar é que a oposição a Gaddafi seja tão grande quanto foi dito.
Desde o início da guerra o governo líbio tem armado a população para enfrentar uma provável invasão estrangeira. Estariam eles armando o próprio inimigo? Além do mais, pelas informações que obtivemos, boa parte dos líbios já estavam armados antes dos conflitos.
A impressão que temos é de que a oposição que pôs as mãos nas armas não é tão grande assim e é mais mobilizada por uma intenção externa do que por um crescente movimento interno. Nossos entrevistados não souberam datar a progressão dos confrontos, desde que eram de palavras e protestos, até que se tornassem em conflito armado.
É claro que uma investigação como essa requer mais tempo, mas a Anistia Internacional, por exemplo, já chegou a posição semelhante, assim como observadores até mesmo europeus.
Seria interessante que a Europa e os EUA reunissem esforços para, junto com Gaddafi, levar seu rio subterrâneo com águas datadas da Era do Gelo para o resto da África subsaariana. Talvez isso melhorasse a situação da Etiópia e da Somália.

Mas ninguém está pensando em água, não é verdade?

Mais opiniões sobre o que está ocorrendo na Líbia

Contra a OTAN-EUA, que estão destruindo a Líbia:
Aumenta o apoio a Gaddafi
15/8/2011, Scott Taylor, The Chronicle Herald, Halifax, Canadá
http://thechronicleherald.ca/Opinion/1258350.html

Scott Taylor é jornalista e militar, editor da revista Esprit de Corps
(http://www.espritdecorps.ca/index.php?option=com_content&view=article&id=160:scott-taylor&catid=47:staff-profiles&Itemid=76).


A rebelião na Líbia sempre foi mais criação da mídia que confronto armado em grande escala. Sim, nos primeiros dias, os rebeldes tomaram alguns tanques e armas das tropas do governo. Por isso, houve escaramuças entre rebeldes e soldados do exército líbio ao longo da rodovia que acompanha o litoral.

Entre 15 de fevereiro, quando começou o levante, e 19 de março, quando o Conselho de Segurança da ONU autorizou intervenção internacional, a vasta maioria dos trabalhadores estrangeiros que viviam na Líbia abandonaram o país.

Naqueles dias de caos, o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha noticiou que o presidente Mummar Gaddafi havia fugido para a Venezuela. Parecia que os rebeldes teriam vitória fácil e rápida. Mas Gaddafi nem viajou nem viajaria; em pouco tempo seus seguidores se recompuseram e, então sim, começaram uma efetiva luta de resistência contra os rebeldes.

Os rebeldes, que não são tropa profissional, logo iniciaram movimento de retirada de volta para o único ponto que realmente controlam no território, na cidade de Ben-ghazi.

Para impedir que Gaddafi impusesse qualquer tipo de retaliação contra os rebeldes, a ONU autorizou a OTAN a implantar uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia, para impedir que civis desarmados fossem atacados.

Muito estranhamente, a resolução da ONU nada dizia sobre não atacar civis desarmados que vivem nos setores controlados por Gaddafi. Ante essa estranha omissão, a coalizão OTAN-EUA-Canadá iniciou imediatamente os ataques contra alvos do governo líbio.

Já há mais de cinco meses, os aviões da OTAN apoiam os rebeldes, e navios de guerra da OTAN implantaram um embargo de armas unilateral contra o exército de Gaddafi. Todos os fundos financeiros líbios foram congelados, o que tornou virtualmente impossível para a Líbia comprar material bélico nem, sequer, prover as necessidades básicas do país, por exemplo, em termos de combustível.

Apesar de todas essas medidas, as unidades esparsas, sem qualquer coesão ou ordem que compõem as milícias rebeldes, não conseguiram impor qualquer derrota taticamente significativa às forças leais a Gaddafi – muito menos, é claro, conseguiram derrubar o ditador.

Em viagem que fiz a Trípoli, semana passada, para levantar fatos, vi que Gaddafi consolidou seu controle sobre a capital e praticamente toda a parte oeste da Líbia. Diplomatas que continuam em Trípoli confirmaram que, desde que começou o bombardeio pela OTAN, o apoio da população e a aprovação ao governo Gadaffi subiram à estratosfera e estão hoje em torno de 85%.

Das 2.335 tribos que há na Líbia, mais de 2.000 mantêm-se fiel ao presidente atacado pela OTAN. Hoje, as principais dificuldades que os líbios enfrentam são relacionadas ao racionamento de combustível e à falta de energia elétrica, resultado das bombas da OTAN que são causa das mais terríveis dificuldades que os líbios enfrentam nos setores controlados por Gaddafi.

A população, evidentemente, culpa a OTAN – não Gaddafi – pelos racionamentos. Em esforço para combater esse sentimento popular e estimular a população a levantar-se contra Gaddafi, os aviões da OTAN têm lançado latas contendo panfletos sobre Trípoli.

Infelizmente para os planejadores da OTAN, as latas são pesadas demais e têm causado ferimentos e quebrado telhados pela cidade, lançadas, como são, de grande altura.

Quanto ao texto das mensagens, algumas já são piada entre os líbios, que riem das traduções às vezes ininteligíveis, às vezes cômicas. Num dos panfletos, por exemplo, no qual quem escreveu supunha que tivesse escrito que os civis devem “unir-se” aos rebeldes, está escrito, de fato, que os civis líbios devem “copular” com os rebeldes.

Outra das missivas da OTAN aconselha que os que vivam em áreas controladas por Gaddafi façam as malas e mudem-se para o território ocupado pelos rebeldes. Aí se lê que os cidadãos devem mudar-se imediatamente para o setor “dos possuídos” (como “possuídos pelo diabo”) da Líbia.

É possível que o embargo, a falta de combustível e a destruição dos prédios públicos e de serviços da Líbia acabem por criar uma crise humanitária muito grave na Líbia de Gaddafi, tão grave que não reste outra alternativa aos líbios além de unir-se em torno do líder que conhecem há mais de 40 anos, para tentarem sobreviver.

Então, afinal, se se chegar a esse ponto, o ocidente dificilmente convencerá alguém de que uma segunda intervenção militar tornou-se necessária, para salvar os líbios da desgraça criada pela primeira intervenção militar... e pelos mesmos interventores.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Entrevista com Bashir, que voltaria à Líbia via Sfax

Abaixo o vídeo com entrevista com o laboratorista Bashir Mustafa, 28 anos. Imagens e edição de Miguel Mello.


Viagem rumo à fronteira com a Tunísia


A Otan vem bombardeando severamente a rodovia que liga a Tunísia com a Líbia. Por isso não conseguimos entrar. Autoridades locais afirmaram para nossa delegação, ontem, que a
s forças regulares da Líbia devem retomar o controle sobre a região nos próximos dias. Hoje encontramos um grupo de senegaleses que também precisavam entrar naquele país, mas foram obrigados a recuar para Tunis.
Estamos tentando localizá-los novamente para fazer uma entrevista mai
s completa com eles. Ao mesmo tempo, a delegação se reorganizou para formar dois grupos. Um deles sairá esta madrugada, às 3h (23h de Brasília), rumo a SFax (cidade onde nosso entrevistado Bashir disse que deveria sair de barco para Mstrata, levando remédios e equipamentos de exames laboratoriais) e também seguiremos à fronteira entre a Tunísia e a Líbia.
A ideia é colher mais depoimentos das pessoas, líbios ou de outras nacionalidades sobre a guerra.
Veja no mapa a disposição dos locais.