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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jones Clancy ou Robinson Pereira?

“editoras que "publicam qualquer coisa" são uma necessidade no nosso mercado. Justamente porque o papel do agente é limitado. E são muitos poucos com penetração em editoras decentes. Por outro lado, os profissionais que selecionam autores nas grandes editoras têm olho bem comercial e bastante preconceito”

Concordo plenamente. As editoras costumam comprar traduções porque já foram testadas lá fora. Compram policiais, romances de espionagem, suspense, tudo “enlatado” e muito distante de nossa cultura. Isso gera um baita preconceito. O leitor acaba achando difícil. Quase impossível ver um romance de suspense que seja brasileiro, aos moldes do que ele gosta. E os autores estão por aí, tentando emplacar. Mas o mercado só tem olhos para rnedalhões, como se não tivesse necessidade de variedade, de títulos. Daí vai ter gente dizendo: mas tem o Belloto, tem Rubem Fonseca. Mas e a quantidade? Livro de bolso, pulp, o cara lê um por semana. Não temos autor pra tudo isso. Não produzindo, não vendendo.

Veja o caso do Ryore Inoue. Mil livros em alguns anos, recorde no guiness, escrevia mais de um por dia. Tudo com pseudônimo americano, pois ele escrevia faroeste, policial, guerra etc. Recebia uma mixaria por livro que vendiam como água.

E King Shelter? Era Pagu escrevendo histórias de detetive com pseudônimo. Se dissessem que era ela, quem ia comprar.

Tem ou não tem preconceito?

Quem é autor de romance de espionagem? Jones Clancy ou Robinson Pereira?

hehehe! Nem existe Jones Clancy, mas sim Tom Clancy. Mas aposto que se fosse fazer uma enquete o Jones ganhava...

O agente literário

Posso estar muito enganado, mas o que li sobre o trabalho do agente literário no mercado editorial norte americano sugere um profissional e marketeia, sim, o autor junto às editoras. É óbvio que ele não faz marketing do autor para o público. Ele é o elo do mercado entre o autor e as editoras, e quanto mais famoso o escritor, menor a porcentagem que ele recebe da obra, pois o autor pode viver sem ele. Por isso eles se agarram com contratos interessantes quando a relação entre ele e o escritor está mais vantajosa para ele (o agente), quando ele tem mais a oferecer.
Por isso o agente literário usa a experiência dele para desenvolver o autor, que é novato e está entrando no mercado naquele momento, desconhecendo muitas "regrinhas" do ramo.
Não raro agentes participam mesmo como editores e dão palpites na obra.
Onde estão esses agentes aqui no Brasil?

Pedido de uma resposta mais clara da agente literária

Este é o email que mandei para a agente literária... Até agora nenhuma resposta.
Fui grosso???


Prezada agente literária.
Tenho 42 anos, sou jornalista, mestre em literatura (a minha dissertação foi exatamente sobre a possibilidade da presença do spy fiction em outras culturas que não a anglo-saxônica). Trabalho no ........ escrevendo discursos, artigos e outros textos.
Considero-me um escritor profissional. Meu romance Souvenir Iraquiano foi aprovado por dois conselhos editoriais, tenho mais de 40 crônicas publicadas, um conto na Playboy, e estou acostumado a escrever de forma remunerada, publicando em sites e revistas.
Tenho 4 títulos de livros infantis publicados.

Desta forma, agente literária, acho que não é pedir demais uma explicação mais detalhada do que a que recebi sobre meu trabalho. Assim como você, faço meu trabalho de forma profissional. Até mesmo meu trabalho literário.
Por isso esperava profissionalismo em sua análise, para saber o critério da editora, do mercado, para poder direcionar meu trabalho.
Não escrevo por diletantismo ou entretenimento.

Espero que entenda, com tranquilidade, a minha insistência.
É uma questão profissional, e não pessoal.

