segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Informações e contra informações em Missão Pré-Sal 2025


Missão Pré-Sal 2025
Romance de espionagem de Vivianne Gebber
Editora Record, 2015


O primeiro romance de um autor, em geral, é uma obra que revela uma transição bastante clara. Uma pessoa deixa de ser mera leitora, e se transforma em contadora de histórias. Missão Pré-Sal 2025 é a obra de transição da advogada Vivianne Geber. Militar da Marinha de Guerra do Brasil e fã de Tom Clancy e Frederick Forsyth, entre outros, Vivianne tem uma trajetória muito parecida com a de muitos autores iniciantes ou ainda não publicados. Dividida entre as vidas pessoal, profissional, e o desejo de contar uma história, a militar administrou seu tempo livre e começou a escrever sem saber ao certo onde iria chegar.
Com o original pronto no computador, passou a procurar editoras e agentes literários. Deparou-se com uma agente que - de cara - aprovou seu projeto e comprou a briga. Em pouco tempo, Vivianne deixava ser unicamente leitora e tornou-se autora de um romance de espionagem publicado pela Record.
Missão Pré-Sal 2025 é resultado de trabalho de pesquisa, vivências pessoais na Marinha de Guerra e no Exterior, e - principalmente - do esforço de tecer uma trama, que é o ofício do escritor. No romance, Vivianne conta a história de um oficial da Marinha, Rodolfo Ruppel, enviado para a Inglaterra com uma dupla missão: a oficial, relacionada à aquisição de tecnologia naval dentro de um acordo comercial, e uma missão encoberta.

Ruppel tem que evitar que um projeto secreto de um submarino vá parar em mãos de empresas que possam - de uma tacada só - inutilizar um segredo de um projeto militar inovador completamente brasileiro e, ainda por cima, lucrar rios de dinheiro com isso. Mas onde está esse projeto? Quem fez com que tais esquemas vazassem dos centros de pesquisa da Marinha Brasileira?
Vivianne Geber procura enredar o leitor em um jogo em que informações são reveladas em um momento para - em seguida - serem questionadas. A intenção, como autora de romance de espionagem, é usar a dissimulação para que o leitor se questione acerca da verdade.
O que é realidade nas operações em que Ruppel está envolvido? Seus superiores estão dizendo a verdade? Seu contato na Inglaterra é confiável?

LEIA A RESENHA COMPLETA E ENTREVISTA COM A AUTORA:
http://textosecreto.wix.com/editoratextosecreto#!Informa%C3%A7%C3%B5es-e-contra-informa%C3%A7%C3%B5es-em-Miss%C3%A3o-Pr%C3%A9Sal-2025/cu6k/56d50be00cf20d226f193452

Uma operação do SNI no Chifre da África

Saddam Hussein precisava de material físsil. Em seus planos estava a construção de uma bomba nuclear. O Brasil fornecia o que o Iraque precisava, mas interesses estrangeiros começam a pressionar o país. O governo militar busca um meio de burlar a vigilância a Agência Internacional de Energia Nuclear e incumbe seu serviço secreto, o SNI, de criar uma frente africana para fornecimento de urânio para o seu cliente do Oriente Médio.

A guerra entre Etiópia e Somália chegava ao fim. Centenas de órfãos de famílias somalis em território etíope são entregues a uma missão religiosa. Marie Helene, uma das missionárias, assume para si a responsabilidade de levar as crianças para encontrar seus familiares, na Somália. Uma guerrilha etíope, para os quais a guerra ainda não acabou, não concorda com a decisão dos religiosos.
Ao mesmo tempo, na Somália, agentes do SNI chegam no país com a missão de prospectar urânio para entregar, sem que ninguém saiba, ao governo de Saddam Hussein.
Agentes do Mossad são infiltrados na região com o objetivo de frustrar os planos dos brasileiros. Para isso, eles vão fazer o que for necessário, mesmo que isso signifique bater de frente com o agente local da CIA ou usar a população local contra os brasileiros.
Durante um vôo sobre a fronteira entre Somália e Etiópia, para levantar dados para a mineração de urânio, um incidente militar coloca os espiões brasileiros em confronto direto com os israelenses e uma milícia etíope prestes a executar os órfãos que Marie Helene tenta, desesperadamente, salvar.
É a hora dos espiões decidirem em qual guerra vão realmente lutar.
Este é o enredo de Fronteira, romance de espionagem publicado em 2009.

