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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Abre alas para o cinemão brasileiro


Resenha do filme Reza a Lenda


Quando assisto um filme de aventura, de ação, eu gosto de prestar atenção às armas. Acho que a escolha das armas diz muito sobre como a produção quer tratar o público que está acostumado com o gênero – os insiders. Reza a Lenda passa por esse teste. E passa por mais testes. Acabei de voltar do cinema e não consigo parar de pensar nas possibilidades que esse filme abre para o cinema nacional.

Quando é que alguém, há 10 ou 20 anos, iria imaginar um filme brasileiro em que alguém usasse uma minigun (uma metralhadora no estilo Gatling, uma M134, calibre 7,62 com barragem de tiro traçante) uma arma típica de filmes de guerra estilo Vietnã, filmes de Rambo ou Schwarzenegger?

Estávamos no auge da herança cinemanovista/nouvelle vagueriana de Glauber Rocha, com seus herdeiros destilando veneno contra o cinemão norte-americano, dizendo que a sétima arte tinha como única função doutrinar o proletariado na luta de classes. O que escapava disso eram os agraciados pela Embrafilme torrando dinheiro público na loteria de ganhar prêmios de crítica. Público? Nem pensar! Fazia-se filme para os amigos.

E enquanto o cinema brasileiro havia virado um clube de intelectuais engajados, o cinema norte-americano doutrinava o mundo e... quem diria, os brasileiros.

Acontece que o público, no final das contas, move o cinema. Os franceses, que inventaram a Nouvelle Vague e tornaram o termo “filme francês” um sinônimo de “filme hermético, cabeça, autoral”, acabaram descobrindo que nem só os americanos podiam fazer histórias de alcance universal.

Os heróis de capa e espada, de pistola na cintura e chicote na mão não eram propriedade exclusiva do cinema norte-americano. Descobriu-se que a aventura, a ação, era coisa de seres humanos contando histórias de suas caçadas de mamutes, os dramas vividos na guerra, as lutas contra os clãs do outro lado da montanha. Com isso, o cinema francês foi um dos primeiros a mandar às favas o preconceito de fazer cinemão.

Hoje em dia, no Brasil, depois de Tropa de Elite 1 e 2, 2 Coelhos, Federal, Segurança Nacional, Operações Especiais, estreia Reza a Lenda e bota o pau na mesa e diz: “podemos fazer filme de ação, ter heróis falando em português, reinventar a realidade e – sim – divertir bastante”.

O diretor Homero Olivetto, que divide o roteiro com Patrícia Andrade e Newton Canitto, entregou um filme enxuto, vigoroso e empolgante. Cada integrante da produção, dos roteiristas ao iluminador, figurinista, o que quer que seja, está de parabéns porque fez história.

E por que fez história? Isso é um exagero? Não, pois o filme realmente será considerado um divisor de águas, a obra que separa o tempo em que realizadores se obrigavam a entregar um trabalho que tivesse cunho social, que fosse necessariamente moralmente ambíguo e tivesse qualidade técnica aceitável.

1.       Reza a Lenda não é moralmente ambíguo: a linha que divide mocinho e bandido, protagonista e antagonista, é clara. Nada de ficar justificando que o protagonista é um anti-heroi, mimimi, etc. Ara, vivido por Cauã Reymond é um herói, e ponto final.

2.       Reza a Lenda pincela uma preocupação social, mas não é didático, não é engajado. O drama social está lá pelo mesmo motivo que as crianças estão trabalhando escravizadas em túneis em Indiana Jones e o Templo da Perdição: está lá para ser tratado como vítima, para existir algo que o herói deva salvar.

3.       Tem uma baita qualidade técnica. E a minigun (mais uma vez) se encaixa neste quesito. Qualidade técnica é respeito com o público.

Apesar de todos os seus pontos positivos, Reza a Lenda tem um defeito: ser um dos primeiros filmes do gênero no Brasil. Como primeiro a chegar, causa estranheza, bate de frente com um público acostumado a ver heróis que se chamam Jack, Thomas, e que se digladiam com inimigos em cenários estranhos para nós, vivendo dramas que às vezes nem sabemos se realmente existem, mas acabamos acreditando por estarmos acostumados a isso.

