sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Profissionais em ação
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Drogas sustentam o tráfico?
Dizer que o consumidor de drogas fomenta o tráfico não é mentira. A demanda existe, logo criam uma indústria. Se essa indústria alimenta a corrupção e a violência, isso não isenta a culpa de quem gera a demanda.
O consumidor pode dizer que o Estado erra ao não dar educação para que ninguém precise trabalhar para o tráfico, mas esse mesmo consumidor veria como a ausência no mercado do produto que ele quer? Ele pagaria mais, e isso alimentaria o mercado de qualquer jeito.
O consumidor critica o Estado por não dar educação para que ele próprio não tivesse chegado ao consumo? O Estado está aí para proteger o cidadão de si mesmo? O Gilmar Mendes acredita nisso e quer vetar a lei da Ficha Limpa por esse motivo.
Autoridades internacionais que combatem o tráfico há décadas dizem que não dá mais para continuar a repressão, que não funciona. A saída seria liberar, mas como, quando?
A meu ver, a liberação seria uma saída, mas não com as coisas do jeito que estão. É preciso reduzir a indústria, seu exército, seu arsenal. Caso contrário essa massa criminosa vai migrar imediatamente para outros "negócios" assim que o tráfico deixar de existir.
A demanda deve ser reduzida, o tráfico deve ser sufocado, a corrupção deve ser desmantelada a níveis aceitáveis - nunca serão erradicados, seria utopia.
Depois disso dá para falar em liberação, não enquanto traficantes estiverem armados com lança-foguetes, fuzis automáticos e granadas anticarro.
Forças especiais
É momento de cercar, de inserir forças especializadas, de eliminar as rotas de fornecimento de armas e munições, de tirar a droga da rua e fazer com que o crime mostre a sua cara de verdade. Quando a fonte de renda das ruas parar, a máquina vai ter que funcionar de uma outra forma. A mina de ouro das favelas e das periferias vai minguar e os caras vão ter que ir atrás de outra coisa. Por isso o cerco é importante.
Então a Polícia Federal entra na jogada exatamente para monitorar nos campos bancários, eletrônicos, como o dinheiro vai começar a rolar para que os verdadeiros chefes do narcotráfico tentem comprar as autoridades.
Esse é um bom começo.
O negócio é manter.
Tropa de Elite 3 - 3D
Se o governo do Rio quer ajuda do Exército, que solicite as tropas de elite do Exército, e não soldados conscritos, que seria ridículo. Sou completamente a favor do uso de COMANDOS, PARAQUEDISTAS e FORÇAS ESPECIAIS nessa situação. Esse pessoal precisa desse treinamento real, em guerrilha urbana.
A situação é de guerra, as armas e munições são de guerra e é preciso pessoal PROFISSIONAL para enfrentar esse exército de bandidos. Nossos FEs, PQDs e Comandos são muito bem treinados e está na hora de mostrarem seu valor.
Secretário de Segurança do Rio critica Exército
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HUDSON CORRÊA
DO RIO
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, criticou a postura do Exército diante dos ataques de criminosos na cidade.
Em entrevista nesta quinta-feira à Rádio CBN, ele elogiou a Marinha que forneceu carros, equipamentos e blindados para ações da Polícia Militar.
Questionado se o Exército forneceu alguma ajuda, Beltrame respondeu: "nada. E nem sei se está de prontidão [nos quartéis]. E nem sei do que adianta estar de prontidão. Essa é uma decisão do Exército. Não posso me meter nesta seara", afirmou.
"As condições que nós conseguimos, quem efetivamente ajudou a PM e vai fazer com que a PM alguma coisa à sociedade, essa Arma, foi a Marinha", acrescentou.
Para Beltrame, a Marinha "tomou uma decisão histórica. Algo inédito no sentido de nos apoiar com rádio comunicação, com viaturas, com blindados e com ônibus".
O governador Sérgio Cabral anunciou na noite de ontem ter obtido autorização do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que a Marinha fornecesse "apoio logístico", mas sem uso de militares na repressão aos traficantes.
No começo da manhã, seis blindados se deslocaram para a Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte, onde estão concentrados traficantes. "Esta é uma primeira dose. Estão indo para Vila Cruzeiro para transporte de tropas", afirmou o secretário.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Conto O Voo

Fiquei furioso este final de semana. Depois de escrever pelo menos 4 blocos do conto O Voo, gravei no memorystick instalado em meu Sony Vayo VGN380UX. Para meu desespero o arquivo ficou gravado, mas corrompido. Tentei incontáveis vezes abri-lo e não deu certo.
