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domingo, 13 de julho de 2014

Bola de cristal

Deixa eu ver se entendi direito.
Uma quadrilha roubou quase Cem milhões em equipamentos de uma fábrica da Samsung aqui no Brasil. Mantiveram dezenas de pessoas Como reféns na fábrica após uma invasão rápida e bem sucedida.
Ação planejada, certo?
Para Carregar os equipamentos eles usaram Oito caminhões.
Caminhões que foram previamente roubados.
Quanto tempo levaram para planejar essa Operação?
Conseguir armamento pesado, roubar os Caminhões, descobrir as fragilidades da segurança da fábrica...
Com tudo isso, não foram presos antes de Roubarem a fábrica.
Agora gostaria que me explicassem Como a Polícia que não Consegue impedir uma operação como essa vem prendendo pessoas que querem fazer uma manifestação de descontentamento em relação ao governo.
Prendam ANTES da manifestação porque dizem que essas pessoas vão cometer atos de Violência.
Vão cometer?
Estão grampeando essas pessoas em seus telefones e na Internet.
Mas não grampeiam bandidos.
Eu compartilhei um video incitando o protesto.
Eu serei preso?
Essas Cenas lembram o filme Minority Report.
Mas no filme queriam impedir Assassinatos.
Aqui estão aplicando esforços para impedir protestos.
O governo do Partido dos Trabalhadores, dito de Esquerda, está se dedicando a impedir protestos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O colapso do futebol brasileiro

Antes dos jogos da Copa do Mundo do Brasil começarem, eu já tinha a sensação de que iríamos fracassar.
O problema nunca foi time. Temos jogadores fantásticos. O nosso problema é que não temos equipe, e isso não deveria ser novidade para ninguém.
Perdemos para uma equipe de verdade, mas passamos apertos para equipes com jogadores até mais fracos que os nossos. Chegamos longe nesta Copa. Mais longe do que merecíamos.
O resultado do jogo de ontem foi um reflexo, no campo, de nossa sociedade.
A Seleção Brasileira, de fato, é um microcosmo de nossa sociedade.
Ontem, no dia do jogo, três fatos me fizeram pensar sobre isso.
O primeiro foi no trânsito.
Fiz uma curva e dei de cara com um carro na contramão. O motorista estava acabando de sair do estacionamento e ao invés de dar a volta na quadra, preferiu pegar a contramão... numa curva.
O segundo foi num estacionamento.
Um motorista na contramão teimava que eu - que estava não correta - deveria dar a ré para ele passar. Simplesmente porque ele não queria dar a volta completa no estacionamento. Obviamente não arredei pé e o motorista teve que fazer o certo - contra a vontade.
O terceiro fato foi mais vergonhoso. Ocorreu num supermercado.
Estava na fila do caixa. Na minha frente, uma senhora bem vestida, com um carrinho cheio de compras. Ela tomou um iogurte e comeu um chocolate e escondeu as embalagens em outro carrinho de compras vazio. Chegou a pegar uma revista numa gôndola para cobrir os vestígios da malandragem.
O meu erro foi não denunciar. Já estava cansado de lidar com gente individualista que só pensa em si própria.
Na contabilidade de uma loja como um supermercado já existe um percentual de perdas para roubos como aquele que eu presenciei. Esse percentual encarece os produtos na loja... para todos! Para quem rouba e para quem não rouba.
Essa é a nossa sociedade, individualista, sempre à cata de vantagens, de atalhos, de caminhos mais curtos. Sempre se negando a fazer o que deve ser feito para atingir os fins de forma correta.
Essa foi a nossa seleção, que ao  se ver sendo derrotada, ao invés de se estabilizar e jogar em equipe, começou a tentar cavar faltas e pênaltis, deslealmente.
Nossos jogadores são tão bons quanto os da Alemanha, da Argentina ou da Holanda. O problema é da falta da equipe, da falta de treinamento sério.