Percebo que aqui no Brasil os agentes literários e editoras não parecem ter um critério exatamente científico de trabalho, resumindo sua atuação a observar quem está fazendo sucesso no exterior para trazer para cá, ou ver quem é que está fazendo sucesso na mídia para convocar um ghost writter para publicar alguma coisa.

Caso esteja errado, por favor, me ilumine com uma análise que possa ajudar um colega de profissão (letras) a fazer um redirecionamento de seu trabalho. Um trabalho que, redirecionado, talvez desperte interesse de sua editora.

Um grande abraço

Robinson Pereira

Como lançar novos autores?

Peguei essa discussão como quem pega um bonde andando e já fui, como é de meu feitio, lascando opiniões. Isso aconteceu no Twitter, onde as conversas se fragmentam em arroubos de 140 caracteres e reticências e links. Melhor trazer para cá, onde fica mais fácil explicar ideias.
Pois bem, de forma esquemática, o que é melhor para lançar um autor novato, que é desconhecido, que nunca publicou? Preço barato de seu livro?
Preço baixo seria possível com uma cooperativa fundada à base de Lei Rouanet e uma cobrança de um fee mensal dos associados, um valor baixo que pudesse manter um consórcio de publicações. Cada mês seria lançado um título com uns 500 exemplares. Os custos manteriam a impressora (offset plana), fotolito, o gráfico e os custos de acabamento. Como todo consórcio, a ordem de publicação poderia ser por sorteio (não por lance).
Os associados deveriam manter o pagamento fiel das mensalidades, apesar de seu livro já ter sido publicado.
Mas como disse muito bem o @ALuizCosta, o que vende livro não é preço baixo, mas indicação.
Bem, a existência de uma cooperativa com um consórcio como esse já rende notícia, mas é apenas uma vez, uma inserção, capaz de vender um ou dois títulos. E quando a cooperativa cair no esquecimento?
Livro é vendido com indicação de formadores de opinião (Jô Soares, por exemplo) na grande mídia, na comunicação de massa passiva, que não exige esforço do público para chegar até a informação.
Esse, para mim, é o problema. Meu romance "Souvenir Iraquiano" teve diversas notas e resenhas positivas e não decolou. Meu terceiro romance, "Fronteira", está começando na estrada, mas não tenho falsas esperanças. Sem um marketing que leve ao formador de opinião, morre na praia.
Esse marketing viria de onde? Agentes literários, certo? Mas no Brasil não tem um único que resolva apostar, que crie um autor, que faça um trabalho de editor mesmo, que dê palpites, que queira pegar o cara pequeno até mesmo para ganhar mais com isso.
Uma agente literária pediu uma sinopse de meu próximo livro. Eu mandei e ela disse: "não temos interesse no momento".
Mais nada. Poxa, eu sou um escritor profissional, isso não é resposta, não direciona nem para um lado nem para o outro. Com essa resposta eu posso bater a cabeça até o fim da vida sem chegar onde o mercado quer que o escritor chegue... Pedi uma resposta mais clara e até hoje estou esperando.
Acho que nem ela sabia.

Posto aqui (http://migre.me/2EHLF) o meu pedido de resposta mais clara, sem citar o nome da agente, para vcs terem uma ideia.... Está aberta a discussão.

Comentários sobre matéria no Terra II



Continuando os comentários sobre a reportagem “Analistas: permanência em favelas põe em risco Forças Armadas”, publicada no Terra, no link ao lado: http://migre.me/2E8if

O trecho ao lado suscita uma série de observações: “Segundo Cabral, a presença das tropas do Exército permitirá que a polícia se concentre no ‘trabalho de inteligência’, até que sejam formados policiais para atuar em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) a serem instaladas no Complexo do Alemão e na favela de Vila Cruzeiro”

As polícias do Rio de Janeiro são as mais indicadas para o trabalho de inteligência? Sim. São. Não. Não são.