De volta ao texto, mas não vai dar para ser hoje.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Encerrando minha participação no tema herói brasileiro
Outro exemplo clássico, e que até comentei com o Bráulio Mantovani (que não gostou da comparação), é do personagem John Rambo, no segundo filme da série. Ele volta ao inferno, como diz o próprio slogan do filme, e reencontra um punhado de situações que mostram que o passado de guerra continua bem vivo. Pior que isso, ele se envolve novamente em combate, é preso, torturado e vê prisioneiros de guerra mantidos em condições sub-humanas há duas décadas. Quando foge trata de voltar e se vingar de seus algozes e salvar seus compatriotas. A cena em que ele retorna ao campo de concentração com um helicóptero cheio de armas e explode tudo é o clímax do filme. Assisti Rambo 2 algumas vezes no cinema e em todas as ocasiões esta cena foi aplaudida, com direito a urros da plateia. Vi críticos de cinema comentando que ficarem preocupados com a reação da platéia de Tropa de Elite 2 quando Nascimento desce o cacete no político corrupto. Realmente não entendi o comentário. Provavelmente eles não viram Rambo Il no cinema e tão pouco prestaram atenção ao filme de Padilha. Nascimento, naquela sequência está descarregando a raiva de um cara que é culpado por seu filho ter levado um tiro. O policial sabe que o cara é um político corrupto, como tantos outros que ele (assim com nós) já teve que suportar nos noticiários, vento enriquecer e escapar de lei. Deste forma, o crítico que fez tal comentário parece ter feito com um único objetivo: polemizar, mesmo que para isso tenha que dar um atestado de que não conhece a sociedade ao seu redor e que não tem a menor noção do que seja um mecanismo de catarse.
Daí eu questiono: se passamos décadas considerando heróis figuras cujos atos heróicos na verdade são questionáveis. Posto que em seus conflitos (do Bem contra o Mal) podem ter enfrentado um Mal que para nós era indiferente, porque agora questionamos se um personagem como Nascimento é herói ou não, simplesmente levando em conta seus métodos? Brasileiros aplaudiram efusivamente John Rambo em uma sequência em que ele desrespeita um punhado de regras do Código de Genebra ao vingar-se de um inimigo que nunca foi nosso. E por quê? Simplesmente porque nós o vimos sofrer, e o vimos passar por isso em desvantagem.
Quando o comandante Nascimento se vê em desvantagem, tanto quanto Rambo, ele é um homem tentando se virar no meio de um sistema (como ele mesmo gosta de falar) muito mais forte que ele. E adivinhe quem se encontra na mesma situação?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
E em "Fronteira", como é a heroína?
“Fronteira” nasceu de duas imagens: um avião alugado pelo SNI sendo metralhado ao sobrevoar a fronteira da Etiópia e da Somália; uma multidão de órfãos de guerra sendo levada da Etiópia para a Somália. A primeira imagem foi real, narrada pelo ótimo Roberto Lopes no livro “Rede de Intrigas”, que fala sobre a indústria bélica brasileira nos anos 70 (uma história recheada de um punhado de exageros). A segunda imagem era possível, fictícia.
Eu tinha, então, de um lado um grupo de agentes do SNI movidos parte por ideologia, parte por diárias polpudas que devem ter recebido por agir fora do País; do outro lado, alguém que conduzisse aquelas crianças em meio a um cenário perigoso.
No meio do caminho apareceram outros personagens, com destaque para o idealista agente do Mossad, que no afã de defender os interesses de Israel, não percebe que Israel estava armando um plano do qual ele não tinha noção.
Mas o foco aqui está em Marie Helene, uma missionária francesa que, na verdade, é brasileira, que mudou de identidade após fugir do Araguaia. Inquieta, foi parar na África, tentando, mais uma vez, ajudar alguém.
Ela criou-se praticamente sozinha e é uma heroína porque tenta fazer algo que é impossível: tentar vencer o ódio dos homens tempo o bastante para levar 250 crianças para um local que ela considera seguro.