E isso tudo não é uma questão apenas de futebol, mas sim de como o brasileiro encara a vida, as dificuldades, a vida em sociedade.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Soldados da Borracha - uma injustiça nacional

Quem conhece a história dos Soldados da Borracha? Brasileiros que foram para a Amazônia sob comando dos governos do Brasil e dos EUA para extrair borracha para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
Dos 60 mil que foram enviados, morreram 35 mil antes da guerra acabar. Para se ter uma ideia, morreram menos de 500 soldados brasileiros na Europa, nos combates. Confira a injustiça que estão querendo cometer com esses homens, mantendo eles no anonimato. Leia na reportagem abaixo:



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Meu Tom Clancy favorito

Morreu Tom Clancy, um grande autor. Sei que estou um pouco atrasado mas acontece que estou numa espécie de caravana no interior da Amazônia e a internet não ajudou muito. Agora encontro tempo para lidar com esse assunto. Clancy foi um grande autor. Leio seus livros com gosto, sem me preocupar se são americanófilos, pois tenho minha opinião mais do que formada sobre o assunto. O que sempre me agradou em Clancy foi a forma que sOube lidar com alguns ingredientes ditos básicos do romance de espionagem. O apego aos detalhes, necessário para o tal pacto de Veracidade, sempre teve uma grande funcionalidade em relação à trama. Ele não era dedicado ao detalhe pelo detalhe, como vemos fazer muitos autores. Se Clancy falava das fortes chuvas sobre uma floresta, e o embarque de toras ainda verdes, e do comprimento de uma corrente, era Para explicar como a tora ia inchar, para em seguida romper a corrente, Cair no mar e bater na vela de um submarino. O amassado no casca seria, então, responsável por denunciar posteriormente a embarcação através do sonar Inimigo.
É interessante também como Clancy, mesmo sendo considerado americanófilo, sempre preocupou-se em Colorir seus vilões japoneses, chineses, russos, árabes, com os tons amargos da vingança. E não seria a vingança a motivação de tantos herois? Não foi um dos maiores sucessos do ano passado, no cinema, e filme Os Vingadores? Em Executive Orders ele cita em Um trecho que um comandante americano solta as coleiras de seus soldados matadores. Curiosamente a tradução brasileira Ameniza a Comparação dos soldados com bestas. Interessante, não?
Para mim, Tom Clancy não foi apenas um escritor responsável por renovar o romance de espionagem. Foi o cara que me impulsionou para um mestrado sobre o gênero. E sobre ele, tenho uma história Curiosa.
No afã de obter entrevistas interessantes para minha dissertação, procurei o email de Tom Clancy. Achei Um endereço em um site que afirmava ser aquele o verdadeiro. Entrei em contato. Após semanas, recebi uma resposta. Conversamos sobre seus livros e minhas Ideias para livros. Conversamos sobre política internacional, etc. Até que certo momento eu Precisava de uma confirmação de que ele era realmente Tom Clancy. Ele simplesmente disse: Você ainda tem dúvida?
Claro que eu tinha dúvida. Até onde eu sabia poderia estar Conversando com outro fã do autor, alguém tirando onda de minha cara.
Discutimos e ele nunca mais voltou a falar comigo. Nem preciso dizer que fui grosseiro e ele, um gentleman. Curioso é que na semana passada Estava recordando esse episódio. Lembrava quando tentava explicar alguma coisa em inglês e ele me corrigiu com um ar um tanto quanto pedante. Pedi desculpas, afirmando não ser um "native speaker".
Imediatamente ele pediu desculpas, também: "Eu é que tenho que me desculpar. Você escreve muito satisfatoriamente em inglês. Eu é que não sei uma vírgula de português".
Se esse era realmente Tom Clancy, nunca vou saber. Mas gosto de pensar que era ele mesmo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O que buscamos?