Esse trabalho deve ser integrado com a Polícia Federal e a ABIN, porque não estamos falando apenas de prender bandidos locais. O narcotráfico tem ligações intrincadas em todos os Estados e fora do Brasil. Tem ligações com o mercado negro de armamentos que vêm da China, da Rússia, da África, etc. Tem ligações com o contrabando de diamantes da Reserva Roosevelt, em Rondônia, que é misturado com diamantes de MG ou da África, e está ligado ao envio de drogas para outros continentes.

As polícias do Rio não têm capacidade de dar conta desse recado.

O Ministério da Justiça está fazendo acordo para um intercâmbio de ações contra o narcotráfico com países vizinhos. Não estaria na hora de fazer isso com apoio mais peso pesado, como dos Estados Unidos?

Não. Não queremos tropas americanas aqui, como aconteceu com a Colômbia. Precisamos de informações, imagens de satélite, gravações de telefonemas em escala mundial.

Podemos ter atritos com os EUA no campo comercial, mas isso não pode afetar as nossas questões de segurança. Os dois países podem se ajudar nesse sentido, com colaboração entre o DEA (EUA), o FBI (EUA), a ABIN (BR) e a PF (BR). Alguém vai dizer que não precisamos disso?

Outro ponto com relação à inteligência. Nossas Forças Armadas têm um sistema de inteligência muito bom e podem contribuir. Os nosso Forças Especiais estão qualificados para combate em situações de extremo risco e para operações de inteligência. Esse pessoal, junto com os nossos comandos e as tropas de elites das outras armas, fez falta no final de semana passado.

Invadir o Complexo do Alemão em colunas visíveis de carros de combate poderia ter sido uma forma bem segura de entrar, mas não a mais eficiente. Vimos isso e eu já havia comentado isso no blog.

Se o Rio de Janeiro ainda não viu nenhum dos Blackhawk e dos Mi-35 que obtivemos recentemente, isso está errado. Não vamos usá-los no combate nas favelas, mas eles têm uma grande força de dissuasão. São aeronaves de combate gigantescas que afetam o psicológico das tropas envolvidas em combate. A presença de duas delas, junto com os outros helicópteros cedidos, teria criado uma ação de distração excelente para uma incursão aerotransportada de forças especiais naquele sábado, antes que o prazo de rendição tivesse sido esgotado.

Poderiam ter usado bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e outras armas não letais para atordoar e distrair os narcotraficantes, enquanto as forças especiais ocupariam posições estratégicas mais elevadas – o que as forças de segurança não tiveram na sexta nem no sábado.

Grupos de atiradores com Barrets e outros fuzis potentes, com apoio aéreo, teriam sustado a ação da maioria dos grupos de traficantes. Poderíamos ter lançado pelo menos três pelotões muito especializados e treinados naquela situação e a história seria outra.

Espero que a lição tenha sido aprendida.

Temos as forças necessárias para neutralizar as forças do narcotráfico e criar a maior crise do crime organizado em toda a sua história. Poderemos neutralizar as milícias e realmente começar um combate ao crime no Rio e em todo o Brasil.

O momento é propício para isso, mas está faltando a vontade política mesmo.

Comentários sobre matéria no Terra

Este post comenta a reportagem “Analistas: permanência em favelas põe em risco Forças Armadas”, publicada no Terra, no link ao lado: http://migre.me/2E8if

Existe realmente o risco de corrupção entre as fileiras do Exército expostas ao longo de meses no Complexo do Alemão, e talvez em outras favelas do Rio. Os militares envolvidos no processo, no entanto, apesar de ganharem menos que os traficantes, têm uma possível blindagem ideológica típica da caserna – é o que se espera. No entanto, o risco existe.

Uma solução seria um rodízio constante da tropa no local, a presença de oficiais para cada Grupo de Combate (creio que metade de um pelotão) e a participação não apenas do Exército, mas da Marinha e da Força Nacional de Segurança – que foi criada pelo próprio Luiz Eduardo Soares, autor dos dois Elite da Tropa.

Com relação ao preparo técnico, os militares não são treinados apenas para matar. Em uma guerra são feitos prisioneiros, existem códigos de conduta bem claros. É preciso que se entenda que soldado não é assassino, mas sim uma pessoa treinada para situações extremas de combate. Dentro desse treinamento uma das coisas que se aprende é a matar, mas o militar também aprende a salvar vidas.