Como tive a honra de falar ao próprio Homero Olivetto, em conversa após ter saído do cinema, o boca a boca vai fazer a carreira de Reza a Lenda. A resistência ao produto nacional vai cair a cada pessoa que assistir o filme e sair de lá dizendo: “Caramba, não é que é bom mesmo??? Não é que eu me diverti mesmo? Não é que não fica nada devendo a filmes estrangeiros do mesmo gênero e patamar de produção?”

Assim, Reza a Lenda vai ocupar seu espaço, cumprir sua missão de abre alas do nosso cinemão, que já está se especializando em comédias e tem mostrado bons resultados em filmes policiais (apesar de serem, por enquanto, de uma nota só, com uma mesma temática).

Como já se dizia, no final do século passado, reza a lenda que o cinema brasileiro ainda vai ter herois. Quem sabe eles possam ajudar a formar uma sociedade menos ambígua, com uma linha mais clara entre o que é certo e o que é errado. Pois é. Reza a lenda...

Debate sobre o cinema de gênero no Brasil

Acredito realmente que um dos grandes entraves para esse cinema de gênero é a dificuldade de criação de um pacto de veracidade da trama com o público. Os norte americanos não têm mais esse problema porque de antemão o público ja considera que o universo do thriller, da ação, da fantasia e da aventura é deles - a praia deles. Passei por isso ao escrever Souvenir Iraquiano e Fronteira, romances de espionagem completamente vividos por personagens brasileiros em tramas das quais realmente participamos. Mesmo assim vi muita gente torcer o nariz pela simples "ousadia" de penetrar nesse feudo anglo-saxonico.
Na dissertação de mestrado "Uma Spy Story brasileira? Leitura de A Última Viagem do Lobo Cinzento", procurei tratar do assunto, afunilando a discussão para o romance de espionagem.
Acredito que bastante coisa que enumerei neste trabalho pode ajudar a levantar a discussão no mesmo tom, mas sobre os gêneros policial, de fantasia, ficção científica, aventura e ação.
Boa leitura!

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domingo, 11 de outubro de 2015

que tal repensar o nosso conceito de sucesso?

Cada vez mais pessoas estão se dando conta de que o modelo de sucesso que servia para nossos avós e nossos pais não funcionam mais para uma civilização com mais de 7 bilhões de pessoas.
Mas como isso acontece?
Qual é o processo de dar-se conta de que alguma coisa mudou?
Como essa possibilidade de um novo conceito de mundo se manifesta no campo das ideias?
O quanto a internet tem a ver com isso? Mudemos a frase: o quanto a possibilidade das pessoas se comunicarem de forma mais eficiente tem a ver com isso?

Podemos começar com um questinonamento acerca de uma ideia antiga: É bom ser rico.

Isso não foi uma pergunta, mas sim uma afirmação, pois, de fato, é nisso que a maioria das pessoas do planeta sempre acreditaram, desde que o mundo é mundo.
Cabe, hoje, à luz do que sabemos e do que temos sobre a mesa, colocar um ponto de interrogação no final da frase:
  • É bom ser rico?

Talvez a melhor forma de começarmos a responder a essa (agora) pergunta, considerando como era a justificativa para a antiga afirmação:
  • Ser rico é bom porque podemos fazer o que quisermos. Temos poder e um manancial inesgotável de recursos.
Isso é verdade?

Bem, talvez em um mundo com menos pessoas, com uma interligação menor entre as pessoas, isso fosse o suficiente. Mas hoje, quando ao ligarmos a TV, a internet, vemos que no outro lado do planeta, ou no final da rua do nosso bairro, existe gente se matando por um prato de comida, por um par de chinelos, devemos repensar a justificativa acima, pela simples constatação de que o acúmulo de capital só acontece quando esse mesmo capital deixa de ir para as mãos de muitos para se aglutinar nas mãos de poucos.
Logo, a carapuça se ajusta perfeitamente bem naquele que percebe que sua riqueza é o motivo da pobreza dos outros.
Mas é difícil afirmar que o dinheiro que está na conta bancária de A seja exatamente o dinheiro que não está no bolso de B, C, D e E.
Óbvio que não. O dinheiro é fluido demais, e segue por caminhos diversos até ser acumulado por alguém.
Mas poderíamos dizer que eu não tenho uma casa própria porque parte do meu dinheiro está no bolso do Bill Gates, dos Oddebrecht ou até mesmo no bolso do meu vizinho que tem um carro que custa o dobro do meu?