O movimento começa com um protesto contra o aumento do preço das passagens e pede passe livre. Alguns criticam a ideia de passe livre, perguntando "quem vai pagar a conta?"
A conta já é paga por todos nós, e muito bem paga. Vemos o fruto de nosso trabalho ser sugado por impostos e taxas absurdas, mas não vemos os benefícios básicos voltando para nós.
O que vemos, em troca? Milhões e milhões sendo sugados pela corrupção. Pense nos milhões que vemos em cada manchete que fala sobre desvios de dinheiro de obras, emendas fajutas e aposentadorias milionárias. Esse dinheiro poderia pagar o transporte público.
Pense em impostos mais baixos e imagine quanto sobraria para em seu bolso.
Se a gente pudesse descontar o valor que SOME dos cofres públicos através da corrupção, quanto poderia baixar os impostos?
E se o governo parasse de gastar absurdamente com salários altos para gente que não faz nada?
E se os partidos parassem de brigar por ministérios e cabides de emprego, quanto que poderiam cair os impostos?
E se os impostos pudessem cair desse jeito, será que precisaríamos de Bolsa Família?
Com impostos mais baixos teríamos um custo de vida menor, salários mais altos, maior poder de compra e mais empregos.
A lógica é simples.
Estamos aguentando essa sem vergonhice há décadas.
Isso tem que acabar.
Precisamos virar o jogo e depois mudar o formato dessa democracia que não nos representa mais. O sistema está falido em todo o mundo.
Precisamos de leis que impeçam vagabundos de chegarem ao poder.
Precisamos de ferramentas simples para cancelar o mandato de um político. É fácil eleger, mas é praticamente impossível remover vagabundos do poder.
O Facebook guarda dados de bilhões de usuários, e é uma empresa privada. O Estado brasileiro deveria ser capaz de guardar nosso voto eletrônico e nós deveríamos ser capazes de retirar o voto de um político que elegemos. Faríamos isso quando descobríssemos algo de errado nele.
Simples. Temos condições tecnológicas para isso.
Ninguém tem direito de EXIGIR se manter em um mandato público. O mandato é do povo.
Acho que seria um bom começo para acabar com essa podridão que se instalou no Poder do Estado e não quer sair de lá.

A nossa força

Os protestos começaram com a crítica às passagens de ônibus, mas agora tem que mudar. Os protestos precisam ser voltados para a corrupção e para mudar a política brasileira. Estamos todos envolvidos nesse protesto.  Quem não paga ônibus gasta dinheiro com gasolina cara, imposto de renda cruel, imposto por tudo que é lado.
Se as prefeituras não subirem a passagem, o governo vai roubar por outro lado. Precisamos dar um basta, pois não recebemos nada em troca pelos impostos que pagamos. Vemos diariamente escândalos com políticos roubando o dinheiro dos impostos.
Somos um país riquíssimo,  mas vivemos como miseráveis por causa desses ladrões.
O povo já conhece sua força. Agora é só usar essa força!

sábado, 17 de novembro de 2012

Cai fora, urubu!