Espionagem, guerra e caça ao tesouro no Iraque

Imagine um local onde ao cavar seu quintal para instalar uma piscina, você corre o risco de encontrar um tesouro arqueológico. Esse lugar existe.

No início dos anos 80, um grupo de brasileiros foi para esse lugar participar da construção de uma usina nuclear. A obra ia de vento em popa, quando aviões israelenses lançaram toneladas e explosivos no local.
Quase 10 anos depois, o mundo inteiro observa a iminente explosão da primeira Guerra do Golfo.
Em meio ao cerco da coalizão ao Iraque, um agente da CIA descobre que um coronel iraquiano está tentando contrabandear algo escavado dos destroços da usina nucelar destruída e desertar do Exército de Saddam Hussein.
Ao mesmo tempo, o grupo de brasileiros que haviam trabalhado naquela mesma usina arrisca todas as suas fichas no caminho inverso que todas as delegações estrangeiras estão fazendo no Iraque - enquanto todos querem sair, eles querem entrar.
Este é o ponto de partida de Souvenir Iraquiano, romance de espionagem publicado em 2005.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Informação e apuração - verdade e mentira na imprensa/internet

O jornalista Bob Woodward tornou-se mundialmente conhecido por ter participado da investigação que revelou o Escândalo de Watergate. O caso, no qual trabalhou em parceria com o colega Carl Bernstein, provocou a renúncia do presidente Richard Nixon, no distante ano de 1974.
Woodward escreveu um livro chamado Veil, as Guerras Secretas da CIA, que aborda uma época conturbada da agência de inteligência norte-americana, no período de 1981 a 87, sob o comando de William Casey.

Em um determinado trecho, o livro narra um momento em que o então presidente Ronald Reagan pede um relatório a Casey, com informações sobre ações terroristas espalhadas pelo globo. Casey aciona uma equipe da agência para produzir o material.
Quando pronto, o relatório é avaliado por Casey e outras pessoas, antes de ser levado para Reagan.
Infelizmente, o trabalho tem que ser refeito.
Várias pessoas na sala de Casey ficam surpresas. "Qual seria o motivo?"
Parte da pesquisa havia sido baseada em clipagem de jornais europeus com matérias sobre ações de grupos extremistas.
Acontece que muitas daquelas reportagens eram invenções da própria CIA plantadas na imprensa europeia. Logo, não poderiam ser levadas em conta em uma análise séria para ser jogada na mesa de Reagan.
E o trabalho teve que ser refeito.
Detalhe interessante da história: Não havia internet na época.
Culpar a internet pela desinformação. Os desinformantes são culpados pela desinformação.
E, no final das contas, levando em consideração o exemplo acima, cobrar de simples mortais apuração sobre informações que encontram na imprensa, na internet, ou onde quer que seja, às vezes pode ser pedir demais.
(Já pensou que esse exemplo pode não ser verdade?)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Idiota e o Prêmio Nobel