Esse questionamento é antigo. Em parte, sua análise já rendeu o manifesto comunista, a revolução francesa e outros tipos de ações de luta entre classes (mesmo que ações mentais). O que podemos ter hoje é uma nova visão, compartilhada, de que precisamos encontrar uma saída para isso.

Mas vejamos uma analogia:
Perguta: quem quer comer alface com agrotóxico?
Resposta: ninguém.
Pergunta: então vamos abolir o agrotóxico em escala mundial e adotar a hidroponia e o cultivo orgânico.
Resposta: sim! Isso que queremos.
Pergunta: está disposto a pagar R$ 10,00 por um alface?
Resposta: sim, eu posso pagar por isso
Pergunta: a questão não é que você pode pagar por isso, mas sim que hoje tem gente que não pode pagar R$ 1,50 pelo alface feito em larga escala com agrotóxicos, como vão pagar pelo orgânico de R$ 10?

Ou seja, as soluções não são tão simples, e os conceitos intrínsecos a um novo mundo, melhor, mais saudável, mais justo e mais ecológico não se aplica a todos. nem todos podem pagar por esse futuro. E não é exatamete isso que queremos resolver?

Vejamos outro ponto: os jovens empreendedores, cheios de ideias progressistas, humanitárias, includentes, etc, busca recursos para suas startups poderem… bombar na internet e fazê-los ganhar o primeiro bilhão antes dos 30 anos.
Mas de onde vem esse bilhão?
Ah sim, de um bilhão de pessoas comprando seus aplicativos de internet baratinhos, a R$ 1,50.
Tomar um pouquinho de cada um em escala global te faz um melhor capitalista?

Vejamos, então:
  • queremos um mundo novo, mas esse mundo novo é caro.
  • queremos uma forma nova de interagir com a economia, mas continuamos querendo acumular e pegar o pouco que o outro tem.
  • mas por que ter mais do que precisamos?
  • e se nos contentarmos com pouco, será que poderemos comprar o alface biodinâmico de R$ 10?

Matrix, no início desse século, fez um grande sucesso no cinema. (a partir deste momento, é bom que você tenha visto o filme).
Marcou época com seus efeitos especiais, mas o mais importante do filme é o seu conceito de sociedade.
Somos pilhas, sendo exploradas por um sistema.
Esse sistema nos adula, permitindo que nos achemos mais bonitos, mais na moda, mais cool, mas nos explora.
Basta ver as roupas super fashion dos personagens dentro da Matrix.

Ao romper com o sistema, como surgem os personagens no filme?
Estão aos farrapos.
Mas estão felizes.

Vamos conectar Matrix com as ideias expostas antes:
  • para podermos comer o alface de R$ 10 - todos, no planeta - precisamos nos vestir como as pessoas que conseguiram sair da Matrix?

De certa forma, sim. Precisamos nos despir do que não é necessário, para podermos ter aquilo que é justo, correto e sustentável.
Ganhar um bilhão (ou mesmo um milhão) antes dos 30 anos (ou antes dos 40, dos 50 ou dos 60), não é sustentável para as outras pessoas. Ninguém precisa produzir um aplicativo que vire febre para um bilhão de pessoas.
Por isso o desenvolvedor do Flappy Bird encerrou o projeto.
Por isso o desenvolvedor do TRON, o sistema operacional mais usado no mundo, sempre o deixou em código aberto.
Enriquecer requer geração de pobreza.

Por isso, quando pensamos em produzir alimentos em larga escala, pensamos em agrotóxico. Produzir em larga escala sem agrotóxico é muito mais caro.
Mas então, precisamos produzir alimentos em larga escala? Ou precisamos de mais gente produzindo quantidades menores de alimentos?

Mas o que representa essa possibilidade? Ou: o que precisamos para que isso seja possível? Cada um plantar seu próprio alface? Como fazer isso, morando em cidades cheias de poluição, sem solo agriculturável?
E mais: sem que as pessoas sejam capazes de fazer isso por falta de habilidade e conhecimento.