"Flash, tudo branco, uma porrada do lado e eu apaguei. Uma dor forte no corpo inteiro foi me acordando. Dor forte mesmo. Não conseguia me mexer direito. Rastejei até chegar num gramado, no solo mais fofo, até onde deu. Ainda estava escuro, eu zonzo como o diabo e a dor me impedindo de fazer qualquer coisa. Sei lá o que me acertou! Eu estava apenas caminhando, vindo dos mesmos lugares de sempre quando aconteceu. Nunca senti nada igual.
Me desloquei quanto? Um pouco só, até a grama fofa e não tenho forças pra mais nada. Tô com sede. Muita sede. Onde tem água? Preciso de água, minha boca está seca e eu tô cansado demais pra procurar água. Essa grama está muito macia. Vou dormir. Não aguento mais nada. Apaguei
Ai, véi, essa dor não passa... mas eu acordo um pouco mais disposto. Quase nada. Está mais claro, mas eu ainda não consigo me mexer direito, as pernas doem muito e...
Que porra é essa, cara?!
Não, essa não! Fora daqui! Eu sei quem você é!
"Fora! Fora! Sai daqui!", eu comecei a gritar, sem parar. O que restava de forças em mim eu tinha que puxar pros meus pulmões e afastar aquele urubu de mim. Tem mais dois voando. Eu sei quem são vocês e o que vocês fazem!
Eu continuo gritando sem parar. Eu sei o que eles querem, e sei que eles não vão me bicar enquanto eu estiver vivo. Olho ao meu redor e vejo sangue - meu sangue - já coagulado no chão. Eu tô aqui há quanto tempo mesmo?
"Você não tem tempo para isso: grite pra afastar esses urubus!" e continuei gritando sem parar. Senti falta de ar, tudo ficou girando e eu apaguei de novo. Mas foi rápido. Quando abri os olhos o urubu estava mais perto. Eu gritei de novo e ele deu um salto para trás.
"Não pare de gritar! Você tem que afastar esses caras daqui, porque se você apagar de novo eles podem achar que você morreu e quererem te bicar! Isso pode te matar", eu disse para mim mesmo, enquanto tentava me arrastar de novo. Mas pra onde? Esses desgraçados VOAM e eu nem consigo andar direito!
É mesmo uma situação de merda, cara. Com o amanhecer eu entendi direito o que aconteceu. Eu estava andando tranquilamente, de repente um desses carros me pegou. Droga, eu nem percebi que estava na rua!
Sei que era de noite, mas eu nem escuro sou! Sempre achei que meu pai fosse claro, pois minha mãe também era, e eu também sou. Marrom claro em cima, meu peito, minha barriga e meus pés são branquinhos. Encardidos, pra falar a verdade.
Esse é o tipo de coisa que você acha que nunca vai acontecer contigo. Conheço uns caras que são escuros em cima e embaixo. De noite nem dá para ver direito. Você sente o cheiro do cara há horas, até que vê o filho da mãe quase já na sua cara. Tá bom, a gente enxerga meio ruinzinho. Mas acho que esses caras que dirigem por aí enxergam pior ainda.
Quem autoriza esse pessoal a andar por aí com essas coisas? Elas matam! Tem três urubus aqui (dois voando e um no chão) que confirmam isso que estou dizendo.
"Fora daqui! Saia! Fora!", eu continuo gritando, até que o urubu sai voando. Convenci ele de que estou vivo ainda, apesar desse sangue ao meu redor, esse cheiro de morte, dizer o contrário.
"Vai embora atrás de alguém morto de verdade, seu urubu!", gritei, quando não aguentei mais e apaguei de novo. Dessa vez mais profundo, a garganta ardendo, uma sede monstruosa me consumindo.
Acho que não tem mais nada a fazer.
Ganhei uma batalha, mas acho que a guerra eu vou perder.
Não tenho mais forças. Não consigo sair daqui. Queria ir para... para onde? Atrás de água para começar, atrás de meus colegas, de alguma lady no cio, de alguma borboleta para perseguir, sei lá! Eu tenho a minha vida e queria apenas cuidar dela, e não estar morrendo aqui!
Não é fácil você acordar e ver um urubu esperando para te destrinchar as tripas. Não conheço muitos caras que tenham passado por isso. Mas não culpo ninguém. Sei que sou fácil de ver à noite, com meu pelo marrom claro, minha barriga e meus pés brancos, mas dei azar de cruzar o caminho do homem errado.
Acho que é isso...
Acordei com uma cutucada nas minhas costelas. O que é isso?
Um homem... não, dois. Eu tenho certeza, sei contar até cinco...
O que querem? Me deixem  em paz... Eu não consigo nem gritar com eles. Deixe estar... Estão me levando pra dentro do carro. Um outro está olhando... Acho que... acho que...
O que é isso? Que espetada foi essa? O que vocês.... Ah... bom... bom demais... a dor... está indo... Que bom... Acho que isso é bom. Vou dormir. Acho que estou seguro."


Relato de um cão sem nome, marrom claro, peito, patas e barriga brancos, encontrado desfalecido na avenida Guaporé, perto da Calama, após ser atropelado e passar horas lutando contra urubus que esperavam sua morte. O texto está na íntegra. Em nenhum momento ele falou mal do péssimo motorista que - incapaz de dirigir direito - o atropelou. É civilizado demais para xingar alguém.