O idiota e prêmio Nobel. Um tem sua voz sacralizada pelo cânone, pelo peso inquestionável da reprodutibilidade aplicada na consagração e distribuição de suas ideias. O outro, por encontrar eco entre iguais (e até entre os não tão iguais assim). Se por um bom tempo o certo, o justo e o inquestionável era definido pela afirmação que ganhava o aval do fotolito e das rotativas (que raramente se movem para avalisar idiotas), hoje a velocidade e a ramificação digital oportunizam que o idiota consiga, em um dia - ou menos - espraiar seu ponto de vista a um número maior que a tiragem dos dois ou três maiores jornais do mundo juntos. Se um dia o jugo da cultura e do conhecimento dependentes de um ferramental técnico fora do alcance das massas (dos idiotas?) foi questionado, hoje, o que se pensa do efeito libertador da internet?
Que a libertação foi negativa?
Que ultrapassar as barreiras do dispendioso tangível condena a humanidade ao fracasso como civilização?
Nelson Rodrigues (tomo emprestada a citação) descreve a situação: “Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. Criou-se uma situação realmente trágica – ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.
Mas a situação pode ser descrita apenas como Eco e Nelson Rodrigues estabelecem? A ascensão do idiota não pode ser considerada a liberdade intelectual das massas, que enxerga não mais paradigmas naquilo que a inteligentsia definiu como digno de ser publicado ou avalisado?
Haveria um pouco de dor de cotovelo dos publicáveis quando viram que a sociedade está se libertando da prisão do “publicável”?
Tomemos o movimento artístico do início do século passado, a vanguarda, a arte moderna, estabelecendo que a arte burguesa não devia ser tomada como fôrma e limite da arte. Que TODOS tinham a arte em si e o direito de se expressar artisticamente não cabia apenas a elementos artistas profissionais. Daí veio o rabisco como arte….
Não vivemos um momento parecido? Não estamos exatamente questionando de quem é o direito de se afirmar pensador da civilização? Não estamos aqui movidos pela discussão sobre o idiota que se sente livre para “pensar” sem as definições do prêmio Nobel?
Voltando à Vanguarda artística, o movimento que quis democratizar e popularizar a arte acabou se elitizando novamente. Quando disseram que qualquer rabisco poderia ser arte, não estavam dizendo que apenas o rabisco DE ALGUNS valeria como arte.
Mas foi o que aconteceu.
E, por mais que os chamados idiotas tenham essa sensação, essa “embriaguez da onipotência numérica”, eles continuam presos à insignificância, pois não terão o “check”, o “visto”, o aval da intelligentsia.
Esta, pode ter se assustado, mas sua capacidade de se adaptar e voltar a impor suas limitações ao pensamento coletivo são infinitas.
Já estamos vendo isso acontecer.
Liberdade de expressão demais também dá trabalho.
É mais fácil quando tudo já vem julgado e empacotado para consumo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Espionagem, policial e suspense. Você escreveu um livro de algum desses gêneros?

Se a resposta é sim, conheça a Editora Texto Secreto.
O propósito da editora é unir autores estreantes para trabalhar promoção de uma forma mais intensa.
Isso porque não basta publicar e fazer um site.
É preciso divulgação, distribuição e todo um trabalho para mostrar que a produção nacional de romances policiais, de suspense e espionagem chegou para ficar.
Faça uma visita: www.textosecreto.com.br


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Texto Secreto: Policial, Suspense e Espionagem no mesmo lugar, de um mesmo lugar

O X da questão
Os gêneros de literatura Policial, Suspense e Espionagem são amados em todo o mundo. As tiragens são contadas em milhões de exemplares e cada vez mais títulos têm seus direitos vendidos para se transformarem em produções de cinema e televisão.
Nós mesmos, no Brasil, somos grandes consumidores desses gêneros.
No entanto, nossos autores estão longe das listas dos livros mais vendidos.
Isso não acontece porque produzimos poucos livros de tramas policiais, de suspense ou espionagem.
Isso acontece porque o leitor não consome a produção nacional desses gêneros.

Onde está o leitor?
Estudos mostram que boa parte do público que lê e assiste cinema e TV tem – de verdade – preconceito com a nossa produção.
Vários autores já tiveram que adotar pseudônimos estrangeiros e contar histórias passadas em outros países para poder emplacar seus livros.
Usando nomes “brasileiros” (dos autores e dos personagens), eles não têm sucesso, não têm leitores. Os autores sabem disso, os editores sabem disso, o mercado sabe disso.
Isso, bem devagar, está mudando.
Como acelerar esta mudança?

Como fazer este desvio?
O primeiro passo, a Editora Texto Secreto quer dar junto com você, que escreve nos gêneros Policial, Suspense e Espionagem: Aumentar nossa força através da união.
Muita gente já descobriu a facilidade de publicar um livro na atualidade.
Mas o problema não é apenas publicar.
E o problema não é, tão pouco, distribuir os livros.
O grande problema é fazer com que o público tenha seu interesse para seu livro.
E esta não é uma preocupação apenas sua.
Tenha certeza disso, você não está sozinho(a).

