sábado, 27 de novembro de 2010

Salário e treinamento

Bom ver na Folha que o governo do Rio de Janeiro quer aumentar em 70% o salário dos policiais. Isso é muito bom. Mas não podemos esquecer que apenas salário não basta. Ninguém deveria optar pela carreira de policial por causa do salário, e sabemos que tem gente querendo vestir uma farda para não morrer de fome.
O treinamento de um PM dura menos de um ano, na maioria dos Estados. De um policial civil, menos ainda. O treinamento de um oficial da PM é de 4 anos, se não me falha a memória. Mais ou menos como acontece nas forças armadas. (tenho que verificar se é assim em todos os Estados)
Mas tem uma diferença. Na polícia os cabos e soldados saem por aí sozinhos, em ações isoladas e lidam com uma realidade de combate e de situações inusitadas constantemente. Não é como nas forças armadas, quando em uma guerra os militares agem praticamente como ferramentas em conjunto.
Ou seja, o treinamento do PM deve ser maior do que é, mais complexo, e deve durar mais.
Como vimos em Tropa de Elite, no primeiro filme, o treinamento do Bope é duro. Um policial morreu este ano. Na Academia Militar das Agulhas Negras, onde são formados oficiais do Exército, era muito comum morrer gente lá. Ossos do ofício, quando vc está lidando com granadas, munição, carros de combate, etc.
Com um treinamento mais duro, mais condicionador, fica apenas quem tem vocação mesmo, quem quer ser policial na MARRA. Forma-se uma ideologia positiva.
Apesar das críticas que ouvi nos últimos dias devido a meus posts, não tenho receio de dizer que o ideal desse treinamento deveria ser formar policiais que se considerassem realmente acima da população civil. Que pensassem e agissem dessa forma:

- sou mais corajoso que os civis;
- sou mais responsável que os civis;
- sou mais honesto que os civis;
- tenho a obrigação de defender os civis indefesos.

Quando o policial não pensa assim, o que acontece? O que acontece com o policial que não se considera mais honesto que os civis, e que realmente age assim?

É óbvio que a situação é limítrofe e relativa. O policial pode ser corrupto, mas se considerar mais honesto que os civis, que ele julga serem todos corruptos, que pagam propina a guardas, pagam propinas a fiscais, que pedem para superfaturar nota de almoço para entregar na empresa, etc.

Desta forma, o treinamento, para ficar mais claro, deve gerar pensamentos como:

- tenho a obrigação de ser mais corajoso que os civis;
- tenho a obrigação de ser mais responsável que os civis;
- tenho a obrigação de ser mais honesto que os civis;
- tenho a obrigação de defender os civis indefesos.

Além disso, tem toda a qualificação técnica, que não acaba nunca, mas que parte dela deveria ser básica e não é. Por isso tantos policiais correm atrás de realizar cursos do CATI e outros, pagando geralmente do próprio bolso.

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