Quem ainda tem uma máquina de costura em casa? Por que preferimos comprar roupas descartáveis, pagar mais caro por isso, se poderíamos fazer nossas próprias roupas em casa? Por que as pessoas se afastaram tanto da capacidade de produzirem sua própria autonomia, sua subsistência?
Ficamos perplexos com programas de TV a cabo que mostram um homem sobrevivendo às intempéries em uma floresta ou em uma montanha, mas mandamos o notebook para “formatar” o windows, sem sequer termos lido o manual para saber que bastaria apertar a tecla F10 após apertar o botão ON. E pagamos R$ 100,00 para alguém fazer uma coisa que demandaria apenas o premir de uma tecla!

Gostamos de gastar dinheiro.
Gostamos ainda mais de dizer que podemos gastar dinheiro e que aquele dinheiro dinheiro não nos vai fazer falta.

Mas para podermor fazer isso, precisamos ganhar mais.
E isso acontece com quase todo mundo: preferimos gastar R$ 30 mil em financiamentos e perdas na compra e venda de un veículo, ao invés de gastar apenas R$ 5 mil para consertar a central de injeção de um carro. Detalhe: muita gente faz isso e defende a reciclagem de seu lixo.
Se ela consertasse o carro, se o aproveitasse mais, poderia trabalhar menos e ganhar menos, e aprender a costurar ou a plantar legumes. Teria tempo para plantar esse legumes e educar melhor seus filhos.

Mas isso tem um ônus: andar de carro “velho”.

Você pode até pensar que não se encaixa nesse processo todo, mas está enganado.
Somos todos parte de um todo.
Enquanto continuar pensando no dinheiro como vem pensando há anos, de pouco adianta você mesmo não matar filhotes de focas, separar o lixo, ou defender a diversidade.

A grande fábrica da pobreza, do racismo, da agressão ao meio ambiente, está no fato de que bilhões de pessoas acham que precisam de mais dinheiro do que realmente precisam.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Leis foram feitas para serem respeitadas. Ainda mais quando fazem sentido



O trânsito brasileiro é o espelho de nossa cultura como nação. O governo aciona embaixadas para salvar da condenação criminosos condenados em outros países. A nossa Justiça se abre para todo e qualquer recurso, mesmo em casos já julgados e condenados na instância mais alta do próprio Judiciário. Quando uma pessoa abre a boca para criticar a flacidez de nossas leis, logo é criticada por uma legião de cidadãos que acham que tudo é rigoroso demais, que tudo é duro demais. Mas no trânsito não é assim. Não tem mais mais mais. Quando maus motoristas, acostumados ao tudo pode, tudo é permitido de nossa cultura como nação, se deparam com postes, com outros carros na contramão, com obstáculos “colocados” no meio do caminho e se esbarram numa lei que nem os brasileiros com toda a sua brasilidade negativa conseguem suplantar: a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. É uma lei dura, mas é lei. Daí morrem e se matam mais de 60 mil pessoas por ano, todos os anos, vítimas da nossa estupidez, da nossa falta de bom senso, nosso descaso com educação. Se soubéssemos respeitar leis, sofreríamos menos.

domingo, 12 de abril de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Quando o lucro é ofensivo e quando o lucro envaidece

Vejam os ícones simétricos do iPhone e os assimétricos do Android. Acham que isso não conta?

Não é difícil o lucro ser ofensivo para quem é explorado. Mas é estranho quando o lucro ofensivo não ofende, mas, na verdade, envaidece.
Recentemente, um executivo da Motorola, e resposta a um executivo da Apple, disse que os preços praticados pela empresa da maçã são abusivos. O que ele quis dizer com isso? Simples: o executivo da Motorola sabe quanto custa PRODUZIR um smartphone e reconhece que os preços finais dos iPhones reservam talvez a maior margem de "gordura" do mercado.
Por esse motivo que a Apple apresentou a maior margem de lucro (em 2014) que qualquer outra empresa aberta tenha registrado na história da economia moderna.
Acredito que todos reconhecem que o mercado digital mudou o mundo de 2006 para cá. Foi o ano em que a Apple afirmou ter reinventado o smartphone. Reinventado, sim, pois esse produto já existia. Fazendo as mesmas coisas, talvez com menos beleza
Beleza seria a palavra chave do sucesso do iPhone. Ele não é apenas bonito fisicamente, mas o sistema operacional dele tinha um visual muito mais bonito e agradável que os concorrentes.
O Symbian era terrível, parecia ter sido feito por um estudante de design ainda atuando como estagiário. O Android levou anos para melhorar, e mesmo agora no Lollipop continua cometendo o mesmo erro de sempre (na minha opinião).
O Windows Phone é elegante, mas deveria ter opção para eliminar os movimentos de transição de tela, pois em determinado momento tornam-se cansativos.
Se eu pudesse fazer uma sugestão aos CEOs que mandam algo no Android, eu diria para que fizessem ícones simétricos. Como os quadradinhos do iPhone antes da mudança radical de layout mais recente. Vi muita gente reclamar de como ficou.
Beleza, no final das contas, no mercado de smartphone, conta muito, e não apenas do aparelho. Por essa beleza é que os usuários do iPhone pagam mais caro por hardwares que não valem o preço que cobram. É como comprar camisetas de malha, de Griffe, por preços de três ou quatro dígitos.