O sucesso é um desafio coletivo
Então vamos recapitular:
  1. os gêneros de suspense, policial e espionagem fazem sucesso no mundo todo, e o Brasil não fica de fora;
  2. estamos produzindo bastante nesses gêneros, mas sem grande reconhecimento;
  3. o mercado sabe que autores brasileiros muitas vezes precisaram usar pseudônimos estrangeiros para poder vender
  4. precisamos abrir o mercado para nossos autores.
O nosso sucesso, como autores e editores de suspense, policial e espionagem está na venda dos livros, de seus direitos para cinema, na expansão deste mercado.
Para vender, precisamos de notoriedade.
Em tempos de internet, muitos têm a impressão de que basta estar online para conseguir popularidade. Não é bem assim. Estar online é garantia de estar acessível. Não é garantia de mais nada.
A divulgação é este desafio coletivo.

A lógica da andorinha
O ditado é mais antigo do que andar para frente, mas funciona. No entanto, a Texto Secreto quer mostrar um modo eficiente de colocar isso em prática.
Um autor divulgar seu livro é algo muito óbvio. Mas não tem credibilidade.
O que vende livro é opinião. E quanto mais a gente acredita em quem dá a opinião sobre um livro, mais chance de comprarmos esse livro ou falarmos dele.
Quem faz esse papel no Brasil hoje em dia, na grande mídia, nos canais de comunicação de massa?
Talvez bem menos gente do que gostaríamos.
Precisamos preencher esse espaço.
A ideia de uma editora trabalhando exclusivamente nestes gêneros, reunindo dezenas e talvez centenas de autores brasileiros, é a base de nossa força. Uma editora construída por todos, conferindo credibilidade e força para cada livro publicado.

Vamos juntos encarar este desafio?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Abre alas para o cinemão brasileiro


Resenha do filme Reza a Lenda


Quando assisto um filme de aventura, de ação, eu gosto de prestar atenção às armas. Acho que a escolha das armas diz muito sobre como a produção quer tratar o público que está acostumado com o gênero – os insiders. Reza a Lenda passa por esse teste. E passa por mais testes. Acabei de voltar do cinema e não consigo parar de pensar nas possibilidades que esse filme abre para o cinema nacional.

Quando é que alguém, há 10 ou 20 anos, iria imaginar um filme brasileiro em que alguém usasse uma minigun (uma metralhadora no estilo Gatling, uma M134, calibre 7,62 com barragem de tiro traçante) uma arma típica de filmes de guerra estilo Vietnã, filmes de Rambo ou Schwarzenegger?

Estávamos no auge da herança cinemanovista/nouvelle vagueriana de Glauber Rocha, com seus herdeiros destilando veneno contra o cinemão norte-americano, dizendo que a sétima arte tinha como única função doutrinar o proletariado na luta de classes. O que escapava disso eram os agraciados pela Embrafilme torrando dinheiro público na loteria de ganhar prêmios de crítica. Público? Nem pensar! Fazia-se filme para os amigos.

E enquanto o cinema brasileiro havia virado um clube de intelectuais engajados, o cinema norte-americano doutrinava o mundo e... quem diria, os brasileiros.

Acontece que o público, no final das contas, move o cinema. Os franceses, que inventaram a Nouvelle Vague e tornaram o termo “filme francês” um sinônimo de “filme hermético, cabeça, autoral”, acabaram descobrindo que nem só os americanos podiam fazer histórias de alcance universal.

Os heróis de capa e espada, de pistola na cintura e chicote na mão não eram propriedade exclusiva do cinema norte-americano. Descobriu-se que a aventura, a ação, era coisa de seres humanos contando histórias de suas caçadas de mamutes, os dramas vividos na guerra, as lutas contra os clãs do outro lado da montanha. Com isso, o cinema francês foi um dos primeiros a mandar às favas o preconceito de fazer cinemão.

Hoje em dia, no Brasil, depois de Tropa de Elite 1 e 2, 2 Coelhos, Federal, Segurança Nacional, Operações Especiais, estreia Reza a Lenda e bota o pau na mesa e diz: “podemos fazer filme de ação, ter heróis falando em português, reinventar a realidade e – sim – divertir bastante”.