sábado, 21 de abril de 2012

O Fusca da Democracia

Quem quer um Fusca?
O  Fusca foi um carro que marcou uma época. Ele era barato de produzir e resistente. Seu motor era refrigerado a ar, projetado para aguentar situações difíceis. O brasileiro adorou o Fusca e sua manutenção simples e barata.
Mas hoje quem quer um Fusca? Ele não tem ar-condicionado, a suspensão é ruim, a direção não é hidráulica, não tem ABS nem servo freio. Ninguém quer um Fusca porque ele não é mais eficiente para os dias de hoje.
E o que a Democracia tem a ver com o Fusca?
Tudo.
A Democracia não é mais eficiente para os dias de hoje. Ela foi "projetada" para uma época em que a população se reunia na praça e cada um dava seu pitaco no comando do grupo. As coisas funcionavam.
Nas sociedades de milhões de habitantes, hoje, não funciona mais.
Diferentemente dos carros, a Democracia não se modernizou. Hoje temos diversos modelos, um melhor do que o outro, mas o modelo da Democracia é velho, não é eficiente e cheira mal como carro velho.
Como modernizar a democracia e fazer com que ela volte como nos tempos em que os governantes tinham vergonha de fazer errado porque tinham medo de apanhar na praça do centro da cidade?
Precisamos pensar nisso...
As  redes sociais dão uma aula sobre as possibilidades de modernização da Democracia.
Nas redes sociais estão armazenadas informações sobre bilhões de pessoas. Tudo está interligado e o efeito é imediato. Por que nossos votos não estão armazenados em uma rede social?
Por que eu não posso ser capaz de retirar o meu voto quando descubro que o político no qual votei está desmerecendo meu voto? Isso seria possível?
Basta dar uma olhadinha nas redes sociais e ver o potencial.
Quando os votos do político ficasse abaixo de uma determinada porcentagem, ele perderia o cargo. Isso faria com que os representantes andassem na linha, como os de antigamente, bem antigamente, quando a democracia funcionava.
Haveria riscos de fraude em uma rede social eleitoral? Tanto quanto na urna eletrônica, com a diferença que cada eleitor teria o controle de seus votos, o que não existe no caso da urna eletrônica.
Se o Fusca tivesse linhas modernas, ar-condicionado, computador de bordo, suspensão macia e etc, todo mundo ia querer um Fusca.
Assim como precisamos de um carro moderno, precisamos de uma Democracia que funcione nos tempos de hoje.