domingo, 13 de julho de 2014

Bola de cristal

Deixa eu ver se entendi direito.
Uma quadrilha roubou quase Cem milhões em equipamentos de uma fábrica da Samsung aqui no Brasil. Mantiveram dezenas de pessoas Como reféns na fábrica após uma invasão rápida e bem sucedida.
Ação planejada, certo?
Para Carregar os equipamentos eles usaram Oito caminhões.
Caminhões que foram previamente roubados.
Quanto tempo levaram para planejar essa Operação?
Conseguir armamento pesado, roubar os Caminhões, descobrir as fragilidades da segurança da fábrica...
Com tudo isso, não foram presos antes de Roubarem a fábrica.
Agora gostaria que me explicassem Como a Polícia que não Consegue impedir uma operação como essa vem prendendo pessoas que querem fazer uma manifestação de descontentamento em relação ao governo.
Prendam ANTES da manifestação porque dizem que essas pessoas vão cometer atos de Violência.
Vão cometer?
Estão grampeando essas pessoas em seus telefones e na Internet.
Mas não grampeiam bandidos.
Eu compartilhei um video incitando o protesto.
Eu serei preso?
Essas Cenas lembram o filme Minority Report.
Mas no filme queriam impedir Assassinatos.
Aqui estão aplicando esforços para impedir protestos.
O governo do Partido dos Trabalhadores, dito de Esquerda, está se dedicando a impedir protestos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O colapso do futebol brasileiro

Antes dos jogos da Copa do Mundo do Brasil começarem, eu já tinha a sensação de que iríamos fracassar.
O problema nunca foi time. Temos jogadores fantásticos. O nosso problema é que não temos equipe, e isso não deveria ser novidade para ninguém.
Perdemos para uma equipe de verdade, mas passamos apertos para equipes com jogadores até mais fracos que os nossos. Chegamos longe nesta Copa. Mais longe do que merecíamos.
O resultado do jogo de ontem foi um reflexo, no campo, de nossa sociedade.
A Seleção Brasileira, de fato, é um microcosmo de nossa sociedade.
Ontem, no dia do jogo, três fatos me fizeram pensar sobre isso.
O primeiro foi no trânsito.
Fiz uma curva e dei de cara com um carro na contramão. O motorista estava acabando de sair do estacionamento e ao invés de dar a volta na quadra, preferiu pegar a contramão... numa curva.
O segundo foi num estacionamento.
Um motorista na contramão teimava que eu - que estava não correta - deveria dar a ré para ele passar. Simplesmente porque ele não queria dar a volta completa no estacionamento. Obviamente não arredei pé e o motorista teve que fazer o certo - contra a vontade.
O terceiro fato foi mais vergonhoso. Ocorreu num supermercado.
Estava na fila do caixa. Na minha frente, uma senhora bem vestida, com um carrinho cheio de compras. Ela tomou um iogurte e comeu um chocolate e escondeu as embalagens em outro carrinho de compras vazio. Chegou a pegar uma revista numa gôndola para cobrir os vestígios da malandragem.
O meu erro foi não denunciar. Já estava cansado de lidar com gente individualista que só pensa em si própria.
Na contabilidade de uma loja como um supermercado já existe um percentual de perdas para roubos como aquele que eu presenciei. Esse percentual encarece os produtos na loja... para todos! Para quem rouba e para quem não rouba.
Essa é a nossa sociedade, individualista, sempre à cata de vantagens, de atalhos, de caminhos mais curtos. Sempre se negando a fazer o que deve ser feito para atingir os fins de forma correta.
Essa foi a nossa seleção, que ao  se ver sendo derrotada, ao invés de se estabilizar e jogar em equipe, começou a tentar cavar faltas e pênaltis, deslealmente.
Nossos jogadores são tão bons quanto os da Alemanha, da Argentina ou da Holanda. O problema é da falta da equipe, da falta de treinamento sério.