O diretor Homero Olivetto, que divide o roteiro com Patrícia Andrade e Newton Canitto, entregou um filme enxuto, vigoroso e empolgante. Cada integrante da produção, dos roteiristas ao iluminador, figurinista, o que quer que seja, está de parabéns porque fez história.

E por que fez história? Isso é um exagero? Não, pois o filme realmente será considerado um divisor de águas, a obra que separa o tempo em que realizadores se obrigavam a entregar um trabalho que tivesse cunho social, que fosse necessariamente moralmente ambíguo e tivesse qualidade técnica aceitável.

1.       Reza a Lenda não é moralmente ambíguo: a linha que divide mocinho e bandido, protagonista e antagonista, é clara. Nada de ficar justificando que o protagonista é um anti-heroi, mimimi, etc. Ara, vivido por Cauã Reymond é um herói, e ponto final.

2.       Reza a Lenda pincela uma preocupação social, mas não é didático, não é engajado. O drama social está lá pelo mesmo motivo que as crianças estão trabalhando escravizadas em túneis em Indiana Jones e o Templo da Perdição: está lá para ser tratado como vítima, para existir algo que o herói deva salvar.

3.       Tem uma baita qualidade técnica. E a minigun (mais uma vez) se encaixa neste quesito. Qualidade técnica é respeito com o público.

Apesar de todos os seus pontos positivos, Reza a Lenda tem um defeito: ser um dos primeiros filmes do gênero no Brasil. Como primeiro a chegar, causa estranheza, bate de frente com um público acostumado a ver heróis que se chamam Jack, Thomas, e que se digladiam com inimigos em cenários estranhos para nós, vivendo dramas que às vezes nem sabemos se realmente existem, mas acabamos acreditando por estarmos acostumados a isso.

Como tive a honra de falar ao próprio Homero Olivetto, em conversa após ter saído do cinema, o boca a boca vai fazer a carreira de Reza a Lenda. A resistência ao produto nacional vai cair a cada pessoa que assistir o filme e sair de lá dizendo: “Caramba, não é que é bom mesmo??? Não é que eu me diverti mesmo? Não é que não fica nada devendo a filmes estrangeiros do mesmo gênero e patamar de produção?”

Assim, Reza a Lenda vai ocupar seu espaço, cumprir sua missão de abre alas do nosso cinemão, que já está se especializando em comédias e tem mostrado bons resultados em filmes policiais (apesar de serem, por enquanto, de uma nota só, com uma mesma temática).

Como já se dizia, no final do século passado, reza a lenda que o cinema brasileiro ainda vai ter herois. Quem sabe eles possam ajudar a formar uma sociedade menos ambígua, com uma linha mais clara entre o que é certo e o que é errado. Pois é. Reza a lenda...

Debate sobre o cinema de gênero no Brasil

Acredito realmente que um dos grandes entraves para esse cinema de gênero é a dificuldade de criação de um pacto de veracidade da trama com o público. Os norte americanos não têm mais esse problema porque de antemão o público ja considera que o universo do thriller, da ação, da fantasia e da aventura é deles - a praia deles. Passei por isso ao escrever Souvenir Iraquiano e Fronteira, romances de espionagem completamente vividos por personagens brasileiros em tramas das quais realmente participamos. Mesmo assim vi muita gente torcer o nariz pela simples "ousadia" de penetrar nesse feudo anglo-saxonico.
Na dissertação de mestrado "Uma Spy Story brasileira? Leitura de A Última Viagem do Lobo Cinzento", procurei tratar do assunto, afunilando a discussão para o romance de espionagem.
Acredito que bastante coisa que enumerei neste trabalho pode ajudar a levantar a discussão no mesmo tom, mas sobre os gêneros policial, de fantasia, ficção científica, aventura e ação.
Boa leitura!

Clique no link abaixo para entrar na página do Google+ onde está o PDF
https://plus.google.com/113020035325910226823/posts/U7D73yJgKnU

domingo, 11 de outubro de 2015

que tal repensar o nosso conceito de sucesso?