Discordo quando, no texto, é criticada a presença das Forças Armadas. Os narcotraficantes têm hoje equipamentos de combate que nunca deverão ser disponibilizados às polícias, caso contrário teremos um exército a mais no País, com necessidades de gastos paralelos. Os traficantes têm metralhadoras pesadas, de grosso calibre, para combate terra-ar; lançadores de foguetes; projéteis anticarro e antipessoal; além de fuzis automáticos de guerra de calibres 5.56 e 7.62. Tudo arma de guerra.

O apoio para a invasão é fundamental, com os blindados e a infantaria para dar apoio e cobertura de fogo.

O entrevistado também alegou que não houve o comate: "Esse é um caso de criminalidade, não de guerra nem de terrorismo. Houve confronto (nas incursões policiais)? Não, o que se viu foram fugas em massa." Talvez ele tivesse uma bola de cristal para saber que não haveria confronto, mas todo o País, e o mundo também, so pôde garantir isso depois dos fatos ocorridos.

No texto também existe uma informação equivocada, quando cita que: “os Estados Unidos enviaram militares para apoiar autoridades civis após o furacão Katrina assolar Nova Orleans, em 2005”

Os EUA não enviaram apenas militares, como também mercenários, na maioria e no comando das operações, funcionários da Blackwater, a um custo elevadíssimo. Estes sim assassinos contratados para controlar uma situação de catástrofe.



Vejam também nesse blog informações sobre meus livros "Souvenir Iraquiano" e "Fronteira".
Envio os livros pelo correio.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mulher registra o Sol como sua propriedade

O mais interessante dessa história é que o pessoal consegue registrar sol, lua e etc como de sua propriedade. E quando aparecerem os verdadeiros donos?


Mulher registra o Sol como sua propriedade

SÃO PAULO - Uma moradora da Espanha registrou em cartório na sexta-feira passada a propriedade do Sol.

O astro em torno do qual giram Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão, a própria Terra e centenas de outros corpos menores, como asteróides, em tese pertence agora à uma senhora moradora da Galícia.

Segundo informações da AFP, Angeles Duran, de 49 anos, disse ao jornal El Mundo que ela decidiu registrar o Sol como sua propriedade em setembro, depois de ler a respeito de um americano que registrou a Lua e diversos planetas como sendo dele.

A ideia parece ter vindo de uma lacuna em um acordo internacional firmado em 1967. O Outer Space Treaty estabelece que o espaço é propriedade da raça humana, e que partes ou o todo não podem ter a posse exigida por nenhum governo. O acordo foi assinado por 98 países mas não fazia referência à pessoas, indivíduos. Assim, não é de hoje que uma série de pessoas decide registrar corpos celestes.

A senhora espanhola teria dito que pesquisou a legislação e que “Eu não sou estúpida. Eu conheço a lei. Eu fiz isso mas qualquer outra pessoa poderia ter feito: simplesmente me ocorreu primeiro”.

Ainda segundo a AFP, Angeles disse que quer cobrar uma taxa de todos os que usam o Sol e dar metade do dinheiro ao governo Espanhol e 20% ao fundo de pensão do país. Outros 10% seriam dedicados à pesquisa; 10% a acabar com a fome do mundo e os 10% restantes ficariam para ela.

Forças especiais brasileiras

O 1° Batalhão de Forças Especiais (1° B F Esp) é a unidade de elite do Exército Brasileiro capacitada ao planejamento, condução e execução de operações de guerra irregular, contraterrorismo, fuga e evasão, inteligência de combate, contraguerrilha, guerra de resistência, operações psicológicas, reconhecimento estratégico e busca, localização e ataque a alvos estratégicos. É subordinado a Brigada de Operações Especiais, de acordo com a organização e adestramento do EB, trata-se da principal unidade de elite daForça.