Os agentes do SNI e o agente do Mossad não enxergam o mundo ao seu redor. Enxergam apenas o grande jogo da espionagem, que movimenta pessoas como se fossem peças em um tabuleiro. Por isso são frios, desconectados do mundo normal, onde os outros seres vivos vivem. Para eles o Bem e o Mal variam diariamente.
Dialético
E é exatamente isso o que acontece no romance de espionagem. Se você tomar por base qualquer livro de Tom Clancy, Ken Follet e outros, vê que o chamado “vilão” sempre tem sua motivação. Sua aldeia foi destruída, seus irmãos foram mortos ao tentarem atacar o grande império britânico ou americano, etc. Daí eles preparam um grande ataque secreto, traiçoeiro. Pois então? Eles não tinham seus motivos? Assim como o ataque às torres gêmeas foi um troco para décadas de uma política externa cruel e resultou em mais duas guerras. Onde fica o Bem e onde fica o Mal. Quem é o herói?
Voltando ao nosso herói Beto
Nas tramas policiais, como em Tropa de Elite 2, é fácil ver que existe um herói ali porque ele ataca aquilo que não apenas notoriamente é o Mal, mas algo com o qual todos nós concordamos que seja o Mal. E o herói vai e bate no mal. Para nós é o suficiente.
Os heróis e anti-heróis de meus livros
Posto isso sobre os heróis na ficção brasileira, especificamente o comandante Nascimento, de Bráulio Mantovani e José Padilha, em comparação com o herói na ficção estrangeira (anglo-saxônica, principalmente), quero falar aqui sobre a minha experiência com o tema.
Publiquei “Souvenir Iraquiano” em 2005 e “Fronteira” este ano. Ambos são romances de espionagem. Poderia dizer que os dois são resultado de um trabalho que comecei com o meu mestrado, em 2002, quando iniciei estudos sobre o Spy Fiction.
A vontade de escrever um romance nos moldes de Ken Follet, Tom Clancy e outros já existia, mas era complicado de conceber. Durante meus estudos passei a dar atenção a tramas que poderiam ser plausíveis dentro do imaginário brasileiro.
Não tinha como fazer uma história ao estilo James Bond ou com dramas de fim de mundo nuclear. Seria bobagem, ridículo até. O tal do Pacto da Veracidade que se estabelece entre um texto e o leitor, esse iria para as cucuias.
Daí eu resolvi pesquisar histórias que pudessem servir de ponto de partida, de pano de fundo. Daí surgiu a semente de “Souvenir Iraquiano”: relíquias sumérias sendo roubadas do Iraque pós-primeira guerra do Golfo.
Unir o tema à informação, que eu já conhecia, de que brasileiros trabalharam no Iraque na construção da usina nuclear de Osirak (e em muitos outros empreendimentos) foi um pulo. Não seria complicado fazer o link. Mas como ser plausível? Quem seria o herói dessa trama?
Comecei a escrever sem ter noção real de como seria. Tinha um início, um meio e um final, mas não o comportamento dos personagens. Por isso deixei solto. Não quis força a mão demais, e o personagem brasileiro, Luciano, engenheiro que trabalhou na usina e viu pessoas morrerem tentando roubar as relíquias que surgiam na escavação para a obra, tornou-se um herói titubeante, incapaz de agir por conta própria. Faltavam-lhe as ferramentas certas, estar no local certo. Tornou-se, de certa forma, um anti-herói que quer fazer algo. Mas isso porque o segundo protagonista, o coronel Fahed, um militar iraquiano que não agüentava mais a idéia de uma nova guerra no país (ele lutou na frente contra o Irã por oito anos), resolve deserdar e se revela o verdadeiro herói do livro.
O terceiro protagonista é um especialista em imagens de satélite que trabalha na CIA. É ele que descobre os planos de Fahed e, cansado dos baixos salários de funcionário público, decide armar um plano para uma aposentadoria gorda. Wittman, esse é seu nome, que acaba se delineando como o antagonista, o vilão.
Lidar com esse conflitos de valores dentro de uma literatura que ainda não se define em termos éticos o que é ou não é um herói, foi barra pesada....