E isso tudo não é uma questão apenas de futebol, mas sim de como o brasileiro encara a vida, as dificuldades, a vida em sociedade.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Soldados da Borracha - uma injustiça nacional

Quem conhece a história dos Soldados da Borracha? Brasileiros que foram para a Amazônia sob comando dos governos do Brasil e dos EUA para extrair borracha para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
Dos 60 mil que foram enviados, morreram 35 mil antes da guerra acabar. Para se ter uma ideia, morreram menos de 500 soldados brasileiros na Europa, nos combates. Confira a injustiça que estão querendo cometer com esses homens, mantendo eles no anonimato. Leia na reportagem abaixo:



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Meu Tom Clancy favorito

Morreu Tom Clancy, um grande autor. Sei que estou um pouco atrasado mas acontece que estou numa espécie de caravana no interior da Amazônia e a internet não ajudou muito. Agora encontro tempo para lidar com esse assunto. Clancy foi um grande autor. Leio seus livros com gosto, sem me preocupar se são americanófilos, pois tenho minha opinião mais do que formada sobre o assunto. O que sempre me agradou em Clancy foi a forma que sOube lidar com alguns ingredientes ditos básicos do romance de espionagem. O apego aos detalhes, necessário para o tal pacto de Veracidade, sempre teve uma grande funcionalidade em relação à trama. Ele não era dedicado ao detalhe pelo detalhe, como vemos fazer muitos autores. Se Clancy falava das fortes chuvas sobre uma floresta, e o embarque de toras ainda verdes, e do comprimento de uma corrente, era Para explicar como a tora ia inchar, para em seguida romper a corrente, Cair no mar e bater na vela de um submarino. O amassado no casca seria, então, responsável por denunciar posteriormente a embarcação através do sonar Inimigo.
É interessante também como Clancy, mesmo sendo considerado americanófilo, sempre preocupou-se em Colorir seus vilões japoneses, chineses, russos, árabes, com os tons amargos da vingança. E não seria a vingança a motivação de tantos herois? Não foi um dos maiores sucessos do ano passado, no cinema, e filme Os Vingadores? Em Executive Orders ele cita em Um trecho que um comandante americano solta as coleiras de seus soldados matadores. Curiosamente a tradução brasileira Ameniza a Comparação dos soldados com bestas. Interessante, não?
Para mim, Tom Clancy não foi apenas um escritor responsável por renovar o romance de espionagem. Foi o cara que me impulsionou para um mestrado sobre o gênero. E sobre ele, tenho uma história Curiosa.
No afã de obter entrevistas interessantes para minha dissertação, procurei o email de Tom Clancy. Achei Um endereço em um site que afirmava ser aquele o verdadeiro. Entrei em contato. Após semanas, recebi uma resposta. Conversamos sobre seus livros e minhas Ideias para livros. Conversamos sobre política internacional, etc. Até que certo momento eu Precisava de uma confirmação de que ele era realmente Tom Clancy. Ele simplesmente disse: Você ainda tem dúvida?
Claro que eu tinha dúvida. Até onde eu sabia poderia estar Conversando com outro fã do autor, alguém tirando onda de minha cara.
Discutimos e ele nunca mais voltou a falar comigo. Nem preciso dizer que fui grosseiro e ele, um gentleman. Curioso é que na semana passada Estava recordando esse episódio. Lembrava quando tentava explicar alguma coisa em inglês e ele me corrigiu com um ar um tanto quanto pedante. Pedi desculpas, afirmando não ser um "native speaker".
Imediatamente ele pediu desculpas, também: "Eu é que tenho que me desculpar. Você escreve muito satisfatoriamente em inglês. Eu é que não sei uma vírgula de português".
Se esse era realmente Tom Clancy, nunca vou saber. Mas gosto de pensar que era ele mesmo.