As operações do 1º BFEsp caracterizam-se por sua acentuada mobilidade estratégica. Seu emprego costuma requerer alto grau de sigilo, e suas operações apresentam considerável grau de risco, já que, em geral, são executadas em território hostil.

A fração de emprego do batalhão é o Destacamento Operacional de Forças Especiais (DOFEsp), integrado por 4 oficiais e 8 sargentos.


Em 1991, guerrilheiros da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, adentraram o território brasileiro e atacaram um pequeno contigente de fronteira do Exército Brasileiro, a resposta foi imediata, e o até então Batalhão de Forças Especiais realizou em conjunto com outras unidades, uma operação de retaliação, a Operação Traíra, e o resultado foi o de 12 guerrilheiros mortos, inúmeros capturados, maior parte do armamento e equipamento recuperados, e desde então, nunca mais se soube de invasões das FARC em território brasileiro, e muito menos de ataques a militares brasileiros.[1]

Recentemente sob a égide das Nações Unidas, o 1º Batalhão de Forças Especiais teve papel decisivo no combate a grupos paramilitares que assolavam o território haitiano e causavam grande instabilidade política no país.

O crime não pode compensar e outros devaneios (o pensamento pragmático de um escritor)

Em primeiro lugar cabe lembrar que não existem máquinas do tempo. Logo, quando o leite já foi derramado, há limites para discutir o porquê de ter caído. Principalmente quando já for público e notório. Insistir nessa discussão tem um quê de oportunismo.

Em segundo lugar, quando eu sinto uma dor de dentes eu não vou comprar uma escova de dentes melhor e falar na frente do espelho que preciso escovar melhor, mais vezes e usar fio dental. Eu procuro o dentista.

Posto isso, e considerando que você concordou com os dois tópicos acima, vamos em frente. As ações de combate ao narcotráfico no Rio de Janeiro, na semana passada, viraram centro das atenções no Brasil por um bom motivo: o narcotráfico do País inteiro gira em torno da criminalidade de lá. Isso é fato pelo seguinte:

- a droga vem de fora, passando por Estados como o Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Mato Grosso, por exemplo;

- as armas chegam pelos mesmos lugares e também via mar;

- advogados do CV e do PCC defendem criminosos perigosos em vários cantos do País.

Logo, tratar o interesse nacional como se existisse uma ligação circense é tolice.

Segundo ponto, o filme Tropa de Elite 2, visto por mais de 10 milhões de pessoas no País e alvo de grande exposição da mídia (assim como o primeiro) colocaram o tema, recentemente, na roda de discussão de praticamente todo o Brasil, em diversas faixas etárias.

Concordamos com os motivos que fizeram com que a mídia cercasse o tema? Ótimo.

Mas como a mídia tratou o assunto? Da forma superficial que trata praticamente qualquer assunto no Brasil. Exemplifico.

- Uma revista nacional publicou matéria sobre uma assessora parlamentar que iria assumir a vaga de um senador, por esses dias. O repórter não perguntou por que seria ela, e não o suplente e não o segundo lugar. Simplesmente não perguntou.

- Outro exemplo: no caso dos rapazes que agrediram outros rapazes na avenida Paulista, usando duas lâmpadas fluorescentes, o repórter perguntou à mãe do agressor o que havia acontecido. A mãe disse que o filho deve ter se sentido agredido moralmente por algum motivo e partiu para a briga. O repórter não perguntou o motivo e sequer perguntou o óbvio: “o que seu filho fazia com duas lâmpadas fluorescentes nas mãos, de madrugada, andando pela rua?”

Concordamos que a imprensa nacional costuma deixa bolas quicando na grande área, para a felicidade dos entrevistados? Ok, sigamos em frente.

Por que a imprensa não citou que a origem do crime organizado está na corrupção de governos X, Y e Z, etc e tal?

Concordamos que seria muita irresponsabilidade citar sem apresentar provas? Qual emissora ou jornal quer receber processos levianamente? Isso deve ser resultado de investigações. Se elas vierem a ser feitas, devem ser veiculadas no momento certo, calçadas nos fatos e em provas.