Cada vez mais pessoas estão se dando conta de que o modelo de sucesso que servia para nossos avós e nossos pais não funcionam mais para uma civilização com mais de 7 bilhões de pessoas.
Mas como isso acontece?
Qual é o processo de dar-se conta de que alguma coisa mudou?
Como essa possibilidade de um novo conceito de mundo se manifesta no campo das ideias?
O quanto a internet tem a ver com isso? Mudemos a frase: o quanto a possibilidade das pessoas se comunicarem de forma mais eficiente tem a ver com isso?

Podemos começar com um questinonamento acerca de uma ideia antiga: É bom ser rico.

Isso não foi uma pergunta, mas sim uma afirmação, pois, de fato, é nisso que a maioria das pessoas do planeta sempre acreditaram, desde que o mundo é mundo.
Cabe, hoje, à luz do que sabemos e do que temos sobre a mesa, colocar um ponto de interrogação no final da frase:
  • É bom ser rico?

Talvez a melhor forma de começarmos a responder a essa (agora) pergunta, considerando como era a justificativa para a antiga afirmação:
  • Ser rico é bom porque podemos fazer o que quisermos. Temos poder e um manancial inesgotável de recursos.
Isso é verdade?

Bem, talvez em um mundo com menos pessoas, com uma interligação menor entre as pessoas, isso fosse o suficiente. Mas hoje, quando ao ligarmos a TV, a internet, vemos que no outro lado do planeta, ou no final da rua do nosso bairro, existe gente se matando por um prato de comida, por um par de chinelos, devemos repensar a justificativa acima, pela simples constatação de que o acúmulo de capital só acontece quando esse mesmo capital deixa de ir para as mãos de muitos para se aglutinar nas mãos de poucos.
Logo, a carapuça se ajusta perfeitamente bem naquele que percebe que sua riqueza é o motivo da pobreza dos outros.
Mas é difícil afirmar que o dinheiro que está na conta bancária de A seja exatamente o dinheiro que não está no bolso de B, C, D e E.
Óbvio que não. O dinheiro é fluido demais, e segue por caminhos diversos até ser acumulado por alguém.
Mas poderíamos dizer que eu não tenho uma casa própria porque parte do meu dinheiro está no bolso do Bill Gates, dos Oddebrecht ou até mesmo no bolso do meu vizinho que tem um carro que custa o dobro do meu?

Esse questionamento é antigo. Em parte, sua análise já rendeu o manifesto comunista, a revolução francesa e outros tipos de ações de luta entre classes (mesmo que ações mentais). O que podemos ter hoje é uma nova visão, compartilhada, de que precisamos encontrar uma saída para isso.

Mas vejamos uma analogia:
Perguta: quem quer comer alface com agrotóxico?
Resposta: ninguém.
Pergunta: então vamos abolir o agrotóxico em escala mundial e adotar a hidroponia e o cultivo orgânico.
Resposta: sim! Isso que queremos.
Pergunta: está disposto a pagar R$ 10,00 por um alface?
Resposta: sim, eu posso pagar por isso
Pergunta: a questão não é que você pode pagar por isso, mas sim que hoje tem gente que não pode pagar R$ 1,50 pelo alface feito em larga escala com agrotóxicos, como vão pagar pelo orgânico de R$ 10?

Ou seja, as soluções não são tão simples, e os conceitos intrínsecos a um novo mundo, melhor, mais saudável, mais justo e mais ecológico não se aplica a todos. nem todos podem pagar por esse futuro. E não é exatamete isso que queremos resolver?

Vejamos outro ponto: os jovens empreendedores, cheios de ideias progressistas, humanitárias, includentes, etc, busca recursos para suas startups poderem… bombar na internet e fazê-los ganhar o primeiro bilhão antes dos 30 anos.
Mas de onde vem esse bilhão?
Ah sim, de um bilhão de pessoas comprando seus aplicativos de internet baratinhos, a R$ 1,50.
Tomar um pouquinho de cada um em escala global te faz um melhor capitalista?