Protesto contra a corrupção

Alto lá, precisamos parar e avaliar o fraco engajamento ao ato contra a corrupção, realizado em todo o país neste dia 21 de abril de 2012. Não dá para partir rumo ao simplismo de estabelecer que o brasileiro é bovino, que tem os políticos que merecem e assim vai. Estamos ouvindo isso desde sempre, como motivo para explicar porque a nossa colonização não deu certo, isso ou aquilo. É preciso analisar o nosso comportamento, e esse é o tipo de coisa que não será feito de um momento para o outro, em cima do joelho. Não ouso querer explicar, mas arrisco a por algumas luzes sobre essa situação, a guisa de provocar a discussão.
Acho que podemos partir do princípio que o brasileiro não sabe mais onde pedir ajuda. Estamos numa situação parecida com aqueles filmes de ficção científica dos anos 50, quando uma cidadezinha era invadida por alienígenas e os cidadãos passavam a ser substituídos por extraterrestres que assumiam a forma humana. Os protagonistas, na tentativa de escapar e enfrentar a ameaça, procuravam ajuda e invariavelmente se deparavam com aliens disfarçados de humanos - as pessoas em que eles mais confiavam haviam se transformado em inimigos.
Essa filmografia - que fez muito sucesso - se enquadrava na paranóia da Guerra Fria, na qual os americanos propagandeavam sobre o risco de uma invasão comunista, na qual seu vizinho poderia ter se tornado um colaborador dos russos.
Nossa realidade não é muito diferente. O caso Demóstenes é uma prova disso. O grande baluarte da oposição, que vivia acusando o governo petista de ladroagem estava envolvido exatamente com o crime organizado. Ou seja, uma pessoa para quem o brasileiro poderia se dirigir com denúncias de corrupção era mais um alienígena (corrupto) disfarçado de bom cidadão.
A questão é: quantos mais são assim?
Voltamos ao caso da relação Demóstenes-Cachoeira e vemos acusações contra a revista Veja, uma das mais conceituadas do Brasil. E aí, como fica? Quais veículos de comunicação têm ficha limpa? Qual magistrado? Qual policial? Qual empresário? Qual professor? Qual aluno e qual dona de casa?
Será que podemos falar com o nosso vizinho sobre o último escândalo da ALE ou ele está na folha de pagamento fantasma do Legislativo? Será que aquele nosso colega que passou no concurso público estudou mesmo ou foi apadrinhado? Quantos casos existem assim?
Uma coisa é verdade sobre o Brasil: a corrupção hoje se alastrou de uma forma muito ampla, não estamos mais vendo uma pequena minoria garfando os cofres públicos - isso virou uma legião! De positivo está apenas o fato que temos mais gente roubando, mas mais gente gastando, torrando o dinheiro fácil com empregadas, carros de luxo, escolas caras, bares de luxo, restaurantes de primeira linha. O dinheiro circula mais do que no Brasil do início do século XX, que era corrupto, mas cujo poder sob a coisa pública estava nas mãos de poucos.
Mas isso é bom? Claro que não.
Talvez o brasileiro não saia à rua para protestar porque ele não acredite que isso vai funcionar, mas ele acredita que vai se divertir no show sertanejo ou no Carnaval - disso ele tem certeza. Mas o brasileiro hoje não tem certeza alguma de que seu esforço contra os corruptos poderá ser recompensado.
Isso é ruim? É péssimo. E qual é a saída?
Ora bolas, as redes sociais foram a mola que alavancou a Primavera Árabe, derrubando ditaduras no norte da África? As redes sociais na internet e milhões de dólares investidos em ações secretas, em mobilizações frotas de navios de guerra, em lançamentos diários de mísseis de milhões de dólares e alta tecnologia em combate e informação.
As redes sociais e bilhões de dólares foram capazes de mover uma população que estava acomodada, acostumada com seu destino, mas não vamos nos iludir. Eu estive na Tunísia no ano passado e não foi um, não foram dois nem três tunisianos que disseram que um governo corrupto foi derrubado para poderem ser feitas eleições com candidatos mais corruptos ainda.
E como ficamos?
A próxima manifestação contra a corrupção terá um propósito além de reunir gente na rua? Vamos nos encontrar na rua para gritar palavras de ordem e depois o quê? Quem vai olhar para os milhares de pessoas na rua e vai temer seu poder? Quem?
Acho que é esse o propósito de uma manifestação popular: mostrar o poder do povo. Um poder que pode ser canalizado para onde? Com qual finalidade? Para fazer o quê? Para intimidar quem?
De outra forma, em setembro talvez mais gente saia às ruas, pinte o rosto e depois volte para casa para limpar a tinta. E a sensação de que se conquistou algo? Como vai ser?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Facebook, o paraíso do Spam

Ah... como as pessoas enviavam spam no início da internet... Qualquer frase legal, imagem bonitinha, a foto que acabou de ser tirada na câmera digital de 1.3 mp... tudo virava um email enviado para os amigos, os vizinhos e conhecidos. Mandou um email para alguém? Vixi... você teve seu endereço copiado e acabou sendo anexado naquelas intermináveis listas de mensagenzinhas babacas, pirâmides, promessas, etc.
Ficamos chatos com o tempo. Abrir um email com um power point com imagens lindas de morrer foi se tornando cada vez mais um amargor. Ficamos cansados disso.
Vieram os anti spam, as respostas grosseiras até que...
inventaram o Facebook!!!!
Hoje todo mundo posta suas fotos de prato de comida, do cachorro, posta as frases lindas, as imagens emocionantes, a filosofia de Poliana, a filosofia de botequim, a piada engraçada e a sem graça... Tudo no Facebook. E agora todo mundo curte, todo mundo adora.
Para falar a verdade, agora as pessoas deixam de fazer coisas até mesmo mais prazerosas para passar o final de semana inteirinho olhando o Facebook cheio de coisas que no email delas é considerado SPAM.