Acho que isso delimita o assunto àquilo que realmente ocorreu: uma operação policial/militar sem precedentes. Mas que teve falhas. Algumas delas foram “cantadas” nesse blog com antecedência – o que é melhor do que falar apenas depois:

- o tempo dado à rendição dos narcotraficantes foi muito grande. Citei aqui no blog que seria tempo suficiente para que eles fugissem;

- o Brasil inteiro tem uma porcentagem baixíssima de saneamento básico e esgoto. O Complexo do Alemão recebeu obras de esgoto e ninguém sabia? Isso é azar?

- Vamos usar as Forças Armadas? Citei aqui no blog: que sejam chamados os profissionais. No caso, chamaram paraquedistas. Os PQDs, como são chamados, são treinados para o quê? Principalmente para serem infiltrados atrás das linhas inimigas, assim como os nossos Comandos e Forças Especiais. Por que eles não foram enviados às posições mais elevadas do Complexo via aérea? Eles são treinados para isso, e para situações reais de combate nas quais o inimigo conta com suporte aéreo, artilharia, etc. Os traficantes tinham apenas armas de infantaria e nenhum suporte aéreo. Pergunto: por que não usar o pacote completo?

- Com a infiltração dos PQDs, que poderia ser feita em conjunto com o Bope, com imagens aéreas de suporte para estudo da operação, seria possível “segurar” os criminosos, isolá-los e deixá-los sem ação. A PM não havia já localizado as posições dos 600 homens?

OK, não estou querendo voltar atrás no tempo. Não é isso. Quando citei a questão da máquina do tempo é porque muita gente está discutindo que faltou educação, políticas públicas de cidadania e etc. Ninguém ia fazer isso neste final de semana, durante a invasão do Complexo. Estou citando coisas que poderiam ter sido feitas de fato e que devem ser estudadas para as próximas ações.

O que precisa acontecer agora? O governo do Rio afirmou que conseguiu, junto ao governo federal, a manutenção das tropas federais no Complexo até o meio do ano que vem. Isso basta? Não. O que precisa ser feito:

- combater as milícias da mesma forma que foram combatidas as forças de narcotraficantes;

- destruir as redes de contrabando de armas e drogas. O Ministério da Justiça já deu um passo para isso, viabilizando acordos com países vizinhos para ações conjuntas;

- caçar os 16 mil empregados do tráfico no Rio de Janeiro, e não apenas os 550 que conseguiram escapar do Complexo do Alemão. É hora da Polícia Civil cair em cima dos aviões, dos vendedores de papelotes, de todo mundo e rastrear os caminhos da droga. Já existe informação sobre isso (como já imagino que exista) basta então executar.

O filme Tropa de Elite 2 começa com o personagem inspirado no deputado Marcelo Freixo criticando a população carcerária do Brasil, dizendo que é muito grande. Mas, vejam só: precisa aumentar.

Precisamos prender mais, mas prender bem. É preciso mostrar que o crime não compensa, pois aqui no Brasil a cultura da impunidade é muito forte, assim como a maquiavélica expressão de que os fins justificam os meios. Quais fins? Ficar rico, sobreviver, trocar de carro, ter uma BMW, etc.

Certa vez um amigo foi aos EUA e conversou com um americano no aeroporto, sobre a mala que ele esqueceu em um canto, longe dele: “Poxa, se fosse no Brasil, já teriam roubado a mala. Aqui o povo é mais honesto”. O americano respondeu: “Não, aqui o povo tem medo de ser preso”.

O ideal seria poder dizer que com educação suficiente poderíamos eliminar o crime, mas não é plausível. É minha opinião, você pode pensar diferente. Mas vejamos um exemplo. Você conhece algum milionário? Conhece um grande executivo, com salário de R$ 150 mil, ou mais? O que é comum nessas pessoas? Entre outras coisas, eles não têm hora para começar ou acabar o expediente deles.