Vejamos, então:
  • queremos um mundo novo, mas esse mundo novo é caro.
  • queremos uma forma nova de interagir com a economia, mas continuamos querendo acumular e pegar o pouco que o outro tem.
  • mas por que ter mais do que precisamos?
  • e se nos contentarmos com pouco, será que poderemos comprar o alface biodinâmico de R$ 10?

Matrix, no início desse século, fez um grande sucesso no cinema. (a partir deste momento, é bom que você tenha visto o filme).
Marcou época com seus efeitos especiais, mas o mais importante do filme é o seu conceito de sociedade.
Somos pilhas, sendo exploradas por um sistema.
Esse sistema nos adula, permitindo que nos achemos mais bonitos, mais na moda, mais cool, mas nos explora.
Basta ver as roupas super fashion dos personagens dentro da Matrix.

Ao romper com o sistema, como surgem os personagens no filme?
Estão aos farrapos.
Mas estão felizes.

Vamos conectar Matrix com as ideias expostas antes:
  • para podermos comer o alface de R$ 10 - todos, no planeta - precisamos nos vestir como as pessoas que conseguiram sair da Matrix?

De certa forma, sim. Precisamos nos despir do que não é necessário, para podermos ter aquilo que é justo, correto e sustentável.
Ganhar um bilhão (ou mesmo um milhão) antes dos 30 anos (ou antes dos 40, dos 50 ou dos 60), não é sustentável para as outras pessoas. Ninguém precisa produzir um aplicativo que vire febre para um bilhão de pessoas.
Por isso o desenvolvedor do Flappy Bird encerrou o projeto.
Por isso o desenvolvedor do TRON, o sistema operacional mais usado no mundo, sempre o deixou em código aberto.
Enriquecer requer geração de pobreza.

Por isso, quando pensamos em produzir alimentos em larga escala, pensamos em agrotóxico. Produzir em larga escala sem agrotóxico é muito mais caro.
Mas então, precisamos produzir alimentos em larga escala? Ou precisamos de mais gente produzindo quantidades menores de alimentos?

Mas o que representa essa possibilidade? Ou: o que precisamos para que isso seja possível? Cada um plantar seu próprio alface? Como fazer isso, morando em cidades cheias de poluição, sem solo agriculturável?
E mais: sem que as pessoas sejam capazes de fazer isso por falta de habilidade e conhecimento.

Quem ainda tem uma máquina de costura em casa? Por que preferimos comprar roupas descartáveis, pagar mais caro por isso, se poderíamos fazer nossas próprias roupas em casa? Por que as pessoas se afastaram tanto da capacidade de produzirem sua própria autonomia, sua subsistência?
Ficamos perplexos com programas de TV a cabo que mostram um homem sobrevivendo às intempéries em uma floresta ou em uma montanha, mas mandamos o notebook para “formatar” o windows, sem sequer termos lido o manual para saber que bastaria apertar a tecla F10 após apertar o botão ON. E pagamos R$ 100,00 para alguém fazer uma coisa que demandaria apenas o premir de uma tecla!

Gostamos de gastar dinheiro.
Gostamos ainda mais de dizer que podemos gastar dinheiro e que aquele dinheiro dinheiro não nos vai fazer falta.

Mas para podermor fazer isso, precisamos ganhar mais.
E isso acontece com quase todo mundo: preferimos gastar R$ 30 mil em financiamentos e perdas na compra e venda de un veículo, ao invés de gastar apenas R$ 5 mil para consertar a central de injeção de um carro. Detalhe: muita gente faz isso e defende a reciclagem de seu lixo.
Se ela consertasse o carro, se o aproveitasse mais, poderia trabalhar menos e ganhar menos, e aprender a costurar ou a plantar legumes. Teria tempo para plantar esse legumes e educar melhor seus filhos.

Mas isso tem um ônus: andar de carro “velho”.

Você pode até pensar que não se encaixa nesse processo todo, mas está enganado.
Somos todos parte de um todo.
Enquanto continuar pensando no dinheiro como vem pensando há anos, de pouco adianta você mesmo não matar filhotes de focas, separar o lixo, ou defender a diversidade.

A grande fábrica da pobreza, do racismo, da agressão ao meio ambiente, está no fato de que bilhões de pessoas acham que precisam de mais dinheiro do que realmente precisam.