(continuo depois falando de como delineei a heroína de “Fronteira”)
Mais sobre o herói Nascimento

Vasculhando na internet, encontrei uma entrevista na qual Bráulio Mantovani, o roteirista de Tropa 2, junto com José Padilha, afirmava que Beto Nascimento não era um herói, mas sim um anti-herói. Conversei com o Bráulio ontem mesmo e ele disse que concordava com o post abaixo sobre a matéria da Veja. Não sei se ele mudou de opinião ou quis me despachar, mas a verdade é que fica meio difícil afirmar que um personagem não é herói porque toma decisões que são eticamente discutíveis.
Nascimento tortura e mata, com certeza, mas ele não mata gratuitamente. Quem já pegou uma arma na mão e disse “alto” para alguém que não quis parar e ainda sacou uma pistola, sabe muito bem que não dá para ficar parado esperando o tiro chegar. Nos dois filmes,
o pessoal do Bope atira em quem está oferecendo resistência, em quem está atirando de volta com seus AK-47, Rugger M-14, AR-15 e outras armas de guerra.
O Bope, nos dois filmes, apela para a violência, no calor da batalha, para obter informações que podem custar a vida ou a morte de outras pessoas. Isso é atitude de herói ou de anti-herói ou de vilão?
Tudo depende do conceito de ética de cada um. Como disse no outro post, mais interessante do que saber se Nascimento é herói ou anti-herói, é saber como o brasileiro de um momento para o outro aceita o surgimento desse tipo de personagem.
Vi no Twitter alguém perguntando: “Como primeiro herói? E Macunaíma?”
Não dá para discutir. Macunaíma é certamente um anti-herói, como seria o Zé Carioca e tantos outros surgidos dentro da picaresca. Se faziam o bem, era por acaso. Na verdade pretendiam “se dar bem” mas acabavam fazendo o correto acidentalmente. Quando acontecia isso.
Nascimento pode ser comparado tranquilamente com o personagem Martin Riggs, da série Máquina Mortífera. Riggs atira para matar. Nascimento também. Riggs tem seus conflitos existenciais, assim como Nascimento. Riggs bebe pacas. Nascimento, talvez. Riggs fica puto com a corporação que serviu, no caso, o Exército Norte-americano, as forças especiais, qu
e deixou surgir um grupo de militares-traficantes que usavam a própria estrutura da guerra do Vietnã para ganhar milhões com o tráfico de heroína.
Coincidências?
Algumas. Riggs não enfrenta o “sistema”, mas o câncer localizado (estou me referindo ao primeiro Máquina Mortífera, que é um filme do cacete, muito melhor do que os 3 que vieram depois) e enfrenta como quem sai matando baratas. Duvido que alguém tenha cogitado pensar que Mel Gibson estivesse interpretando um anti-herói. E quantos bandidos ele mata? Quantas vezes ele é violento? Quantas pessoas espanca?
Citando os outros filmes seguintes, a violência de Marting Riggs vira até uma espécie de piada, e todo mundo ri.
No entanto, é na dramaticidade de sua violência que o cinema ganha uma das seqüências mais “Power” de sua existência, quando Martin Riggs e Roger Murtaugh conversam, ao lado de uma árvore de Natal, como vão fazer para vencer os bandidos. Mel Gibson, com sua voz grave diz:
“Vamos fazer do meu jeito. Quando você atira, atira para matar”
E na sequência seguinte temos uma verdadeira carnificina que é seguida por uma série de torturas a Riggs, que justificará todo o banho de sangue seguinte.
Talvez fosse isso que faltasse em Tropa de Elite para que não dissessem que Beto N

ascimento é um anti-herói. Ele não apanha. Assim como os personagens de Steven Seagal, ele bate pacas e não apanha nunca. Ele atira e não leva tiro.
Indiana Jones apanha até quase desmaiar antes de sair descendo o cacete. Nem se fala no caso do Duro de Matar John McClane. Eles justificam a violência.
Mas Beto Nascimento está aqui pertinho e não precisa justifica coisa nenhuma porque a sociedade está apanhando todos os dias, sendo assaltada, vendo seus filhos, maridos e namorados morrendo porque não tinham dinheiro no bolso na hora do assalto e vendo os traficantes matarem pessoas inocentes em seus “microondas”.
O público já sofre bastante com políticos corruptos, impostos altos (isso não é Brasil, é Nothingham!) e falcatruas. Beto Nascimento não precisa sofrer mais para justificar seus métodos.
Já o Steven Seagal precisaria!!! Aplaudi muito quando ele morreu em 15 minutos de filme em Executive Decision...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Vigilante Rodoviário