Mas pegue esse cara e coloque fazendo uma atividade que renda pouco lucro a ele, e que não renda hora-extra. Coloque-o trabalhando como gari, ou coisa que o valha. Ele vai entrar às 5h e sair do trabalho às 23h50? Ele vai trabalhar por prazer?

É comum as pessoas dizerem que adoram trabalhar, mas é uma incrível coincidência que a maioria das pessoas que dizem isso recebe pela sua produção. Ou seja, o que as pessoas gostam mesmo é do que o trabalho produz. Poucos gostam quando o trabalho produz apenas calo e cansaço. A maioria gosta quando o trabalho rende dinheiro.

Logo, é preciso fazer com que a sociedade brasileira perceba que o crime não compensa, porque nunca vai faltar gente pensando em um meio fácil de ganhar muito dinheiro. Como assaltar bancos, traficar drogas, desviar verbas do governo etc.

Entrevista com Luiz Eduardo Soares


Interessantíssima entrevista com Luiz Eduardo Soares.


Enviado por Ricardo Noblat - 30.11.2010 | 19h35m
Luiz Eduardo Soares: por ora, nada mudou nos morros do Rio
Do blog de Augusto Nunes

A retumbante cobertura jornalística e a visão triunfalista da ocupação de morros do Rio escondem distorções gravíssimas e crônicas do esquema de segurança pública, adverte no Roda Viva desta segunda-feira o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

No programa que a TV Cultura de São Paulo transmite a partir das 10h da noite, o entrevistado lembra que a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, embora necessária e positiva, comprova o fracasso da política de combate à violência. E afirma que não faz sentido deduzir que, desde o fim de semana, o Estado Democrático de Direito recuperou o controle sobre as zonas conflagradas.

Por enquanto, reitera Luiz Eduardo, nada mudou nas favelas amputadas do mapa da União. E nada mudará de essencial se não forem removidos velhos tumores.

“O principal problema continua sendo a corrupção endêmica que afeta a polícia há muitos anos”, diz o entrevistado, que foi coordenador da área de segurança do governo Anthony Garotinho em 1999 e 2000, secretário nacional de Segurança Pública em 2003 e é um dos autores dos livros Elite da Tropa e Elite da Tropa 2, origem dos filmes que fizeram do Capitão Nascimento um herói brasileiro.

Como nos livros, que misturam alguma ficção e muitos fatos reais, o contingente de policiais honestos é de bom tamanho. Mas a “banda podre” predomina. Sobretudo por isso, acha perigosamente equivocado supor que se consumou a vitória do Bem contra o Mal e imaginar que tudo está resolvido. Embora sem a mesma magnitude, ressalva, operações semelhantes já ocorreram nos morros cariocas, com efeitos invariavelmente efêmeros.

“Espero que desta vez seja diferente”, diz, traindo na voz e na fisionomia o pessimismo de quem combate a “banda podre” desde a virada do século. “De lá para cá, a situação piorou”, constata.

Para Luiz Eduardo, o fenômeno mais alarmante é a multiplicação das “milícias”, grupos criminosos formados por policiais. “As milícias são mais eficientes e perigosas que as quadrilhas do narcotráfico”, compara.

Segundo o especialista, não existe uma política nacional de segurança pública. “Tentamos fazer isso em 2003, mas o núcleo duro do Planalto convenceu o presidente Lula de que, se assumisse a administração desse setor, teria problemas com os índices de popularidade”.

Das várias ideias que apresentou, uma das poucas encampadas pelo governo foi a Força Nacional de Segurança Pública. Que acabou deformada por interesses políticos e virou um exército fantasma.

Luiz Eduardo descarta a hipótese segundo a qual os ataques do narcotráfico ocorreram em resposta à implantação das Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Ele se limita a informar que a verdade surgirá ao fim de investigações que correm em segredo de Justiça.

Uma fonte da coluna revelou que uma das versões investigadas atribui a onda de violência a um impasse nas negociações entre policiais e bandidos que tentavam atualizar a tabela de propinas.